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A automatização dos processos parece sempre a melhor e primeira opção para tudo. Mas será mesmo?

Por Camilla Trigo

Estudantes se reúnem para formar a Atlética. Na hora de organizar tudo, o mais comum é pensar logo: como vamos automatizar todos esses processos? O problema está aí! Querer, de cara, já automatizar tudo e pular a etapa do “fazer na mão”. 

É importante começar todo o processo de organização com tarefas feitas manualmente. Essa ideia é inclusive disseminada pela Y Combinator, uma aceleradora do Vale do Silício que investe capital em empresas que estão ainda no início, mas possuem um grande potencial de crescimento.

Saiba mais sobre a Y Combinator

A YC nasceu em 2005, fundada por Paul Graham, Jessica Livingston, Trevor Blackwell e Robert Tappan Morris. Ela tem 2 ciclos de aceleração anuais, nos quais seleciona empresas para receberem um investimento de até 120 mil dólares e uma participação de 10% do negócio. Desde o seu nascimento, a YC já investiu em milhares de empresas de diversos nichos. 

E algumas das ideias disseminadas por eles é começar os projetos manualmente, até chegar a hora certa de automatizar os processos. E claro que isso também serve quando falamos de Atléticas.

Leia também: 4 dicas para sua atlética conseguir patrocínio de uma empresa

Começando o trabalho duro

Um dos exemplos mais comuns sobre fazer as coisas na mão é quando vamos recrutar pessoas para fazerem parte de nossa equipe.

Bem, esse é um processo que precisa ser manual, uma vez que vamos escolher as pessoas que têm o perfil que precisamos na nossa Atlética.

Inevitavelmente, será necessário recrutar pessoas pelo modo manual, mesmo que isso pareça uma grande perda de tempo – quando na verdade é um investimento.

Inicialmente, será mais trabalhoso, mas alguns padrões podem ser percebidos no processo e tudo começa a ganhar uma sistematização.

Claro que esse é um exemplo pequeno, mas que pode ser replicado para casos dentro do marketing ou eventos.

Quando olhamos grandes empresas, pensamos logo que tudo foi fácil ou que já começou automatizado. Mas um case de sucesso é a Airbnb.

Eles, inicialmente, foram de porta em porta em Nova York recrutar novos usuários e ajudar os já existentes a melhorar as suas listagens. A Airbnb, inclusive, foi uma das startups aceleradas pela YC.

Agora, no seu auge, a empresa não parece ter tido esse tipo de atitude. Mas essa ação, naquele momento, foi o que definiu se ela seria um fracasso ou um sucesso.

E essa fragilidade inicial é comum a todas as empresas que estão iniciando as suas histórias, assim como as Atléticas que estão no início. E é preciso ter isso em mente!

Quando falamos sobre o processo manual e não focamos em automatizar processos, de certa forma estamos tratando cada parte de uma equipe, ou da Atlética (foco deste texto) em uma espécie de software. 

Isso, inclusive, auxilia a iniciar mais rapidamente diversos projetos, para quando os processos de automatização iniciarem a equipe saiba como proceder, até porque uma memória muscular é criada durante esse caminho.

A dica que o próprio Paul Graham dá é que se sua equipe inicialmente tiver problemas a serem resolvidos: faça isso manualmente sempre que possível, para somente depois, aos poucos, ir automatizando.

O que pode ocorrer é não entender o processo em si e assim não saber sequer como automatizar. Isso geraria muito mais trabalho, pois existe uma grande tendência da automatização não resolver os problemas que deveria.

O processo manual também auxilia para ter cautela sobre as principais metas e objetivos da organização. Pois foca naquilo que realmente é preciso no início de uma Atlética, como definir objetivos de cada cargo, metas gerais e ter novas ideias.

Assim, o tempo desprendido passa a ter mais valor e os processos vão se formando aos poucos, até se consolidarem. É dessa forma que empresas em estágios iniciais também precisam pensar.

Suponhamos que uma empresa irá lançar um produto, mas ao invés de lançar apenas uma funcionalidade sólida resolve lançar oito funcionalidades.

Com a falta de foco e sem o tempo que precisaria para pensar no produto e nos projetos, tudo acaba saindo errado. E esse é o problema: pensar além do que pode dar conta.

Então, se você não consegue, junto com a sua equipe, iniciar já automatizando tudo – até porque não tem um processo claro em mente, que tal colocar tudo no papel?

O início de uma organização, de forma geral, é muito importante. São as ações iniciais que vão dar DNA ao que está sendo construído ali. Equipes que iniciam com um modelo sem estrutura, e não se organizam, tendem a continuar com esse mesmo comportamento mesmo após alguns anos.

Reid Hoffman é um empresário e investidor, conhecido por ser o cofundador do LinkedIn. Hoffman pontua, em um dos seus textos, algo muito importante:

“Os maiores saltos que você consegue dar são quando está pequeno”. E isso reflete muito sobre o processo que estamos falando. Aproveitar esse momento inicial para pensar em todo caminho e então automatizar.

Sim, mas automatizar é preciso!

Estamos falando esse tempo todo sobre a importância de fazer a mão, mas queremos mostrar também que a parte automática precisa e deve ser feita (no momento certo).

Quando essa hora chegar, sua organização terá em mãos os caminhos necessários a serem percorridos e conseguirá, de forma muito mais efetiva, automatizar processos.

Através da automatização, é possível dar espaço para outras demandas e ganhar tempo. Assim, a equipe poderá colocar em prática novos projetos e pensar em novidades que fazem sentido.

Nesse momento, algumas funções podem sofrer alterações de objetivos e até na própria rotina, mas isso será para um bem maior.

Cada participante da organização terá mais tempo para novas ações e a tendência é que tudo deslanche muito mais rápido. E em tempos de campeonatos, por exemplo, sabemos como o tempo é precioso. 

Então, que tal começar a aplicar esse pensamento na sua Atlética? Mesmo que ela não esteja no início, será que não precisa de uma mudança de direção? E, nesse caso, essas dicas caem super bem!


Continue acompanhando nossos conteúdos para potencializar seu tempo durante a sua vida universitária. E nos vemos na próxima!