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A quadra da escola de samba Independente Tricolor, na Zona Norte de São Paulo, recebeu no último sábado (24) a VIII Seletiva do Balatucada. Esta etapa dá acesso no ano seguinte ao maior torneio de baterias universitárias do Brasil, o Balatucada.

A disputa entre dez baterias terminou com o título da Bateria C7 (197,1 pontos), que é composta pelos estudantes de tecnologia da UFPR. Além da paranaense, também garantiram vaga na Principal de 2020: as baterias Farmatuque (Farmácia USP) e Batereca (ECA USP).

Confira a classificação e pontuação geral da seletiva do Balatucada:

1o lugar: Bateria C7 (Tecnologia UFPR) – 197,1 pontos
2o lugar: Farmatuque (Farmácia USP) – 196,0 pontos
3o lugar: BaterECA (ECA USP) – 194,9 pontos
4o lugar: Mamuteria (USP Lorena) – 193,6 pontos
5o lugar: Tubatuque (Química USP) – 193,1 pontos
6o lugar: Bateria 51 (Escola Paulista de Medicina) – 192,5 pontos
7o lugar: Manda Chuva (FFLCH USP) – 191,2 pontos
8o lugar: Batorada Vaca Magra (Medicina FAMERP) – 191,0 pontos
9o lugar: Batucada Geral (USCS) – 188,6 pontos
10o lugar: Bateria da Cásper Líbero (Cásper Líbero) – 184,4 pontos

A pontuação do torneio, estabelecida por um time de jurados, avalia execução, equalização e dificuldade. Além da classificação por pontos, as etapas do Balatucada também premiam com um estandarte as baterias com os melhores naipes de cada instrumento.

Confira os vencedores da VIII Seletiva:

Melhores Caixas: Batorada Vaca Magra
Melhores Tamborins: Farmatuque
Melhores Repiniques: BaterECA
Melhores Surdos de Marcação: Bateria do C7
Melhores Surdos de Terceira: Bateria do C7
Melhores Agogôs: Mamuteria
Melhores Chocalhos: Tubatuque
Melhor Mestre: BaterEca
Instrumento Suplementar: Batucada Geral (Timbal)

Fala Mestre: entrevista com as três campeãs

A BEAT conversou com as mestres de C7 e Farmatuque e com o mestre da BaterECA sobre a participação na Seletiva e as expectativas para a Principal em 2020. Confira:

RB: Quando a bateria foi criada e qual é a história dela dentro do Balatucada?

Eskelsen, da C7: A Bateria do C7 foi criada em 2009 com o objetivo de puxar a torcida para os jogos da Atlética C7 (AC7). Logo depois disso, já surgiu uma vontade interna de fazer parte de competições.

Em 2016 começamos a tocar no Balatucada e já no primeiro ano conseguimos acesso para a seletiva. Desde então foi criada uma mobilização muito grande para finalmente alcançar a divisão principal, mas o nosso maior obstáculo sempre foi segurar a emoção durante os minutos cruciais.

Com pouca experiência no campeonato, não conseguimos subir logo de cara e com o andamento beirando a 160bpm. Conseguimos o 3º lugar em 2018 [até o ano passado, apenas as duas melhores baterias subiam de divisão].

Para a surpresa de todos que acompanham o samba paranaense, em 2019 aprendemos a segurar essa emoção e alcançar o maior título da história da Bateria do C7!

Amanda (Dinha) da Farmatuque: Nossa bateria foi criada em 2003. Naquela época, a gente era totalmente atrelado à atlética, então éramos só uma bateria de torcida.

Até que os anos foram passando e as pessoas que entravam na Farmatuque começaram a almejar coisas maiores. Então lá pra 2010, 2011, 2012, não sei dizer ao certo, o pessoal que entrou já tinha uma relação maior com bateria universitária. Já sabia mais o que era isso, já tinha um conhecimento maior do que era uma escola de samba e o que eles faziam.

Eles começaram a pensar em tentar inserir a Farmatuque nesse ramo, eles não queriam mais ser atrelados à atlética, não queria mais ser só uma bateria de torcida. 

2014 foi a primeira vez que a gente participou do Balatucada e foi assim: um feito histórico muito grande pra Farmatuque. Isso porque a gente deixou de ser atrelada à Atlética e ficou mais independente, foi bem marcante pra nossa história. 

Participamos em 2014, em 2015, mas em 2016 foi quando a gente ganhou nosso primeiro estandarte, o que com certeza fez com que as pessoas se animassem muito.

Isso porque foi o ano que a Farmatuque começou a ganhar um pouco mais de visibilidade nesse ramo de baterias universitária. Em 2017, a gente ficou em 3º lugar.

Nós ficamos muito felizes, mesmo com as nossas limitações, de quantidade de pessoas, nossos instrumentos que muitas vezes a gente tinha que pegar emprestado por aí, a gente tenta sempre crescer mais.

A nossa colocação em 2017 fez a gente querer realmente ir pra cima nos próximos anos. 2018 não deu muito certo, mas com certeza serviu como aprendizado.

Zinho, da Batereca: A BaterECA foi criada em 2003 muito mais focada em tocar em arquibancada. Ficamos nessa vibe por bastante tempo e confesso que não sei muito sobre essa época da bateria hahaha.

Mas, lá pra 2012/2013, uma galera começou a olhar pra algumas competições que estavam rolando – principalmente o Balatucada (que esse ano completa 11 anos) e o Interbatuc (que completa 10). 

Já tocávamos no TOBA BIFE também e alguns dos veteranos queriam expandir esse pensamento pra outros torneios. O pensamento inicial foi o próprio Interbatuc. Tocamos lá em 2013 e acabamos saindo (não sei muito bem o motivo rs).

Enfim, pro Balatucada em si, quem trouxe essa ideia foi a Dani Ferrari, em 2015, quando entramos em contato com a organização. A princípio, entraríamos só alguns anos pra frente, mas surgiu uma oportunidade de competir já em 2016 e topamos.

Entramos na Pré-Seletiva e fomos campeões. Ganhamos o acesso pra Seletiva junto com a Bateria do C7 (UFPR). 

Já na Seletiva em 2017, conseguimos o segundo lugar e ganhamos o acesso pro Balatucada Principal junto com a BCL, levando 2 estandartes. Em 2018 fomos tocar lá em Outubro, mas o nervosismo bateu e acabamos ficando em 9o lugar, caindo de volta pra Seletiva. 

Agora esse ano, com um pouco mais de calma, revimos algumas coisas que rolavam, voltamos pro Balatucada com o objetivo de conseguir o acesso de volta pro Principal. Ficamos em 3o lugar (a regra foi alterada ano passado, 3 sobem e 3 caem), com 2 estandartes.

RB: Como você avalia a participação da bateria nessa VIII Seletiva?

C7: Esse ano nosso maior objetivo era conseguir chegar na principal curtindo nosso desafio. Não queríamos que passasse em um piscar de olhos mais. A vontade de sentir a emoção de cada virada, cada ritmo e dancinha era o nosso foco.

Queríamos subir sabendo que fizemos o nosso melhor e tiramos a nossa pira! Bom, tudo isso foi mais do que cumprido! Foi excelente, tivemos erros pontuais e que não nos fizeram parar de sorrir e curtir aquilo tudo que estávamos vivendo.

Conseguimos fazer um  teatro durante a apresentação com uma interação rítmica e visual muito impressionantes. Estamos orgulhosos do nossos desempenho e sentimos que o samba paranaense foi muito bem representado!

Farmatuque: Esse ano a gente veio, à princípio, para não cair, porque a gente estava com um time bem novo, com bastante bixos e bastante pessoas que nunca tinham tocado no balatucada.

Mas a gente tinha uma coisa muito importante, que era fé (risos). E dedicação, claro. Então a gente teve uns meses bem insanos de ensaio e deu tudo certo, graças a Deus o nosso esforço valeu a pena.

Eu avalio a nossa participação como superação total de expectativa, como se nosso esforço todo tivesse valido a pena. A gente ensaia muito, mas dessa vez eu achei que a gente teve uma harmonia maior, sabe?

O pessoal estava com um objetivo mais claro, todo mundo sabia que a nossa situação era um pouco mais complicada, porque tinha muita gente sem experiência, muita gente que não tinha quase tocado, então nós sabíamos que precisávamos dar mais do que a gente poderia.

Realmente foram meses bem insanos de ensaio, mas que olhando agora, foi sem arrependimentos. A gente vê que nosso esforço realmente vale a pena.

Batereca: Acho sinceramente que foi uma das melhores apresentações que a BaterECA já fez. Conseguimos criar um ambiente bem mais calmo na hora da apresentação, o que ajudou muito.

O setlist era, de longe, um dos mais complicados que já criamos e estou muito feliz com a execução dele lá no palco. Trabalhamos desde o começo do ano pensando nessa apresentação e estou muito orgulhoso do que conseguimos entregar!

RB: Quais as expectativas para a Principal em 2020?

C7: Olha, é bem difícil entender quais são as expectativas, ainda mais porque somos a primeira bateria de fora de São Paulo a participar da divisão principal.

Acredito que a nossa maior vontade é de continuar representando nosso estado tão bem! Queremos ir lá e tocar nosso samba com o mesmo amor que tocamos nesses 10 anos de bateria, fazer a melhor invasão viking da história e aproveitar o maior e de mais alto nível desafio que já tocamos!

A emoção é grande, mas a força de vontade para estruturar esse desafio já é imensurável.

Farmatuque: As nossa expectativas pra Principal são parecidas com que a gente tinha esse ano: tentar fazer com que nosso time não desanime nunca, mesmo tendo todos os nossos problemas. A gente sempre tentar superar o máximo possível, continuar sendo uma família.

A nossa expectativa sendo bem sincera é não cair, né. Porque a gente sabe que estará competindo com baterias de altíssimo nível técnico e muito boas, bem consagradas.

A gente vai tentando alcançar o nosso espacinho na Principal. Nenhum problema se a gente cair, mas claro que a gente com certeza vai batalhar bastante pra conseguir ficar lá e quem sabe um dia alcançar a mesma coisa que essas baterias que tão na Principal de hoje alcançaram.

O Balatucada com certeza é uma das competições mais importantes pra gente como bateria, pra continuar querendo ensaiar e continuar querendo evoluir, então pra gente foi muito importante esse resultado da Seletiva de 2019.

Batereca: Com certeza a principal expectativa é conseguir se manter lá. Estamos pensando em um passo de cada vez, tentar melhorar nossa apresentação, criar uma base para os naipes que usamos hoje e tentar pensar em novas formas de tocar e criar uma apresentação.

O nível lá é muito alto, aprendemos isso na prática ano passado, então precisamos olhar pra dentro, tentar evoluir com o trabalho que estamos fazendo hoje e entregar o melhor que conseguirmos lá em outubro.

O Balatucada

Fundado em 2009 pelas baterias Rateria (Poli USP), FEA PUC, ESPM, S/A (FEA-USP) e Imperial (Insper), o Balatucada é o maior torneio de baterias universitárias do Brasil.

A disputa atualmente reúne 30 baterias, divididas em mais duas etapas, além da Seletiva: a Pré-Seletiva, que teve em junho a sua 5ª edição e sagrou a bateria Os Federais (Direito-UFPR) como campeã, além de Bateria Epidemia (Engenharia e Arquitetura UEM) e Fundasamba (Fundação Santo André) nas colocações seguintes. E a divisão Principal, que em 2019 será realizada em 26 de outubro.

A Revista Beat também conversou com Maísa Ribeiro, diretora de torneio e da comissão organizadora do Balatucada. Confira:

Entenda mais sobre o Balatucada

RB: Qual é a relevância do Balatucada hoje?

Ele surgiu pra ser o maior torneio de baterias do Brasil. O Balatucada hoje é referência em torneios de BUs. Por mais que existam outros como o Interbatuc, que é muito conhecido, e a TABU [Taça das Baterias Universitárias], o Balatucada ainda é uma referência, e as baterias da divisão principal são tratadas como “as dez melhores baterias do Brasil”. 

RB: Quem é responsável por organizar o evento?

Os responsáveis são a ABBC [Associação das Bandas, Blocos e Cordões Carnavalescos do Município de São Paulo], que cuida do samba, cuida da estrutura.

As baterias fundadoras, que fazem parte do conselho permanente e ajudam a formar o rolê – com mais cara de bateria mesmo, atendendo às nossas demandas.

Além disso, tem o nosso conselho rotatório. A cada dois anos trocam as baterias que estão nesse conselho. São várias as coisas que são levadas em conta: tempo que a bateria está no torneio, se vai em todas as reuniões, coisas assim.

RB: Como foi o nível da seletiva desse ano? 

Nível da seletiva desse ano foi alto. A seletiva é considerada, entre as etapas, a mais equilibrada, porque tem muita bateria de nível parecido. Foi uma coisa até que o Zéca, presidente da ABBC falou. A seletiva hoje em dia é bem competitiva.

RB: As baterias têm evoluído de um ano pro outro?

As baterias têm evoluído muito. Não só tem evoluído, mas o movimento de bateria universitária tem crescido muito. Tem muita bateria nova surgindo e também se esforçando muito pra melhorar, entrar em torneios.

Exemplo disso é a Tubatuque, que entrou ano passado em torneios, na pré-seletiva e esse ano já disputou a seletiva.

As baterias da USP em geral elas vão bem nos torneios, apesar de não ser uma exclusividade nossa. Outras baterias vão muito bem, a ESPM, a UFSCar, que inclusive ganhou ano passado.

RB: Qual a expectativa para a principal desse ano?

Expectativa é bem alta porque a S/A [bateria da FEA-USP] vem ganhando as coisas disparadamente. Eles estão ganhando tudo que estão tocando e com um repertório bem rico e diferente, então espera-se muito deles.

Eles competiram na TABU, na CBU [Copa das Baterias Universitárias] que é um novo torneio que está rolando. Eles vêm com apresentação bem forte pra Principal.

A ESPM também. São sempre muito acirradas as coisas na principal, porque as baterias, além de serem baterias, fazem meio que um “mini show”, um espetáculo dentro da apresentação.

O movimento de BUs tem crescido muito, existem muitas BUs boas que só tem mais relevância dentro desse universo, fora dela as pessoas nem sabem que elas são assim tão boas ritmicamente. O movimento está crescendo bastante e ganhando espaço na vida universitária, muito mais do que antes.

Leia também: 6 coisas que você não sabia sobre baterias universitárias!