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Conheça um pouco da história do atleta Israel Stroh e de sua trajetória nas Paralimpíadas e no esporte universitário

Uma prata nos Jogos Paralímpicos do Rio de 2016 e ouros nos Jogos Universitários de Comunicação e Arte (JUCA). Amante e praticante de esportes desde a infância, Israel Stroh tem contato com dois mundos: o do esporte profissional e o do esporte universitário.

Multiatleta, ele já passou pelo futsal, tênis, basquete, e pelo badminton, esporte semelhante ao tênis, em que no lugar da bolinha amarela, o objeto a ser rebatido é uma peteca.

Quando adolescente, aos 14 anos, Israel iniciou a prática do tênis de mesa no colégio. Com treinos diários, a rotina persistiu até o início de sua graduação, na Universidade Metodista. Ali, decidiu focar nos estudos e deixar o esporte em segundo plano, passando a jogar apenas por hobby.

Jornalista por formação, Stroh trabalhou dois anos em sua área e, durante um processo seletivo, aos 23 anos, descobriu que possuía uma doença física que o tornaria apto a jogar os Jogos Paralímpicos. A exigência para competir é possuir uma disfunção que coloque o atleta em desvantagem relevante quando comparado aos atletas convencionais.

A deficiência

O diagnóstico de sua deficiência, dado por um ortopedista, foi tardio, embora ele a tenha desde o nascimento. Isso porque a sua paralisia cerebral é leve e tem como consequência uma dificuldade que o leva a dobrar apenas parcialmente sua perna esquerda.

“Quando eu descobri essa deficiência física e a minha elegibilidade para os Jogos Paralímpicos, a minha vida mudou demais”, diz ele. Com treinos intensos e muita dedicação, Israel participou de campeonatos em mais de 20 países e conquistou medalha de prata nas Paralimpíadas de 2016.

Israel se tornou, assim, o primeiro brasileiro do tênis de mesa a subir ao pódio em Jogos Olímpicos e Paralímpicos — um feito histórico e inédito.

Dificuldade e dedicação aos campeonatos

Em 2015, ano anterior das Olimpíadas e Paralimpíadas no Brasil, Israel teve uma lesão na lombar que o fez ficar três meses impossibilitado de treinar. Sua recuperação foi lenta e só se completou três semanas antes dos Jogos Pan-Americanos de 2015, em Toronto, no Canadá.

A competição continental era o caminho mais rápido para a classificação de um atleta às Paralimpíadas, mas Israel não conseguiu alcançar o ouro e a tão sonhada vaga por esse meio.

Ainda havia outro modo de conquistar um lugar para os Jogos Paralímpicos do Rio, porém: ele teria que subir de posição no ranking mundial do tênis de mesa. E foi o que aconteceu.

Em dezembro, no último torneio classificatório, Stroth se tornou 12° do mundo, conseguindo seu lugar alcançar uma medalha nos Jogos de 2016.

Daqui há um ano, em agosto de 2020, acontecerão novamente os Jogos Paralímpicos, em Tóquio, e a posição que Israel ocupa no momento o garante a sua participação nos Jogos.

Entretanto, a preparação para o torneio ainda exige muita dedicação. São treinos diários, dieta regrada, horas de sono “obrigatórias” — fugir da rotina como dormir muito tarde aos finais de semana está fora de cogitação. Tudo isso para que a conquista da tão sonhada medalha de ouro se torne realidade.

A cultura do esporte no Brasil

Para Israel, que convive frequentemente com disputas esportivas, as competições medem muito a cultura de um país. Ele comenta o exemplo norteamericano, que possui o esporte incluso nas grades escolares e é valorizado por universidades e empresas.

Isso, segundo ele, torna a atividade interessante para a população que, por isso, prestigia seus atletas com alta frequência se comparada a de outros países.

Já no Brasil, ele afirma que o esporte tem pouco incentivo e não desperta interesse. “Eles colocam finais importantes em cidades de difícil acesso, não fazem um bom processo de divulgação e nem um bom evento, e isso desencadeia essa diferença toda em relação aos Estados Unidos”, comenta Israel. E é por isso que ele possui uma grande admiração pelos Jogos Universitários de Comunicação e Artes.

Israel no JUCA

Para ele, o grande diferencial do JUCA é fato de ser um evento para todos os públicos – tanto para quem gosta e aprecia o esporte, quanto para quem quer curtir, conhecer gente, torcer pelos amigos.

Israel Stroh no JUCA 2019, representando a Universidade Metodista

É um campeonato bem democrático e que tem conquistado cada vez um maior público e reconhecimento. “Tirando as Paralimpíadas, foi o que eu mais me realizei como atleta. Me senti querido, respeitado e cercado de gente legal por fazer o que mais amo”, comenta.

Um evento amador, com pouquíssimos atletas profissionais e com baixo nível técnico, mas que é interessante e bem organizado. As atléticas movem centenas de pessoas, promovem eventos, levam artistas conhecidos para shows tornando o campeonato grande e divertido ao público.

“Se todos os eventos profissionais tivessem 20% do apelo emocional que tem o Juca, o esporte do Brasil iria voar. Eu vejo o JUCA como uma ponta de esperança no esporte brasileiro”

O que o JUCA e os Jogos Paralímpicos têm em comum?

Quando questionado sobre as semelhanças entre os Jogos Paralímpicos e o JUCA, Israel afirma que o apelo emocional é uma característica em comum.

No JUCA, há o apelo afetivo de estar representando a sua faculdade, estar jogando ou torcendo por seus amigos. Nas Paralimpíadas, você está carregando um sonho e colocando em prática todo o trabalho de 4 anos de esforços.

Atualmente, ele divide sua rotina entre os constantes treinos para os jogos do Japão, com o seu segundo curso de graduação na Metodista – Publicidade e Propaganda.

A escolha do curso também teve ligação com os esportes, já que, além de andar junto com a sua primeira formação, o jornalismo, ajuda na prospecção de patrocínios e a conhecer técnicas e profissionais da área.

“Um atleta precisa saber se promover para conseguir patrocínios e investir em redes sociais”, explica.

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