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Entra ano, sai ano, a CAO BIFE (Comissão Anti-Opressão) se mantém em busca da conscientização e da representatividade entre as atléticas.

Um único inter, dez atléticas, 3 a 4 dias de jogos e mais de 2.500 pessoas: esse é o BIFE. O intercursos, fundado em 1999, ocorre geralmente no segundo semestre e agremia dez atléticas da USP da capital. São elas: ICBIÓ, IME, FAU, ECA, AAAGW, FFLCH, GEO, Pedago, Química e VET.

Nesse emaranhado de atividades e pessoas, existe a Comissão Anti-Opressão (CAO) – a mais recente área da Comissão Organizadora do BIFE. A CAO BIFE se oficializou no ano passado e é a organização dedicada apenas ao combate à opressão dentro do inter e fora dele.

Como a CAO BIFE começou?

Em seus primeiros movimentos em 2015, a CAO era composta por membros da Comissão Organizadora. Entretanto, esses deviam se conciliar entre diferentes atividades, desde organização esportiva até as ações antiopressão.

Ao longo dos anos, a importância e relevância das atividades da CAO se tornaram crescentes perante o público do BIFE. Dado isso, a partir deste ano, a CAO tem novos desafios e ideias para manter a comunidade atleticana conscientizada e mais segura contra atos opressores provocados dentro e fora do inter.

Os principais desafios encontrados

Como dizem os diretores responsáveis pela comissão, Aurea Hariki e Luis Tenorio, “a CAO deve estar presente em todo momento do público que atendemos, não é apenas um pessoal uniformizado dentro de um jogo ou uma festa, existem casos que envolvem nosso público e são externos aos nossos eventos, porém o risco de reincidência dentro deles aumenta”.

Isso se traduz de maneira significante nas reuniões em busca de parcerias com outras faculdades, na ideia de criar uma rede de contatos capaz de manter informações sigilosas a salvo entre as Comissões Anti-Opressão de outros inters e entidades, por exemplo.

“Tivemos muito trabalho em conseguir que cada faculdade nomeasse uma pessoa no mínimo para ter uma função exclusiva dentro da CAO. Antigamente, muitas pessoas não percebiam o quão importante era nossa presença, mas conseguiram perceber devido ao aumento do número assédios em nossos eventos – o que infelizmente mexe muito com nossa organização”, diz Aurea.

Como melhorar as ações e tornar a CAO cada vez mais acessível?

A Comissão Anti-Opressão do BIFE tornou-se pioneira no recebimento de denúncias. Ela estabeleceu uma plataforma online conectada ao WhatsApp, pela qual as pessoas que sofreram algum tipo de opressão possam enviar seus relatos – via número, QR Code ou link direto.

Segundo Luis Tenorio, essa plataforma garantiu mais segurança e rapidez no processo, comparado ao anterior: preenchimento de formulários pós eventos.

“Foi um trabalho essencial para que a CAO tivesse um espaço especial no coração do BIFE. Dessa forma, as pessoas podem contar conosco não só para o combate à opressão, mas também para o acolhimento, dúvidas e encaminhamentos gerais”, explica Luis.

O diretor completa que, apesar de muita gente achar que a CAO existe apenas para julgar, ela também serve para criar um background de apoio muito extenso.

As atividades vão desde o acolhimento da denúncia, a análise dos Estatutos e Regimentos Internos das atléticas até chegar em uma advertência, suspensão e/ou ambos para se tratar com uma pessoa que comete um ato opressor.

A CAO passou por um processo de reestruturação especial, tornando-se conhecida não só pela uniformização nos eventos ou em avisos sonoros durante estes, mas com uma postura mais aberta ao acolhimento, tentando atender as necessidades em casos de machismo, racismo, LGBTfobia, violência física, atitudes antidesportivas e entre outras, classificando a importância do que será revisado pelos diretores.

Torcidas e redução de danos: os outros lados da CAO

As torcidas também foram foco da CAO, tendo inclusive workshops abordando temáticas de respeito à equipe adversária e à arbitragem. Isso se faz necessário no ambiente esportivo, sobretudo em jogos em que as atléticas são rivais históricas, como em todo inter tradicional.

Outro processo que a CAO busca instituir é uma parceria com um coletivo que ajude na redução de danos. Isso porque a Comissão é sempre acionada em caso de vulnerabilidade ou mal estar dos participantes do evento, o que torna um desafio ainda maior.

“Muita gente acha que a CAO é um posto de redução de danos, mas infelizmente não temos força o suficiente para manter isso junto ao combate à opressão. Entretanto estamos buscando um melhor contato com grupos que trabalham com foco nessa área, como fizemos junto do Acalma Redução de Danos, da USP Ribeirão Preto, no BIFE 2018”, conta Luis.

Objetivos para 2019

Neste ano, a CAO segue o seu trabalho e estará atenta a todo momento a casos de opressão. Afinal, “Não é não, silêncio não é sim e, se a vítima diz que é assédio, é assédio.”

Se você for vítima de algum ato opressor ou gostaria de buscar apoio para umx amigx, sinta-se à vontade para acionar a Comissão Anti Opressão do BIFE.

A CAO do BIFE está disponível inclusive para dúvidas por meio de sua página no Facebook. Fique ligado!

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