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Muita raça, esforço e determinação. Esse é um ótimo lema para definir a vida das atletas do futebol feminino universitário.

Um dos esportes mais famosos do mundo, o futebol, assim como outras modalidades, sempre foi mais valorizado quando representado por times masculinos.

Com salários menores, menos estrutura nas equipes de base e desinteresse de marcas e do público, o caminho trilhado pelas mulheres da modalidade possui vários obstáculos.

Porém, o cenário da modalidade sofreu mudanças nos últimos anos e, cada vez mais, as mulheres podem ocupar e fazer parte do futebol. Seja na prática do esporte ou na torcida, nota-se o aumento considerável da participação feminina nos campos.

Uma conquista palpável, por exemplo, está prestes a acontecer: a primeira transmissão em TV Aberta dos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo feminina de 2019. Trata-se de um ótimo exemplo dessa inclusão, que, mesmo devagar, tem sido conquistada.

E o futebol feminino universitário?

Mas, e nos jogos universitários? A integração das mulheres nesse esporte também tem sido significativa ou o ambiente ainda carece de opções?

Passando por inúmeras dificuldades e com perseverança de sobra, as mulheres do futebol universitário nos trazem exemplos do que é “fazer acontecer”.

Apesar do futsal feminino já ser uma modalidade tradicional no cenário universitário, o caso do Futebol é um pouco diferente: há pouquíssimos campeonatos da modalidade.

De acordo com levantamento pela equipe da Revista BEAT, ocorrem em torno de 40 jogos universitários no estado de São Paulo ao longo do ano. Dos inters pesquisados, tomamos conhecimento de apenas três que contam com a modalidade futebol feminino – sendo eles, o BIFE, JUCA e INTERFAU.

Mas, como treinar?

Faltam campeonatos, mas também são poucos os times e espaços de treinamento. A questão financeira é uma das principais barreiras.

Isso porque poucas universidades contam com campos de futebol em suas instalações. Ou seja, para que os times possam treinar, é preciso alugar o próprio campo – o que é inviável para muitas atléticas e equipes menores (como costumam ser os times de futebol feminino).

e mulheres no comando dessas equipes. A desmotivação técnica conta como um aspecto para justificar essa diferença avaliada em números.

Como conta Roberta Vacari, treinadora de futebol de campo da FFLCH, a busca por treinadoras mulheres é muito menor do que a busca por personalidades masculinas – “O mercado tem mulheres qualificadas, mas a procura é menor do que a procura por homens”, “Para ter mais mulheres, nós temos que procurar mais mulheres, o que é muito difícil”, comenta.

Equipe de Futebol Feminino da FFLCH USP.

Luta por mudanças

Nos dias atuais, é notável o avanço de pautas de inclusão e diversidade trazido pelas novas gerações. Neste cenário, presenciamos uma efervescente luta por igualdade de gêneros. Esta busca por igualdade é importante em diferentes campos sociais e, entre eles, no esporte.

Isso porque o esporte ainda é um ambiente machista e que mulheres encontram dificuldades de participar e se sentirem, de fato, incluídas. Entretanto, cada vez mais, essa luta apoia atletas e a participação feminina na esfera esportiva como um todo.

“A própria mulher vai entendendo que ela pode, pode treinar num domingo enquanto os pais acham que jogar futebol é balela e que ela pode ir pro JUCA, jogar e ser campeã”, diz Marília Leoncio, formada em Publicidade e Propaganda e atleta de futsal da Metodista.

Crédito: Acervo Metodista

A implementação do futebol feminino nos campeonatos universitários também é um ótimo caminho de apoiar a luta das atletas. A obrigatoriedade incentiva as atléticas a criarem times e a apoiá-los. Afinal, todo mundo quer ser campeão.

A casperiana Isabela Galeani afirma que, mesmo a ideia de montar um time de futebol com mulheres ter vindo antes da modalidade ser incluída no JUCA, o fato de ter uma competição para mostrar o trabalho feito as incentivou muito. “A gente teve um gás a mais, um empenho a mais”, diz.

Equipe de futebol feminino da Cásper no primeiro JUCA que contou com a modalidade (2018). Crédito: Acervo JUCA / Macaco Filmes

Portanto, a valorização do esporte feminino é extremamente necessária para incentivar cada vez mais as atletas a crescerem e a ganharem mais visibilidade.

Esse apoio não deve se restringir apenas aos esportes profissionais, devem abranger também as escolas, universidades e o lazer. Deste modo, haverá representatividade e liberadade. E, assim, as mulheres estarão, de fato, ocupando os papéis que querem ocupar.

Crédito Foto de Capa: Acervo JUCA / Macaco Filmes

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