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Memórias da Cásper no JUCA: o primeiro título geral da AAA Jesse Owens

Por Emanoel ‘Denzel’ Araujo

Para a Cásper a data foi dia 26 de junho de 2011, em Caçapava. O JUCA começou em 1993 e a Associação Atlética Acadêmica Jesse Owens participou de todas edições sem gritar “é campeão”.

Passamos pelo vice em 2006, nos considerávamos a melhor – e uma das maiores – torcidas. No entanto, esse prêmio moral de consolação (melhor torcida) começa a incomodar.

Uma geração inteira de atletas e atleticanos chegaram a Caçapava. Mas antes, eles passaram pelo caos de dividir um alojamento entre duas faculdades (ECA e Cásper) no frio, chuva e caos que foi Santa Rita do Sapucaí.

Essa mesma turma passou por um aprendizado em Araraquara, quando viu a ECA conquistar seu segundo título e provar que nada é impossível. Em 2010, aos poucos, começamos a entender do que éramos capazes.

E com essa ideia de conquistar tudo o queria, a Cásper conseguiu a prioridade na escolha do alojamento. Com público estimado em 1500 pessoas, nos instalaríamos no único colégio estadual da cidade.

Perrengues no meio do caminho

Tudo muito bem até a Secretaria da Educação vetar o empréstimo. A menos de uma semana do JUCA, descobrimos que não havia espaço para atletas, equipe, bateria e casperianos em geral. Não dava pra lamentar, pois tínhamos três dias úteis para conseguir um novo espaço – para um milhar de pessoas.

O primeiro contato com o alojamento foi em um sábado, pulando a grade de uma campi de faculdade desativada. A portaria ficava por conta de uma vaca no curral e o vizinho mais próximo estava a 5 km de distância.

Para se ter uma ideia da distância, foi necessário o aluguel de um skylight (canhão de luz) para apontar em direção da Via Dutra e indicar que o alojamento era fora da cidade.

A faculdade abandonada que seria o alojamento da Cásper na edição do JUCA 2011

Chegar e receber todo mundo pode ser bom, mas também pode ser um grande problema. Mudar de endereço a dois dias dos Jogos nos fez receber mil pessoas de uma vez só. As barracas tomaram conta de salas, encostas e até fizeram vizinhança à vaca. Até organizar tudo deu trabalho pra mais de um dia.

Em busca do melhor JUCA

Por sorte, destino ou aquilo que quiser acreditar, recebi ajuda de antigos atleticanos. Eles vieram aos montes e com esse reforço conseguimos ser muito mais do que uma Atlética.

Com uma equipe de fisioterapia, inovamos e ajudamos os atletas. Com suporte nas quadras, pudemos acompanhar e auxiliar os técnicos. Somada essas forças, conseguimos fechar o primeiro dia de JUCA apenas com vitórias.

Cheguei na reunião da LAACA (a liga do JUCA) sendo cumprimentado como virtual campeão. Por sorte, fui sozinho e não espalhei o clima de oba-oba.

O esporte é como a vida e oscila entre dias bons e ruins. Ainda bem que não dei ouvidos a quem nos colocava como favorito. Uma das mais duras derrotas do segundo dia foi do Rugby Cásper, a quem tinha/tenho maior orgulho. Uma equipe independente e que já forneceu (e usou) jogadores da seleção não poderia perder daquela forma.

Atleticanos e ex-atleticanos da AAA Jesse Owens no JUCA 2011

A balada do Alojas: nostalgia dos anos 2000

Mas não dava pra fechar o dia de forma triste. A “balada do Alojas” foi o que me fez acreditar de que o JUCA era um universo a parte. Repetir o Molejo não era uma opção, mas pesquisamos os sucessos dos adolescentes dos anos 2000. Ele eram os casperianos de 2011.

Negociamos com vários e chegamos ao nome de Felipe Dylon. Apesar de não gostar da minha própria escolha , acreditei no efeito nostálgico que ele traria. E deu certo. 

As medalhas e garra dos atletas

Se a sexta de Corpus Christi termina com festa, ela acorda com medalha. A viagem até São José dos Campos trouxe de volta a Caçapava tantas medalhas da natação quanto você pode imaginar. Ouro no masculino, Prata no feminino e vários pódios em todas as modalidades.

Equipe campeã de Natação da AAA Jesse Owens no JUCA 2011

Voltamos para comemorar mais algumas vitórias, mas também algumas derrotas. No final do dia, liderávamos a competição e essa era uma questão fundamental para vencer o dia seguinte. E, enfim, voltar pra casa com o sentimento de dever cumprido.

O Handebol masculino abriu o dia de competição com um clássico diante do Mackenzie e uma geração com três profissionais. Sobrou coração e faltou um gol no tiro de sete metros para o título de um time brilhante, com um técnico incrível.

Nada que o Handebol feminino não poderia fazer. E contra a Metodista elas foram perfeitas. Aqui, gostaria de falar mais sobre o que aconteceu no apito final. No entanto, tudo o que fiz foi me encostar na parede, chorar e relembrar essa história que contei até aqui.

É campeão?

Daí em diante foi só festa, saindo do ginásio do Handebol e indo ao Vôlei. Era 2011, poucos andavam com celular antes dos jogos. Ao entrar na quadra, os atletas não sabiam que já éramos campeões do JUCA. Melhor assim.

A arquibancada batucava e gritava “é campeão”; a torcida empurrava um time que, de tão bom, não precisava do embalo. Dois sets a zero e invasão de quadra.

O que fica do esporte universitário?

Acha que a história acabou aqui? Pois tenho um aviso: ela nunca acaba. Ela se perpetua através das amizades, o maior título que levei da Cásper. E, pra quem acha que é só uma coisa de amigos, a perpetuação desse momento atende nomes como Martim, filho de dois Diretores de Esportes do JUCA 2011.

Há muito mais para acontecer na Cásper e na vida. O mais importante dessa história toda é perceber que o poder de união dessa galera já fez de tudo. Até uma música juntos, os atletas dos mais variados esportes fizeram.

Dias antes dos Jogos, cheguei desanimado de Caçapava e a sala da Atlética estava cheia de atletas-compositores que fizeram essa música. Ela mostra o poder do que podemos fazer junto e como essas coisas influenciam na nossa vida. Portanto, seja qual título vocês busquem, encontrem isso juntos.

Então, qual foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez na vida?

Com carinho,
Emanoel ‘Denzel’ Araujo, presidente da AAA Jesse Owens em 2011.

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