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Agora, a Partyou e a Revista BEAT são parceiras! Todo mês a startup fará um texto sobre mercado de trabalho universitário por aqui. Para começar, a fintech trouxe algumas dicas para empreender! Confira.

Tem gente que desde adolescente já sonha em ter o seu próprio negócio. Outros, se deparam com essa possibilidade ao longo da vida e resolvem arriscar. Mas é inegável que, nos últimos anos, cada vez mais jovens têm assumido esse risco e começado a sua empresa.  

De acordo com a pesquisa GEM 2018, realizada pelo Sebrae, os empreendedores de 18 a 24 correspondem a 22,2% do total de empreendedores no Brasil — um aumento considerável em relação a 2013, quando representavam 17,1%.

O avanço das tecnologias tem papel fundamental nesse processo, mas a mudanças de mindset também. A mesma pesquisa revela que 33% dos brasileiros têm o sonho de ter o seu próprio negócio, superando os 19% que querem fazer carreira em uma empresa.

Além disso, comprar uma casa e viajar pelo Brasil são sonhos que estão à frente de casar/formar uma família e ter um diploma de ensino superior.

Empreendedorismo jovem

Essa vontade e coragem de empreender enquanto ainda se é jovem foi tema de um bate-papo realizado na FEA/USP no dia 21 de maio. A conversa foi parte da programação da 18ª edição da Feira de Recrutamento e Carreira — também conhecida como Space Career — organizada pela FEA Júnior.

O bate-papo “Empreendedorismo jovem” trouxe quatro jovens empreendedores, que contaram sobre sua experiência e deram dicas para aqueles que querem empreender. Foram eles:

  • Otávio Dutra, cofundador da startup Partyou, uma fintech de pagamentos digitais e controle financeiro voltada para o público universitário. Ex-feano, ele aproveitou sua rede de contatos e sua expertise dentro da atlética para auxiliar entidades estudantis e alunos a se organizarem financeiramente.
  • Pedro Dias, fundador da Nexodata, uma plataforma tecnológica que conecta médicos, pacientes e farmácias. Este é o seu segundo empreendimento — o primeiro foi a Vitta. Foi lá que ele ganhou a experiência necessária para montar o seu negócio dois anos depois. Teve que abandonar sua graduação no Insper para se dedicar à sua empresa e não se arrepende.
  • Joaquim Barros e Felipe Bacellar, fundadores da marca de roupa sustentável Austral Culture. Ambos decidiram vender camisetas em seu primeiro ano de faculdade e deu certo! Hoje, eles alinham os estudos e o trabalho, com seriedade e sem pressa. Afinal, nas palavras de Felipe, “leva um tempo para uma marca se consolidar”.
Da esquerda pra direita, Joaquim Barros e Felipe Bacellar (Austral Culture), Pedro Dias (Nexodata) e Otávio Dutra (Partyou), na Space Career.

Dicas para empreender

Com base no bate-papo, nós compilamos 7 dicas desses jovens empreendedores para você que está pensando em abrir o seu negócio. Confere aí embaixo.

1Não tem uma hora certa pra começar

Você não precisar terminar a faculdade pra começar. Como disse o Otávio Dutra, “você não vira gênio só depois de pegar o canudo”. Aliás, este foi o caso de Pedro Dias, Joaquim Barros e Felipe Bacellar, que começaram os seus negócios logo no começo da faculdade.

Então, se você tem uma ideia, coragem e resiliência, não tenha medo de se arriscar. Mas mantenha em mente que um negócio não se sustenta apenas por uma motivação pessoal.  Você precisará identificar um problema, validar sua hipótese, encontrar um bom tamanho de mercado. E…

2Você vai errar

E já vai começar errando na sua hipótese, porque é o que acontece com quase todo(a) empreendedor(a). E vai errar porque ainda não tem experiência no mercado (principalmente se este for o seu primeiro negócio). E porque não tem muito dinheiro.

O importante é você saber que isso faz parte do processo. “Você começa achando uma coisa e aí vai pro mercado. Ninguém te conhece, você não tem uma marca e como você é jovem parece que tem menos credibilidade, principalmente em setores mais conservadores”. E disso o Pedro entende bem, afinal o setor de saúde é um dos mais conservadores. Mas ele complementa: “o grande exercício é fazer [o negócio] sobreviver”.

O erro vai ajudá-lo(a) a enxergar outros vieses e dar a oportunidade para que você ajuste sua hipótese com o tempo. Como disse Otávio, “só tem um jeito de ganhar experiência”. Imagino que você saiba qual é.

3Todo dia é dia zero

“E como lidar com aquela ansiedade de começar um negócio?”, perguntou um aluno que assistia à palestra. A resposta foi unânime: ela nunca passa.

Por mais que os primeiros anos sejam mais aflitivos, a dinâmica de ajustar o seu negócio às realidades que se apresentam é um exercício diário.

Não acaba nunca o medo de não dar certo. Tem empresas enormes que querem melhorar a cada dia e têm essa mentalidade. Faz parte da realidade do empreendedor”, ressalta Joaquim Barros, da Austral Culture.

Você vai trabalhar duro e perder muitos fins de semana. Mas se você tem um olhar voltado pro futuro e é resiliente, vale a pena.

Para o Felipe Bacellar, da Austral Culture, essa ansiedade inclusive é o que te puxa todo o dia, “te faz questionar o modelo de negócio, a sua marca e é assim que você vai construindo sua empresa”.

4Ganhe tração

Se você quer abrir uma startup, como foi o caso do Otávio e do Pedro, já saiba: primeiro você vai identificar um problema e validá-lo. Pra isso, você vai gastar dinheiro e ainda não vai ter um produto pronto.

Mas com a hipótese validada, você passa a pensar em como inverter esse fluxo e torná-lo positivo financeiramente. De acordo com o Pedro, o maior desafio é conseguir tração no mercado. “Só que se você for bem sucedido, a empresa consegue ir pra frente”.

Otávio Dutra completou lembrando da importância de se pesquisar e escolher bem o  tamanho de seu mercado. “Uma porcentagem pequena de um mercado grande é muita coisa. Uma porcentagem grande de um mercado pequeno, não”, explicou.

E aqui ainda vai um conselho do Pedro pra quem vai embarcar nessa: “mantenha-se fiel ao seu propósito e execute bem!”. Ele deu o exemplo de sua primeira empresa Vitta, que se tornou líder em três anos, em um mercado que não tinha espaço pra muita gente.

“Nós servimos bem o nosso cliente, compramos nosso concorrente e conseguimos captar dinheiro rápido.” Isso, pra ele, é ter uma boa capacidade de execução.

5Aprenda a gastar o (pouco) dinheiro que você tem

Você pode vender o carro, pegar dinheiro emprestado com familiares ou começar com nada e conseguir ser convincente o suficiente para vender seu serviço mesmo sem ter o produto ainda.

Este último caso foi o de Pedro Dias quando estava na Vitta. O escritório era a sala do Diretório Acadêmico do Insper, o email era @gmail e só contratou as pessoas e começou a desenvolver a solução depois de ter conseguido vender a ideia para um grupo de médicos.

Você pode também captar dinheiro com investidores ou aplicar para algum edital público que irá te fornecer empréstimo com juros muito baixos. A Partyou começou formando um pequeno conselho de investidores e, depois, conseguiu financiamento pelo Desenvolve SP.  Eles sabiam que, devido ao seu modelo de precificação, seria necessário captar dinheiro já desde o começo.

Já os meninos da Austral Culture conseguiram firmar uma parceria com uma loja de confecção de roupas que fazia corte e costura e que topou financiar as operações de estampa e passaderia.

Eles teriam, então, 90 dias para vender as primeiras camisetas. E assim o fizeram. De coleção em coleção, eles conseguiram, aos poucos, ter capital de giro próprio. Não estão atrás de investimento, porque querem entender melhor a marca e saber o que fazer com o dinheiro.

“Enquanto a gente não souber, a gente não quer captar. Queremos saber gastar da melhor forma. Não temos pressa”, contaram.

Independentemente de como você vai financiar o seu negócio, isso é algo que sempre tem que estar em mente: aprenda a gastar bem o dinheiro que você tem.

E lembre-se de que quanto mais você captar de investidores, mais diluída vai ficar sua participação — e este, segundo o Pedro, é o seu bem mais valioso.  Então, pense em captar dinheiro no momento certo e saiba que não existe nada melhor do que criar tração e ter capital próprio.

6Sociedade é um casamento

Muita gente se preocupa em achar um(a) cofounder a qualquer custo. Mas a sociedade é como um casamento. Você não sai dizendo pra alguém que essa pessoa vai ser sua cofounder. Há um “namoro” antes, quando vocês irão entender se pensam parecido e se tem objetivos alinhados a longo prazo.

A dica do Otávio é bem simples: propósito iguais e qualidades complementares. No seu caso pessoal, ele diz ter tido também um pouco de sorte, já que um dos founders foi indicado por um amigo que jogava futebol com ele há anos e que, por sinal, era head hunter.

Mas como diz Pedro Dias, “a sorte se constrói, só pega onda quem tá no mar”. Sua partnership teve 13 pessoas, que tinham o mesmo comprometimento com a empresa.  

Ser amigo é um outro critério que leva muitos jovens a se associarem, como Joaquim e Felipe da Austral. Juntos com terceiro amigo, eles começaram o negócio, sem nunca ninguém ter trabalhado anteriormente.

“Hoje a gente vê que a amizade e trabalho são coisas bem diferentes”. Não é porque vocês são amigos que necessariamente vão trabalhar bem juntos. “Isso é algo que se constrói com o tempo”, complementa Felipe.

7Forme redes

É necessário conhecer as pessoas. Vá a eventos de ecossistema, procure por ligas de empreendedores, incubadoras e programas de aceleração — estes, além de formar rede, podem fornecer chancela principalmente para quem está começando.

Não tenha medo de mandar um e-mail pra pessoas que são referências no mercado. Diga que você quer conversar e contar um pouco da sua ideia. Aproveite o fato de que você é jovem e, por isso, muita gente se coloca à disposição para ajudar.

Se você executar bem, esse(a) mentor(a) poderá integrar o seu quadro de investidores no futuro. Isso é importante principalmente para quem está empreendendo no ramo B2B e oferece serviços para empresas maiores.

Mas também não se iluda acreditando que somente os grandes nomes poderão te ajudar. Eles podem te oferecer uma visão boa do mercado e te conectar a outras redes, mas para as dificuldades do dia a dia, outros empreendedores mais próximos à sua realidade podem ajudar de uma forma mais efetiva, como indicando pessoas para a formação do seu time.

Felipe e Joaquim dizem que os melhores insights que conseguiram para os seus produtos foram conversando com os funcionários da confecção e com os próprios clientes. Então, ouça todo mundo. E saiba: não existe receita de bolo. Você irá ouvir muitas opiniões diferentes — esta é justamente a parte boa. No fim das contas, você vai encontrar o jeito certo de lidar com o seu negócio.

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