article inline adarticle inline ad

Em cerca de uma década, prática do cheerleading no Brasil dispara, com surgimento de equipes em várias universidades e disputa de campeonatos

O cheerleading vai muito além do que vemos em filmes de colegial americano, nos quais aparece com a função única de animar a torcida em jogos escolares.

Na realidade, ele acontece por si próprio enquanto modalidade esportiva. Há formação de equipes, treinamentos regulares e disputa de campeonatos.

Outra diferença para a ficção é que, em sua maioria, as equipes são mistas, ou seja, também possuem meninos em sua formação.

Cheerleading: crescimento no Brasil

Atualmente, constam 23 equipes de cheerleading credenciadas junto à UBC – União Brasileira de Cheerleaders. Mas com certeza o número de equipes existente no Brasil é bem maior.

A UBC, que é afiliada à ICU – International Cheer Union, iniciou suas atividades em 2009. Até então, o número de praticantes do cheerleading no país era bem pequeno, pouco mais de cem pessoas.

No mesmo ano, a UBC passou a organizar o Campeonato Nacional Cheer & Dance que, desde 2015, tem como parâmetro de avaliação as normas estipuladas pela ICU. Durante uma apresentação são julgados elementos como coreografia, formação de pirâmides, animação, sincronia e execução dos saltos.

Nos primeiros anos o número de participantes do campeonato girava em torno de 150 atletas. Atualmente já são mais de quinhentos atletas representando suas equipes no âmbito nacional.

Além disso, desde 2015 a UBC oferece o Curso de Formação para Coaches em Cheerleading, para aqueles que desejam se especializar no treinamento de equipes.

Maior campeão nacional

O Cheerleading UFSCar foi o primeiro time universitário do Brasil, criado em 2009, com o objetivo inicial de incentivar os times que competiam pela Universidade Federal de São Carlos. Mas, logo, seu fundador Marcelo Cardoso descobriu o esporte existente além das “líderes de torcida”.

Hoje a equipe é uma das mais difusoras do esporte no país, inclusive auxiliando a criação e treinamento de equipes em outras universidades.

Quatro vezes campeões nacionais, as 23 mulheres e os 7 homens da equipe treinam quase que diariamente (5 a 6 vezes na semana) e alguns já foram convocados pela Seleção Brasileira de Cheerleaders. São estudantes de diversos cursos da faculdade, entre eles engenharia, ciências sociais e enfermagem.

Buscando o pentacampeonato brasileiro, esse ano houve uma seleção mais rígida para admissão na equipe. Foram utilizados como critérios habilidades físicas, experiência em grupo e prática em esportes relacionados, como a ginástica olímpica.

Crédito: Qual Balada – Stories 

Primeira equipe da UFMG

A Engenharia UFMG Cheer existe há 5 anos e é a mais antiga da Universidade Federal de Minas Gerais. O elenco da equipe é rotativo: a cada semestre quem se forma no curso sai do time e novos estudantes que se interessam pela modalidade ingressam na equipe.

Atualmente contam com 24 integrantes, sendo 10 meninos e 14 meninas. Segundo Helena Moreira, atleta e diretora de marketing da equipe, não há pré-requisitos para entrar. “Nós não temos uma seleção, qualquer um pode participar! Abrimos para novos atletas sempre no início de cada semestre”.

É necessário, no entanto, disponibilidade para os treinamentos, que ocorrem duas vezes na semana, e para a disputa dos campeonatos. A Engenharia UFMG Cheer participa dos campeonatos mineiro e nacional todos os anos, assim como alguns torneios universitários, como o Engenharíadas Mineiro.

Crédito: BS Fotografias

Falta de verba

Como acontece com diversos outros esportes no Brasil, a prática do cheerleading não possui incentivo de empresas ou investimento do poder público, o que faz com que seus atletas precisem arcar com todas as despesas do próprio bolso.

Para pagar passagem e hospedagem nos locais de competição, por exemplo, muitas equipes pedem doações online, vendem rifas ou mesmo fazem apresentações nas ruas para conseguirem a arrecadação necessária.

Motivação

Mesmo com as dificuldades, o número de praticantes do cheerleading segue crescendo. Moreira acredita que o interesse se dá por se tratar de um esporte diferente e que todos podem praticar. “Além disso, é muito desafiador e você aprende coisa nova todo dia” diz ela.

Para Luana Guedes, atleta e tesoureira do Cheerleading UfSCar, “a maioria quer conhecer por que acha que é parecido com dança ou ginástica e acaba se surpreendendo ao ver que o cheer é um esporte que envolve muitas habilidades diferentes”.

Muitos atletas também contam que é um esporte muito divertido, os treinamentos são descontraídos e seus praticantes estão sempre sorrindo. Sem dúvida, é um esporte que vale a pena conhecer!