Em toda relação tem-se momentos bons e ruins. E com o atletismo não é diferente: é um intenso caminho de amor e ódio. Dor, muita dor, falhas e frustrações.

Além disso, há a falta de tempo, quebra de ciclo, stress com objetivos, discórdias entre equipe.

Mas só faz sentido continuar em um relacionamento se o saldo for positivo. E depois de um breve reflexão, posso afirmar que, para mim, com certeza foi!

Lições do Atletismo

No meu primeiro ano, o atletismo me proporcionou a integração e inserção no meio universitário que um calouro tanto anseia – mas nem sempre consegue.

E foi a recepção de uma equipe fez com que eu fizesse meus primeiros colegas. Que viraram então amigos e que renderam memórias, histórias e sorrisos.

Assim, também me deu companhia pras primeiras festas e despertou o meu orgulho “patriótico” pela minha faculdade.

Fazer amigos

É fácil fazer amigos no atletismo. Primeiro, os veteranos estão desesperados para fazer a equipe crescer. Então todos serão os mais agradáveis e receptivos possíveis!

Depois, pela obrigação de manter o senso de equipe, eles vão meio que te chamar a vários eventos integrativos por obrigação (viagens, festas, barzinhos). E, se você for cara de pau como eu, vai comparecer a todos!

Além disso, a rotina de treinos também ajuda, uma vez que a convivência, por vezes, resulta em amizade.

Por fim, depois que você viveu sentimentos tão intensos e peculiares, como treinos dolorosos e competições, você passa a ser amigo e sentir-se parte por este próprio sentimento que une à todos.

Assim, por conta do atletismo, eu estabeleci fortes relações que não seriam possíveis de outra forma. Com pessoas de personalidades, interesses, ideologias, cursos e anos tão diversos.

E o impacto destas relações na vida acadêmica e profissional, devo dizer, pode ser extremamente benéfico. Sem contar que aumentam muito sua perspectiva sobre a faculdade. Na linguagem dos negócios: networking!

Virar líder

No meu segundo ano, o atletismo me ensinou a liderar. Fui diretora de modalidade (DM), e minha função principal em tal cargo era justamente motivar a equipe.

Mas como fazer com que as pessoas de fato gostassem de sentir dor? Como organizá-las para um objetivo conjunto?

Conheci muitas pessoas que fizeram parte dessa história em um momento muito anterior a minha entrada.

Por isso, sabia a importância de se liderar por exemplo, e com isso, tive que me disciplinar para atingir os resultados que antes não imaginava serem possíveis.

Assim, aprendi a ouvir, afinal, eu só coordenava, mas as opiniões deveriam ser formadas pela equipe.

Também aprendi a lidar com crises, a fazer planejamentos. A primeiro ser parte para depois ser todo. A ter responsabilidades, e a acreditar.

Construir personalidade

E então, no meu terceiro ano, o atletismo me mostrou o quão importante ele é pra minha vida pessoal.

No início da temporada eu sofri um acidente — que poderia ter revertido em consequências muito piores.

Mas enquanto eu urrava no chão de dor tudo que eu conseguia dizer é “O INTERUSP! Eu não vou conseguir competir!”.

Vi a falta que ele me fazia na rotina, a saudade da liberdade que a corrida me dava. Vi o quanto este esporte já fazia parte de mim, do que hoje me define como pessoa.

E, dessa forma, aprendi a ter muita vontade para aproveitar ao máximo a chance de praticá-lo enquanto posso (acredite, tem vezes que você se questiona rs).

Promover autonhecimento

No meu quarto ano, enfim, aprendi excepcionalmente muito sobre mim mesma via a atividade metafórica do atletismo.

Autocontrole, perseverança, resiliência – pode até parecer meio geral, mas é muito interessante ver essas capacidades aplicadas na prática em algo tão mensurável.

Estabeleci metas. Ultrapassei as metas. Sonhei mais. Busquei meus limites, dei meu máximo, me enchi de orgulho, passei por frustrações.

Aprendi (na verdade, estou aprendendo) a lidar com a ansiedade e o nervosismo, e a controlar a cobrança interna.

Passei a ansiar novos desafios, e a não ter medo de encará-los. Conheci e conversei com muita gente que partilham destes sentimentos, seja qual a etapa do processo, e a troca foi muito positiva.

Compreendi muito mais sobre o esporte em si, estratégias, ritmo, percepção corporal e treinamentos – e vi que a gente sempre pode aprender mais.

Tive que superar a quebra de uma alta expectativa quando a principal competição do ano foi cancelada (#sdds IUSP).

Mas pude aprender a canalizar esta dedicação para uma relação mais sustentável e estável com este esporte, ante a um fim específico.

Ansiosa pelo o que me resguarda no quinto – e último? – ano.

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