Entenda o que é o setembro amarelo e por que ele é tão importante na luta contra o suicídio dentro e fora da universidade

Por Maria Laura Cunha López

Você sabia que a maior parte das pessoas que se suicidam no Brasil têm de 15 a 29 anos? Justamente a idade mais comum de se entrar na faculdade.

São cerca de 32 pessoas que tiram suas próprias vidas por dia. E elas fazem parte das mais de 800 mil pessoas, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2014.

Causas do suicídio

Dentro desse número do primeiro Relatório Global para Prevenção do Suicídio, cerca de 75% desses casos são provenientes de países de baixa e média renda.

Mas não importa o gênero, a classe social ou a idade, o comportamento suicida pode atingir qualquer pessoa.

De acordo com a Dra. Hanah Mustapha Abou Arabi, médica coordenadora de interconsultas psiquiátricas do centro HSANP, muitas podem ser as causas do ato.

Existe uma série de fatores de risco socioculturais, genéticos, filosóficos, existenciais e ambientais que levam o indivíduo a cometer esse ato.

Geralmente, há um transtorno mental presente na maioria dos casos. E os que mais estão associados são:

  • depressão;
  • transtorno afetivo bipolar;
  • abuso;
  • dependência de álcool;
  • ansiedade;
  • drogas psicoativas;
  • esquizofrenia;
  • transtorno de personalidade.

E o risco de suicídio fica ainda maior quando o diagnóstico inclui dois ou mais distúrbios como, por exemplo, bipolaridade e abuso de drogas.

Porém, é preciso ficar atendo a outros fatores que também estão ligados à questão. Como por exemplo:

  • sentimentos de desesperança;
  • busca de sentido existencial;
  • falta de habilidade para resolução de problemas;
  • isolamento social;
  • impulsividade;
  • acesso a meios letais.

Então não é de se estranhar que jovens que entram na faculdade possam passar por esses problemas.

Aquilo que seria a realização de um sonho e um momento de grandes expectativas pode se tornar, no entanto, uma etapa marcada por cobranças, frustrações e solidão.

Sendo esses fatores influenciadores, que podem se agravar para casos mais sérios de ansiedade e depressão.

Mas a maior visibilidade conquistada pelo assunto nos últimos anos fez com que algumas mudanças surgissem.

Origem do Setembro Amarelo

Um dos exemplos é a criação do movimento Setembro Amarelo, em 2015. Uma campanha que tem o intuito de conscientizar as pessoas sobre a prevenção do suicídio.

Por isso, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), promovem ao longo de mês de setembro atividades que reconheçam o problema como sendo de saúde pública.

Além disso, possuem o objetivo de mostrar como o diálogo e os debates sobre o tema contribuem para alertar a população.

Suicídio na universidade

Entretanto, as faculdades e universidades por sua vez, ainda tem muito o que melhorar quando o assunto é prevenção ao suicídio.

Escolas particulares como o Mackenzie e a Cásper Líbero afirmam ter unidades para acompanhamento psicológico dos alunos.

O mesmo se dá para a Universidade Estadual de São Paulo (USP), que criou um escritório de saúde mental. E que, inclusive, publicou tem um mapa com todos os locais de assistência para saúde mental.

No entanto, de acordo com matéria do Jornal do Campus, há um longo e difícil caminho percorrido em busca de atendimento.

Isso porque os locais que deveriam auxiliar os alunos que buscam ajuda psicológica não são bem sinalizados.

Além disso, nem todos possuem os profissionais adequados para lidar com jovens emocionalmente fragilizados. Sem contar a enorme fila de espera que essas pessoas têm que enfrentar.

Por isso, na falta de melhores medidas de prevenção, alguns departamentos dentro da universidade fazem o que podem pelos seus integrantes.

Setembro amarelo nas faculdades

Como é o caso da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O Coletivo Neurodivergente Nise da Silveira, junto com alunos e professores, organizou um evento durante o mês de setembro com palestras e debates sobre o assunto.

O movimento ainda coloca em pauta o sofrimento psíquico de docentes e funcionários devido a sobrecarga de tarefas, ao ambiente competitivo e aos programas de demissão voluntária.

A Escola de Engenharia de Lorena da USP e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná também criaram algumas ações, como frases motivadores, de informação e orientação. Veja:

Créditos: Divulgação
Créditos: Divulgação
Créditos: Divulgação

Assim, as instituições de ensino superior mostram que ainda não estão tão preparadas para lidar com o suicídio e os problemas que o precedem.

E desse modo, é por isso que, cada vez mais, o debate se faz necessário. Não só como forma de prevenção para que as pessoas se sintam acolhidas dentro e fora das universidades. 

Mas também como forma de conscientização de toda a sociedade. De entender que as causas do suicídios são sérias e que ser negligente é também um forma de ser culpado.

 

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