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Por falar em estreias… Apresentamos a nova colunista de atletismo universitário, Flora Finamor. Ela conta um pouco do seu início como atleta na universidade; confira

Fui incubida com a tarefa de falar sobre o atletismo, em especial, sobre o atletismo universitário. E que forma melhor do que começar do que, bem, pelo começo.

Durante meu terceiro colegial, correr na praia (alô galera caiçara) virou meu desafogo de rotina.

Então, em alguns meses, eu já comecei a ser capaz de cruzar minha cidade de ponta a ponta, me acostumando com os 10 kms e buscando melhorar meu tempo.

Ia ouvindo música, vendo o pôr do sol, conversando com a minha amiga – era meu momento de relaxar. Gostoso, né?

Pena que disso aí pro esporte em si, são outros quinhentos. Ou melhor, mil e quinhentos. Essa rotina, contudo, me incentivou a entrar pro atletismo pois, pensa a bixete, o que são 1500m perto de 10km?

Eu iria assim descobrir a GRANDE diferença entre correr, exercício físico, e o atletismo, o esporte, no BICHUSP, torneio entre os calouros da USP.

Virando atleta universitária

Quando passei na FEA, no dia da matrícula, lembro-me dos veteranos explicando pra gente sobre a quantidade de esportes que podíamos participar e da competição que teríamos em breve.

Sempre gostei muito de esportes, mas era (levemente) descoordenada rs. E correr, bem, eu aguentava, não tinha muito segredo. Por isso, resolvi participar. Não tivemos nem uma semana de treinos e já chegou o grande dia.

Eu estava escalada para a prova de fundo, os 1500m. Além disso, o BICHUSP engloba as provas de 100m, 400m, salto em distância, arremesso de peso e revezamento 4x100m.

É um ph bem simples, mas serve ao propósito, já que a maioria nunca teve contato com o esporte.

E o legal é que cada prova requer uma aptidão diferente: explosão, força, impulsão, resistência… muitas vezes, são habilidades opostas.

Ganhar, dessa forma, requer um verdadeiro trabalho em equipe – apesar de ser um esporte individual.

Primeiro campeonato universitário

Você já sentiu o ar se esvair do seu pulmão, suas pernas fraquejarem, sua boca completamente seca, uma sensação de que alguém socou o seu estômago e sua cabeça urrando pra você parar?

Esta é uma perfeita descrição do que foi aquela prova. Mas não se assuste. Se estou aqui, escrevendo pra vocês sobre como eu amo este esporte, é porque a experiência foi boa!

Em primeiro lugar porque, com isso, eu tinha uma equipe inteira (formados, veteranos, bixos) berrando e torcendo por mim, pra eu continuar. 

E além disso, pela primeira vez, me senti parte de um grupo na faculdade – que me renderia tantas boas memórias e amizades para os anos que estariam por vir.

Em segundo lugar, foi somente por conta dessa dificuldade que eu tive a satisfação plena em terminar a prova, com a certeza de que dei o meu máximo no momento.

E, terceiro, porque obtive minha primeira marca. E, assim, um parâmetro como base para melhorar. Então iniciou-se uma relação muito especial de amor e ódio e altos e baixos com ela.

Fiquei em segundo lugar na prova e conquistamos o segundo lugar no geral feminino. Mas sai de lá com gostinho de vitória e satisfação na boca por ter me identificado tanto com algo. Sensação reforçada com o churrasco de integração da equipe logo em seguida 😉

Importância do BichUSP

O BICHUSP é engraçado. Raros são os que já tiveram algum contato com o esporte. Olhando, hoje, como veterana, vejo o pessoal correndo todo torto, sem saber ritmar, sem ter noção no que está se metendo.

No meu ano, meu amigo caiu na saída de bloco, e eu não parei de correr na linha de chegada após o 400m, achando que eu tinha que acabar da onde tinha saído.

É um verdadeiro momento de iniciação no esporte e, por isso, é tão legal. A gente consegue ver o talento nato das pessoas e já fica prospectando o potencial que ele(a)s tem de melhorar.

Todo BICHUSP surge, nas nossas cabeças, um novo recordista do InterUSP. Mas uma parte é talento e aptidão.

A outra, bem mais importante nessa realidade universitária, é treino e dedicação. Espero falar um pouco sobre esta trajetória – e os sentimentos peculiares que este esporte traz – nos próximos textos.

É insano.

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