Técnico de basquete sofreu ataques racistas durante jogos universitários e Atlética da Medicina foi punida; entenda

O técnico de basquete da UNICID (Universidade da Cidade de São Paulo), Rogério Martins, de 42 anos, sofreu ataques racistas durante o JUMED 2018, os Jogos Universitários de Medicina.

O inter aconteceu em Americana (SP), no último final de semana, e entrou no rol dos jogos com histórico de racismo no esporte universitário.

“Alunos da Atlética [da Faculdade] São Camilo me xingaram de macaco atrás do meu banco e meu time inteiro ouviu”, desabafou ele em seu Facebook. Confira:

Créditos: Reprodução/Facebook

De acordo com o Globo Esporte, o ataque foi realizado durante a semifinal do basquete feminino da São Camilo contra a Unicid.

“Fui chamado de preto filho da p…, macaco do c…, carvão de churrasqueira. Eu não me vitimizo com essas coisas. Sou muito bem resolvido em saber que o Brasil é um país racista. E não foi uma coisa isolada. Falaram diversas vezes durante o jogo”, disse ele.

Rogério tentou registrar boletim de ocorrência pela internet, mas não conseguiu. Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que foi devido à complexidade e circunstâncias do caso.

Mas ele não desistiu. “Já sofri quando criança, no dia a dia. Você estar no ônibus cheio e ninguém sentar do meu lado. É uma bandeira que vou levantar porque está na minha pele. Vou lutar pelos meus direitos de cidadão”, afirmou ele.

Punição da Atlética

Em nota oficial da UNICID, a CO (Comissão Organizadora) do inter decidiu excluir a Atlética da medicina São Camilo (A.A.A.N.W.) da Liga Jumed por um ano (2019). Confira na íntegra:

Créditos: Reprodução/Facebook

A Atlética da São Camilo se pronunciou, se mostrando contra qualquer ato de discriminação. Entretanto, questionou a decisão da Liga da JUMED:

“Observa-se que as acusações são provenientes somente por parte de adversários desportivos daquela modalidade. E, até o presente momento, desprovidas de maior embasamento probatório, muito menos da identificação do agressor ou dos agressores”.

Além disso, alegaram que estão investigando a veracidade das acusações internamente. E que se reservam, “contudo, o direito de adotar todas as medidas cabíveis. Inclusive judiciais, para assegurar todos os direitos que venham a ser injustamente violados, principalmente com a imputação de crime racial à toda delegação Camiliana. Veja:

nota oficial são camilo
Créditos: Reprodução/ Facebook

Em resposta, a CO esclareceu que as acusações não partiram apenas da delegação da Medicina Unicid. Porque membros de outras atléticas presentes no evento, incluindo membros da medicina São Camilo, presenciaram o fato.

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