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Superações, vitória marcante e título do interior: um pouco da história do Direito USP Ribeirão nos Jogos Jurídicos.

Por Felipe Ferreira, atleta do Basquete e Lutas e Departamento de Marketing da Atlética Casa Sete.

Das vantagens de se escrever um texto em uma publicação específica sobre esporte universitário é que o público-alvo, em suma maioria, tem noção das dificuldades em trazer uma Atlética para um nível competitivo esportivo. Ainda mais se tratando de uma faculdade com 10 anos de história e 100 alunos ingressantes por ano.

Nós, da Atlética Casa Sete, do curso de Direito da USP Ribeirão Preto, convivemos com isto. Porém, com um grandioso trabalho de muitos veteranos, vimos a entidade elevar seu patamar e ocupar lugar de destaque nos principais jogos que participa.

A breve trajetória no Jurídicos

Dentre as nossas competições, os Jogos Jurídicos Estaduais, sem menor sombra de dúvida, ocupam um lugar especial. Isso porque, nele, temos o prazer de dividir as quadras, campos, pistas e tatames com atléticas já consagradas. Essas que se encontram há anos em atividades e com diversos atletas famosos em seus respectivos planteis.

Assim, em tão pouco tempo, cavar um espaço em tal Jogos já seria motivo o suficiente para comemorar. Mas, o empenho e superação em torno da união fez com que desejássemos superar as tantas dificuldades na consolidação de um projeto esportivo em uma faculdade, com posição de destaque no interior paulista.

De cara, já em 2011, jogando em Ribeirão Preto, com atletas provenientes das quatros primeiras turmas de nossa faculdade – as únicas ingressas até então -, mostramos que o caneco de campeão do interior ia ficar em casa. Era mostrado o nosso cartão de visitas, o que, obviamente, trouxe um anseio enorme por encerrar os jogos com êxito nos anos posteriores.

Está certo que se passou longe do título de campeã do interior em 2012 e 2013, mas evoluímos tanto em aspectos organizacionais como em esportivos. Mostramos, assim, que poderíamos entrar forte na briga pelo título de campeão do interior nos próximos anos.

Jurídicos 2016: a nossa epopeia

A edição de 2016 dos Jogos Jurídicos teve um caráter peculiar, ao passo que não se encerrou em Barretos, cidade-sede da competição. Estenderam-se para Campinas e São Paulo, respectivamente, as disputas das lutas (judô e jiu-jitsu) e do atletismo.

À luz do nosso mascote ser um touro, a capital do rodeio não nos reservou maior sorte e tivemos um chaveamento complicado. Além de contar com a grata surpresa da Faculdade de Direito de Franca, que, estreante até então, despontava como postulante junto a nós e a Puccamp ao título de campeã do interior.

Ante a tal cenário, nos esportes coletivos, demos certo azar e encaramos, nos confrontos iniciais, as tradicionais agremiações na maior partes da modalidades. Restando-nos apenas três confrontos contra adversários diretos na briga pelo troféu do interior. Curiosamente os três contra a Puccamp, a algoz dos anos anteriores. A melhor sorte que faltou no futebol de campo com a derrota por 1 a 0, veio no handebol masculino e no basquete masculino com ótimas vitórias.

O momento de lutar

Fim da parte inicial dos Jogos em Barretos. Sobravam as lutas e o atletismo. Na pontuação geral, a disputa estava praticamente empatada pelo título de campeã do interior. Contudo, o discurso que ecoava nas arquibancadas era de “ainda bem que Franca entrou nos jogos para brigar pelo caneco interiorano, deu emoção para a disputa”.

Se acreditavam nisso, estávamos disposto a dar a resposta nas disputas esportivas e lutaríamos com o máximo esforço para trazer o troféu para Ribeirão. Quando precisamos lutar literalmente, nos demos bem com um 4º lugar tanto no jiu-jitsu como no judô. Ficando atrás apenas das três faculdades tradicionais da capital (San Fran, Mack e Puc).

Vencendo nossos adversários do interior tanto no geral das modalidades, como em confronto direto em ambas. Faltava o atletismo e desembarcávamos em São Paulo na liderança para se consagrar com o título do interior.

O Interior chega a São Paulo e faz história

O roteiro de um possível que já ganhava contornos épicos necessitava de um desfecho marcante para uma conclusão de respeito. Assim, o atletismo não só nos reservou a real consagração, com bons resultados, como também trouxe um detalhe de sabor dourado. Um grande resumo de toda essa epopeia.

No próprio atletismo, capítulo final do Jurídicos 2016, a prova era os 400m feminino. A confiança de toda nossa torcida toda depositada em Lilo, nossa “craque” das pistas. E dada a largada com um sprint fenomenal de nossa atleta, ouvimos das arquibancadas que ninguém corria 400 metros daquele jeito. “Que ela ia quebrar, que não era possível aquilo que estava acontecendo, ainda mais com alguém com as pernas tão curtas”.

Lilo leva o ouro nos 400m do Atletismo em 2016

Podiam desacreditar, mas a superação quebra barreiras e a “atleta que ia quebrar” foi a grande vencedora da prova. Coroando, assim, anos a fio de dedicação a esse esporte e, mais do que isso, consagrando-se como a primeira esportista de nossa faculdade a ganhar um ouro em provas individuais no Jurídicos.

Para cima, Ribeirão!

A vitória nas pistas veio para, de fato, consolidar todo um trabalho e assegurar definitivamente a coroação daquilo que demorou, mas veio. Como ocorreu com Lilo no atletismo, desacreditaram, criticaram, colocaram em xeque. Mas, com toda dedicação, chegamos lá e o título de interior foi para o lado auri-bordô.

E, diga-se mais, que essa retrospectiva apenas venha como aquele empurrão extra para o Jurídicos 2018. E que o grito que ficou entalado em 2017 possa novamente ser bradado em São Carlos. Para cima, Ribeirão!