Por Guilherme Deboni

“Na hora que soar o apito, a gente vai esquecer tudo que já foi e tudo que já foi dito”. O que esperar da Sanfran nos JJE 2018.

Em qualquer esporte, o favoritismo só vale até começar a partida. E, quando falamos de esporte universitário, as “zebras” acontecem aos montes.

Como o nível técnico nem sempre é alto e algumas modalidades têm poucas chances de “gols”, todo mundo guarda a lembrança de um jogo em que não aconteceu nada do que estava previsto. E normalmente esses jogos são os melhores.

Do que é feito um JJE

É aquela partida do time que joga como nunca e perde como sempre. Do adversário que bebe demais na arena e volta virado da balada. Do melhor atleta adversário que está lesionado ou está no intercâmbio.

Da equipe reserva que é escalada e (quase) perde. Do goleiro que faz milagre e do artilheiro num dia ruim. Da trave que num lance te salva e no outro te castiga. Da bola que bate no aro, mas não cai.

Da bola que você achou que ia fora, mas entrou. Do 2 minutos que te dá um frio na barriga e do pênalti que pode empatar o placar.Tem também aquela do golpe que entrou na guarda descuidada do lutador mais forte. Do lance errado no xadrez por causa do tempo que ia cair.

Da redinha e da casquinha no tênis de mesa. Da dupla falta no tênis. Do bastão que caiu e da largada que queimou. Do revezamento decidido na ponta dos dedos e no grito da torcida. Do try que aconteceu no vacilo da defesa.  

A sabedoria da toricda

Como torcedor a gente grita como se soubesse todas as regras do esporte. No Jiu-Jitsu, quando o atleta derruba o outro a gente comemora um ippon. No Xadrez, a gente perde uma pedra e acha que tudo está perdido sem perceber que estamos próximo do xeque-mate.

Já no atletismo e na natação a gente comemora a vitória, mesmo sem saber que aqueles eram “extras”. No tênis e no tênis de mesa a gente acha que ganhou, mas sempre dizem que tem mais um jogo. No rugby, a gente não entende porque não passam a bola pra frente.

A responsabilidade dos atletas

Como atleta, a gente sente o frio na barriga antes de cada partida e a responsabilidade de ganhar aquele jogo. No basquete, a bateria ensurdece na hora do lance livre. No handebol, tem que ter o sangue frio na hora de acelerar ou desacelerar as jogadas.

No futsal, o drible às vezes é o herói, mas também pode ser o vilão da partida. No vôlei, tem que respirar fundo na hora de sacar. No futebol, cada cruzamento é uma esperança de um gol.

O foco da gestão

Como gestão, a gente precisa fazer cada time acreditar que a vitória é possível. Precisa amenizar o favoritismo e torcer pros atletas chegarem 100% nos confrontos decisivos. Precisa envolver a faculdade e criar um “clima de jogos”, para que a experiência seja inclusiva pra todo mundo.

A gente uma hora abençoa o chaveamento, mas na outra tá amaldiçoando quem puxou aquele papelzinho. A gente fica sem dormir nas reuniões noturnas e move montanhas pra colocar o jogo no horário pretendido.

E, são com essas lembranças, que a gente inicia mais uma disputa. Nesse ano, a São Francisco tem como lema o Foca no Jogo. Isso significa que, na hora que soar o apito, a gente vai esquecer tudo que já foi e tudo que já foi dito. A camisa mais vitoriosa dos Jogos Jurídicos vai mostrar que é gigante.

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