Modalidade de desconto encontrada em algumas faculdades particulares amplia o acesso ao ensino superior. Entenda como funciona a bolsa de estudo para atletas.

Nos últimos anos, o acesso ao ensino superior começou a ser facilitado de várias maneiras, ainda que não seja total. Desde cotas, Fies, ProUni, até bolsas por desempenho acadêmico e por desempenho esportivo.

Muitas universidades particulares hoje em dia oferecem bolsas, que variam de 10% a 100% de isenção de mensalidade, para seus alunos que são membros de um time e disputam campeonatos em nome da faculdade.

O modelo de bolsas para estudantes atletas não é novidade. Nos Estados Unidos, esse sistema é muito comum, sendo uma forma também dos jovens acessarem o ensino superior de qualidade (já que lá as melhores universidades são particulares).

Com isso, é possível ver um grande número de atletas bem sucedidos, graças ao apoio dessas universidades. Como é o caso de atletas olímpicos, jogadores de futebol americano e basquete.

No Brasil, a iniciativa é um pouco mais tímida que a norte americana, mas não deixa de existir e ter sua importância. Anualmente, muitos alunos que não teriam condições de pagar uma determinada faculdade conseguem estudar graças a, literalmente, seu suor.

Como funcionam as bolsas no Brasil?

Cada universidade possui um sistema diferente de bolsas. A maioria, porém, coincide em dois aspectos: para manter a bolsa, o aluno deve manter seu rendimento acadêmico e esportivo.

Para isso, as universidades contam com a ajuda das atléticas, dos treinadores e utilizam bastante as seletivas – também conhecidas peneiras.

Algumas faculdades adotaram o sistema antes, outras demoraram um pouco mais, assim como há aquelas que não possuem essa modalidade de bolsa (para saber sobre a concessão de bolsas para atletas, entre em contato com a faculdade que está prestando).

Alguns exemplos em São Paulo

Na Unifae (Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino), por exemplo, a bolsa atleta começou em 2012, com a troca de reitor. Quando o Professor Francisco Arten assumiu a reitoria, a faculdade passou a incentivar a prática de esportes e a formação acadêmica de jovens que antes não tinham condições de pagar a faculdade.

A universidade concede aos seus estudantes, de acordo com o desempenho esportivo, bolsas que variam de 10% a 100% de isenção. Para mantê-las, os alunos-atletas precisam mostrar desempenho no esporte e na sala de aula.

A Unifae conta, atualmente, com 52 atletas com bolsa, em média, por ano e um investimento anual de 320 mil reais nesse setor.

Já na Universidade Guarulhos (UNG), o sistema de bolsas para atletas passou a ser utilizado em 2015. Os atletas que pleiteiam a bolsa passam por uma avaliação com os respectivos técnicos das modalidades que eles praticam.

Caso aprovados, ingressam na faculdade com bolsa integral. Assim como na Unifae, para manter a bolsa, o aluno precisa manter o desempenho esportivo e acadêmico. Por ano, a UNG acolhe em média 152 alunos-atletas com bolsa de estudo integral.

Mudança de vida

Igor Tracci é recém formado em Publicidade e Propaganda pelo Mackenzie. Mas isso só foi possível graças ao esporte. Igor joga basquete desde os 8 anos de idade, sendo que já atuou profissionalmente pelo Suzano Basquete na NBB.

Quando chegou a hora de escolher uma faculdade, viu uma oportunidade de tentar uma boa faculdade com o seu desempenho esportivo. Igor conta que conseguiu a bolsa para atletas e estudou com ela desde o início da graduação no Mackenzie.

“A bolsa me ajudou a manter meus estudos, porque não sou de São Paulo. Então meus pais me ajudavam a me manter aqui com o aluguel e a alimentação, mas a bolsa foi um complemento importante”, explica.

Pivô do time de basquete, Igor explica que os alunos que possuem esse tipo de bolsa precisam dividir a atenção entre o esporte, os estudos e a documentação. Apenas com esses três pilares em dia o aluno consegue manter a bolsa semestralmente.

Sistema de bolsas esportivas no Mackenzie

O programa que oferece bolsas aos alunos no Mackenzie é chamado de “Atleta Cidadão”. Além das bolsas, o programa se propõe a realizar um acompanhamento físico, emocional, espiritual e educacional dos atletas.

Por ano, mais de 500 bolsas dessa modalidade são oferecidas aos alunos, além de outros tipos de bolsa. “Praticamente todas as atléticas têm alunos com bolsas, seja pelo esporte ou pelo Fies”, relata Igor.

O impacto disso é enorme e muda a vida de muitos jovens, inclusive de Igor: “Sem essa bolsa, eu não teria conseguido me formar”.

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