Maria e Janaína, ambas nutricionistas pela USP, compartilham sobre o “ser nutricionista” e explicam sobre o “comer bem” e o “ser saudável” no Dia do Nutricionista

Dia 31 de agosto. Mais do que o Dia do Nutricionista é um dia para parar e se pensar na importância da alimentação. De lembrar que esse profissional é essencial para a manutenção da nossa saúde.

E que, por mais que não tenhamos acompanhamento nutricional, ele está atuando de alguma forma por de trás de tudo o que comemos. Leia mais abaixo:

Por Maria Eunice Waughan da Silva e Janaína Alessandra Silva

O constante tornar-se nutricionista

Escrever sobre a experiência de ser nutricionista é buscar na memória as vivências com diversos grupos de educação nutricional e atendimentos individuais.

Mesmo que algumas imagens surjam na mente ao fazer esse resgate, as memórias não se encontravam naquele lugar que chamamos de mente, mas no corpo. Isso mesmo, no corpo!

Memórias afetivas marcadas no corpo, registradas por meio do que é sentido quando se vive a experiência. Segundo Larrosa (2011), a experiência é o encontro com o externo.

É aquilo que é diferente de você, que te forma e transforma, trazendo assim princípios de alteridade e subjetividade. E por ser um encontro com o desconhecido, a experiência ainda tem uma pitada de perigo com a ideia de travessia. Mas que perigo é esse?

É o ‘perigo’ de nos transformarmos perante as necessidades da realidade, de admitir que nosso conhecimento técnico da nutrição não responderá às demandas das pessoas que nos procuram.

Isso é um dos maiores perigos a se enfrentar. Especialmente com a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Pois a utilidade e a identidade profissional podem entrar em cheque.

E há vários exemplos disso. Uma senhora com doença cardiorrespiratória , em uso de medicamentos para controle de pressão arterial e diabetes e com baixa renda.

Ao fazer a orientação nutricional, ela respondeu que não seguiria nem a metade, pois não abdicaria dos poucos prazeres que tem. O que fazer então nessa situação Responsabilizá-la pela sua decisão, pensar junto com ela numa redução de danos?

Outra cena foi com a população em situação de rua. Um morador questionou sobre como deveria fazer as escolhas no lixo ao comer.

De todas, essa cena é uma das mais sem resposta. Além disso, nos faz questionar sobre a atuação enquanto nutricionista.

Porque cada situação exige uma posição diferente. Exige às vezes um estranhamento da própria nutrição quando atua-se de forma restritiva e normatizadora da vidas das pessoas.

E, diminuindo assim o potencial de saúde. Não em relação à uma saúde física apenas, mas uma saúde grande, que abarca diversos aspectos do sujeito.

Nutrição esportiva

E quando se fala sobre nutrição relacionada à performance em esporte – essa baseada em atleta de alto nível surge um grande ponto.

Ser atleta não é ser saudável. Muito pelo contrário. Atletas necessitam de uma carga energética muito elevada, o que geralmente abarca a combinação de alimentos e suplementos, devido ao alto padrão de treinamento e desgaste físico.

Por isso que em grande parte das vezes é preciso suplementar. E o alto padrão desencadeia reações  inflamatórias e lesões que devem ser reparadas para que o indivíduo mantenha o alto nível na modalidade praticada.

Quanto a atletas amadores e pessoas que buscam no desempenho esportivo um estilo de vida saudável, a alimentação tem um papel muito específico e muito importante.

A performance nesse caso, resume-se em  comer bem, especialmente durante o final de semana de jogos, corridas de rua, entre outros.

E o que é comer bem?

O comer bem, primeiramente, é o comer sem culpa! Reconhecer as necessidades do seu próprio corpo.

Obviamente, que a ingestão de alimentos mais naturais (arroz, feijão, verduras, legumes e frutas) tem inúmeros benefícios à saúde.

Mas evitar a macarronada da vó daquele domingo ensolarado não parece nada saudável também.

O corpo precisa de nutrientes, de vitamina, de mineral, de carboidrato, de proteína, de lipídeo.

Mas o corpo também precisa e equilíbrio,  emocional e físico. De afeto. De macarrão da vovó feito com amor.

O que é ser nutricionista?

E por isso, ao compartilhar com vocês a experiência do ser nutricionista, afirmamos que é um constante tornar-se.

Porque mudamos constantemente a nossa própria relação com o alimento. Muda-se a visão de como se alimentar, do que comer, do que não comer e quando comer.

De vitalizar, de prevenir doenças, tendo a dificil missão de transmitir através da alimentação uma maneira das pessoas se sentirem bem consigo mesmas.

A nutrição “torna-se” quando cria sentido de existir, tanto para o profissional  quanto para as pessoas com quem compartilhamos o conhecimento.

Créditos: Arquivo Pessoal – Janaína à esq. e Maria à dir.

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