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Como é ser sextoanista na InterMED? Leia a despedida de Júlia Kaluff, atleta da Escola Paulista de Medicina, representando sua faculdade pela última vez no feriado da pátria.

Por Julia Kalluf, sextoanista e atleta da Escola Paulista de Medicina

Quando vi meu nome na lista de aprovados da Escola Paulista de Medicina, sabia que iria me envolver ao máximo com tudo que a faculdade tinha a oferecer, principalmente a atlética.

Assim como a maioria dos recém aprovados, toda minha habilidade esportiva vinha das aulas de educação física na escola. Mas, com as competições de calouros se aproximando, veio também a necessidade de formar times pra todas as modalidades.

Acabei treinando futsal, handebol, vôlei, atletismo, xadrez e ainda tentei aprender algum instrumento da bateria. A Intercalomed é uma história à parte, mas, depois dela, fiquei nas equipes de futsal, handebol e atletismo, apesar dos suplícios da minha mãe pra escolher só uma.

Desde o começo me deram os uniformes, me levaram para os jogos e competições. Tudo aquilo me deu não só um sentimento de pertencimento a algo maior que eu, mas de responsabilidade.

Eu queria fazer o meu melhor pra ajudar minhas equipes e minha faculdade. Não faltava inspiração: meninas do 5º e 6º ano, gigantes nas quadras e pista, que tinham o respeito de todas as outras faculdades, e com quem eu tive o prazer de competir lado a lado.

O processo de um atleta da Medicina

Júlia e parte da equipe de atletismo da faculdade

No atletismo, competi como extra desde o 1º ano. No hand e no fut, joguei por alguns segundos – que pareceram muito mais longos – em jogos importantes no 2º ano. Tudo isso só me deu mais motivação pra aguentar as 16h de treinos semanais, fora os jogos do fim de semana.

Em meio a tudo isso, não deixei o resto da faculdade de lado: fiz iniciação cientifica, participei de ligas acadêmicas, da comissão de formatura. Porém, os horários dos treinos eram sagrados, mesmo os mais ingratos como quinta-feira até 23h e sexta até às 22h.

A medida que fui evoluindo e, consequentemente, participando mais dos jogos, os treinos se tornaram mais puxados. Eu não era mais a caloura que estava lá pra aprender a jogar bola.

Eu era a marcadora de 2º que não podia deixar a melhor armadora do outro time passar. A expectativa dos meus técnicos e equipes é maior do que nunca, portanto, a cobrança também.

Mas, essa mudança não acontece de repente. Faz parte do processo de treinar 6 anos: uma constante evolução e renovação das equipes.

A despedida

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Júlia com suas medalhas na AAAPB

E tudo isso culmina em cinco dias na minha última InterMED. Tenho dez dias pra fazer valer esses seis anos de treinos. Dez dias que enceram o ciclo que começou em 2013.

Os sentimentos bons e ruins se misturam: a certeza de estar mais preparada do que nunca, o medo por não ter mais a próxima. A sensação de que me doei ao máximo onde pude, a adrenalina que me dá forças que não sabia que tinha. E a saudade de uma rotina que foi central na minha vida durante toda a faculdade.

Ainda não posso falar sobre os resultados, mas por tudo que eu vivi e os laços que criei na atlética, posso dizer que valeu a pena. E não faria nada diferente.

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