O FISU América, o primeiro Pan Americano universitário da história, aconteceu de 21 a 29 de julho e agitou o Centro Paralímpico Brasileiro. O campeão geral foi o Brasil, com 157 medalhas (79 ouros, 47 pratas e 31 bronzes). Em segundo, ficou o México, totalizando 68 medalhas. E, ocupando a terceira colocação, o Chile com 65.

Foram 12 países competindo por nove dias e o resultado final vai muito além do quadro de medalhas: jogos incríveis e, claro, muita integração entre diferentes pessoas e culturas.

Das delegações participantes, a maior era a do Brasil, país sede do campeonato, com 300 alunos-atletas (mais os 150 paratletas). A menor, a da Jamaica, com apenas um integrante, competidor do Atletismo.

Como funciona a seletiva de cada delegação?

Cada país trouxe para o FISU América um pouco de sua cultura e da sua relação com o esporte. Exemplo disso é o formato que cada um utiliza para selecionar os atletas participantes.

Brasil: o JUBs define os representantes

No Brasil, para quem não sabe, participam as equipes campeãs do JUBs (Jogos Universitários Brasileiros). Por sua vez, para um time se classificar para o JUBs, cada estado funciona de um modo diferente.

No caso de São Paulo, é a partir do campeonato universitário estadual. Ou seja, os atletas, no geral, já se conheciam e fazem parte de um mesmo time universitário.

Os alunos-atletas brasileiros que não residem em São Paulo, cidade-sede do evento, receberam hospedagem e alimentação da CBDU. Os custos de deslocamento variam de acordo com as regiões. Em alguns casos, o governo estadual financia. Em outros, as próprias universidades ou os alunos.

México, um projeto similar ao nosso

A delegação mexicana, por sua vez, fez uma seleção mais próxima do que estamos acostumados no Brasil e do que esperamos de nossas federações.

A partir de torneios regionais, as equipes e atletas campeões se classificavam para o Pan Americano. 

O catadão argentino

Equipe de Võlei Feminino da Argentina em partida contra o Chile. Foto por Luana Corradine

O país de los hermanos veio ao Brasil com equipes recheadas de promessas. E, apesar dos bons resultados no basquete e vôlei (vice no Basquete Masculino e em ambos os naipes do Vôlei), enganou-se quem pensou que os atletas já se conheciam há muito tempo.

Durante o início do ano, os alunos-atletas foram observados em seus clubes e universidades. A partir disso, os melhores foram convidados para integrar a equipe que representaria a Argentina no FISU América.

Após o convite, cada um deveria se autofinanciar e pagar pela passagem aérea e hospedagem. Salvo algumas exceções que tiveram o privilégio de receberem apoio de suas faculdades. Por exemplo, Juan Guzman, jogador de vôlei, teve sua viagem totalmente financiada pela faculdade em que estuda.

Antes do Pan Americano, os atletas se reuniram algumas poucas vezes, antes de embarcaram para o Brasil. Como forma de treinamento e entrosamento, realizaram amistosos com clubes brasileiros e assim se prepararam para os jogos.

O turismo esportivo da América do Norte

Atleta dos Estados Unidos na disputa do Salto com Vara. Foto por Luana Corradine

Em um formato que mais parecia uma agência de viagens, os alunos-atletas do Canadá e dos Estados Unidos chegaram ao FISU América de um jeito bem diferente do que estamos acostumados.

O processo é o seguinte: as universidades de ambos os países recebem propostas para que seus alunos possam participar do Pan Americano universitário. Quem se interessasse, fechava um “pacote” de viagem e, assim, passava a integrar o Team USA/Team Canadá.

Ou seja, trata-se de um esquema de turismo esportivo, no qual os atletas dos dois países, além de se autofinanciarem inteiramente para o campeonato, tinham como objetivo não apenas participar do FISU América, mas também viajar e passear pelo país.

Além do esporte

Por exemplo, grande parte dos atletas norte-americanos visitaram estádios de futebol, pontos turísticos e até realizaram viagens para outros estados, como o Rio de Janeiro.

Nels Hawkinson, chefe da delegação americana, fez questão de relembrar que eles não vêm para cá somente para competir: em uma ação realizada no bairro do Grajaú (zona de classe baixa de São Paulo), a delegação dos EUA realizou uma grande doação de óculos de grau e sapatos e também participaram de um projeto para ensinar inglês às crianças da região. 

O ponto em comum entre os países competidores? Atletas incríveis e a noção de que o esporte é muito mais do que o que seja joga em quadra (ou na pista, nos tatames, na piscina, nos campos).

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