Após anos de inatividade, grupo decide retomar atividades da LAAUSP e alterar o cenário do esporte na USP.

Apesar de ter sido oficialmente fundada em 1970, a Liga Atlética Acadêmica da USP (LAAUSP) só retomou suas atividades em 1998. Isso porque a Liga existia apenas “no papel”, praticamente esquecida e funcionando somente para questões burocráticas do esporte na USP.

Depois desses anos da Liga em inatividade, um grupo de jovens, formado por ex-membros de Atléticas da USP, resolveu se unir e criar uma chapa para a LAAUSP.  A iniciativa decorreu de insatisfações com a (falta de) organização do esporte na USP e possibilitou o início do que conhecemos da Liga hoje.

O grupo era formado por diferentes faculdades da USP, entre elas EEFE, FAU, Biologia e Poli. A ideia não apenas teve adeptos, como ganhou bastante apoio – tanto das atléticas, quanto do CepeUSP, um dos principais parceiros nessa retomada.

O período em branco

Eduardo Sinchi, ex aluno da Poli e um dos responsáveis pela retomada da LAAUSP, conta que, no período de 1970 até 1998, a Liga existia com “o mínimo por estatuto só com a intenção de poder formalizar ofícios pro Cepeusp, tratar de algumas coisas burocráticas, mas ninguém pensava a Liga em si”.

Durante essa fase, as questões que envolviam as atléticas da USP, como reserva de quadras, por exemplo, eram resolvidas por meio de reuniões com uma Comissão Organizadora. Luciana Lobo, ex aluna da Biologia e também fundadora da “Nova LAAUSP”,  explica que muitas atléticas acabavam sendo injustiçadas perante outras maiores e de maior tradição, o que começou a gerar um impasse.

“Existia essa agremiação, sempre dirigida por alguém da Poli, Medicina ou Direito, em que se decidia o cronograma dos treinos e dos jogos. Algumas faculdades, como FAU, Biologia e Odonto, abriam mão dos seus horários pra poder viabilizar os jogos de faculdades ‘maiores’ que participavam de outros torneios”, conta Luciana.

Além do sentimento de injustiça que muitas atléticas tinham, outras não tinham nem espaço. Isso porque para participar tanto da Copa União (na época, a primeira divisão), quanto da OliUSP (segunda divisão), era exigido que as atléticas inscrevessem alunos em todos os esportes. 

Ruptura

Em 1998, a Copa União sofreu com falta de verbas e foi cancelada. Diante deste cenário de crise, ganhou ainda mais força a iniciativa de centralizar o esporte universitário uspiano.

Felipe Luz, um dos fundadores e ex-aluno da FAU, conta que havia grande insatisfação entre as atléticas por conta das competições, as quais não eram unificadas e não atendiam às necessidades das equipes universitárias. Além disso, maioria das atividades que deveriam ser feitas pela LAAUSP acabava sendo realizada pelas próprias atléticas. 

Primeiros passos para a reformulação

Após perceberem a necessidade de um órgão que centralizasse e organizasse os esportes, o primeiro passo para voltar, de fato, com a LAAUSP foi convocar uma eleição formal. Felipe Luz relembra que no início formaram uma chapa com oito pessoas, todas de faculdades diversas e com alguma liderança dentro de suas atléticas

“Conseguimos juntar pessoas de seis faculdades diferentes, é um bom exemplo de representatividade e futura imparcialidade, que era uma das coisas que a gente mais dava valor. Queríamos mostrar para o resto que aquela LAAUSP era uma coisa nova, não importava da onde cada um vinha, éramos imparciais”, explica Felipe.

A chapa venceu com facilidade e começaram os trabalhos para retomar a LAAUSP. Felipe, que foi tesoureiro da Liga, conta que o processo de regulamentação no cartório foi demorado. A primeira eleição não conseguiu ser registrada em cartório, portanto apenas no ano seguinte (1999), a LAAUSP conseguiu regularizar a situação.

Parceria com o CEPE

Rodrigo John, ex-aluno da EEFE e integrante da primeira chapa da LAAUSP, explica que o CEPE foi um grande aliado nessa retomada.“Eles foram muito abertos com a gente, introduziram a gente como parceiros. Afinal, íamos organizar as atléticas e queríamos usar o espaço do CEPEUSP de forma mais organizada. Tivemos o apoio da USP, se eu não me engano, a gente até conseguiu verba em algumas competições pontuais, não era frequente, mas tinha”.

A diretoria do CEPE ainda cedeu a sala para organização da Liga. Primeiro, emprestando. E, posteriormente, doando uma sala, possibilitando reuniões e a fixação da Liga.

O Esporte na USP: mudanças conquistadas

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Acervo: LAAUSP

Apesar da complicação para registrar a volta da LAAUSP em cartório, a gestão, assim que eleita, iniciou suas funções e conseguiu resultados bem rápido. Michel Mattar, também ex-aluno da EEFE e integrante da primeira diretoria, afirma: em menos de um ano, o cenário esportivo dentro da USP já era outro.

A Copa União foi extinta, dando lugar à Copa USP e aos Jogos da Liga, duas competições que passaram a ocorrer em momentos distintos do ano, e não mais o ano todo, com formas de disputas também diferentes. Já o BichUSP existia desde antes da reestruturação, mas a nova Liga trouxe mais seriedade para o campeonato, com arbitragem em todas as partidas.

A seriedade não ficou restrita apenas aos calouros. A LAAUSP começou a instaurar algumas  regras para seus campeonatos, como exigência de documentações para garantir que os atletas eram alunos, uniformes, arbitragem em todas as partidas.

 

“Posso dizer que já em 1999 o esporte na USP já era outro. O surgimento da Copa USP, Jogos da Liga e BichUSP foram essenciais nessa nova configuração, além da coordenação de toda a demanda das Atléticas por reservas para utilização da estrutura esportiva do CEPE. Por fim, a coordenação das seleções esportivas (que atualmente chamamos de Seleções USP) nas mais diversas modalidades”, resume Michel.

Maior inclusão

Além da estrutura dos campeonatos, uma das principais mudanças que a LAAUSP trouxe foi a possibilidade de as atléticas inscreverem apenas os times que de fato tinham estruturados, sem necessariamente participar de todas as modalidades.

Luciana Lobo conta que, além da maior inclusão de atléticas menores, os campeonatos também mudaram de nível.“Isso elevou a qualidade técnica dos campeonatos, porque você permitia que faculdades que tinham times bons de só algumas modalidades inserissem seus times nesse contexto”.

Essa novidade pode ser sentida por toda a USP, uma vez que também provocou um aumento no número de atléticas na universidade. Felipe Luz explica que “Faculdades que não tinham atléticas viam a organização dos Campeonatos da Liga e apareciam lá pedindo ajuda sobre como criar uma atlética. No início teve faculdade participando via centro acadêmico, via grêmio, então logo as 16 atléticas passaram a ser vinte e tantas”.

Legado

Após 20 anos de seu retorno, hoje a LAAUSP está totalmente consolidada e é essencial para o esporte na USP, seja para a organização interna ou para a representação perante às instituições e campeonatos externos.

O caminho até aqui, porém, nem sempre foi simples para os envolvidos. Dentro dos moldes de funcionamento da Liga, muitas vezes é complicado para os alunos conciliarem vida acadêmica, equipes das quais participam, estágios e gestão da LAAUSP em si. 

Foi preciso muito empenho para reerguer uma entidade que praticamente inexistia e ainda é necessário para mantê-la, dentre erros e acertos, como referência no esporte universitário do Brasil.

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