Entenda mais sobre os motivos para a seleção feita por meio das peneiras universitárias por algumas atléticas

Por Marina Morais

Ao entrar na faculdade, muitos calouros se empolgam com a possibilidade de fazer parte de um time e defender as cores da sua escola. Porém, muitos se espantam quando descobrem que precisarão passar por uma seletiva ou peneira. Mas, afinal, o que são e por que existem as peneiras?

As peneiras universitárias são nada mais nada menos do que uma seleção de atletas para compor um determinado time. Mais conhecidas como peneiras, elas não são exclusividade dos times universitários.

Estão muito presentes no universo esportivo como nas bases de grandes times de futebol, em times de vôlei, entre outros. E não só no cenário nacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, os times universitários são muito fortes e a concorrência para entrar nas equipes é muito alta.

Isso porque muitas faculdades norte americanas dão bolsas aos alunos que são membros dos times. E como as faculdades de maior renome no país são particulares, a procura pela bolsa por meio do esporte é muito alta. Assim, a concorrência por uma vaga nos times universitários também.

Por que elas existem?

Já no nosso país, não existe uma norma geral sobre as peneiras. Por isso, a decisão sobre adotar ou não deve partir da faculdade, das atléticas e até mesmo de cada time. Como é o caso, por exemplo, da Cásper Libero.

Segundo Victor Fernandes, membro da Atlética Homem Pássaro, a decisão sobre as seletivas não está nas mãos da atlética. “Nós, como Atlética, não influenciamos nessa decisão e cabe aos técnicos de cada time avaliar a necessidade da seletiva ou não”. Foi como aconteceu com os times de futebol de campo masculino, vôlei masculino e feminino, futsal masculino e feminino, handebol feminino e tênis de campo.

Número de atletas interessados

Victor explica que o uso de peneiras nestes times da Cásper se deve, principalmente, ao grande número de interessados nas modalidades. E justamente pela impossibilidade de absorver todos os atletas que é necessário fazer uma seleção.

Nesses casos, a qualidade da equipe é levada em conta e o técnico opta por escolher aqueles atletas que agregarão mais ao time. Já nas modalidades nas quais a peneira não é utilizada, existem os treinos abertos, em que todos os alunos podem participar.

O cenário de apenas alguns times dentro de uma mesma atlética possuírem peneira não é tão raro. No caso da Pucão, Atlética de Comunicação da PUC de São Paulo, as seletivas são feitas para os times de futebol de campo e futsal. Segundo a atlética, o motivo é bem semelhante ao da Cásper: muita procura e impossibilidade de absorver todos os interessados.

Outra situação parecida é da Escola Politécnica da USP, a Poli, onde as peneiras também são para o futebol de campo e o futsal, ambos masculinos. Segundo Ludmila Manzan, presidente da Atlética, a entidade não se envolve diretamente nas seletivas, ficando por conta de cada equipe.

Ela explica que a necessidade vem da quantidade de interessados nas modalidades. “Como na Poli tem muito homem e esses são esportes bem populares no meio masculino, acaba tendo muitos interessados e é necessário fazer a peneira”.

Bolsas de estudo para atletas

Os casos de grande número de interessados não são os únicos pelos quais uma atlética opta ou não por realizar peneiras. Existem também aquelas que possuem, sim, grande número de interessados, mas os motivos vão bem além do esporte em si.

Aqui existem diversas universidades particulares seguem um modelo parecido com o norte americano e oferecem bolsas para seus alunos atletas. Por esse motivo, a procura pelos times universitários é bastante alta. É o caso, por exemplo, do Mackenzie.

Por meio de um programa chamado “Atleta Cidadão”, a universidade oferece bolsa para alunos que cumprirem alguns requisitos. Para isso, conta com a ajuda das atléticas, que organizam as seletivas. Para ter direito a bolsa, porém, não basta apenas passar pela peneira e fazer parte de um time. É necessário, também, manter o rendimento esportivo alto, assim como o acadêmico. Além de também gerar resultados em competições esportivas.

Mas a possibilidade de ganhar bolsa com a pratica esportiva não é exclusividade do Mackenzie. Outras faculdades particulares também possuem programas similares, como Anhembi Morumbi, Faap, Fefisa, Unifev, Unip, Unisanta, Unitau, entre outras. Geralmente, nessas faculdades, as peneiras são semestrais, para manter a qualidade e a competitividade dos times.

E quem não tem, não tem por quê?

Enquanto isso, existem, também, os casos de faculdades que não possuem nenhum tipo de peneira universitária em nenhuma modalidade. Isso acontece quando é possível de absorver o número de pessoas interessadas  pelas equipes.

Rafael Lamas, mais conhecido como Tolói, é diretor de modalidade e atleta do futebol de campo da Faculdade de Direito da USP, a São Francisco. Ele conta que, mesmo no futebol, eles não possuem peneiras.

“A gente não sentiu essa necessidade, porque, historicamente, depois do Bichusp, as pessoas que continuam indo nos treinos são poucas, de modo que a gente consegue acolher todo mundo”, explica.

A integração também é um motivo pelo qual muitas atléticas optam por não aderir às seletivas. A Atlética FEA USP, por exemplo, é uma delas. “Acreditamos que o esporte universitário é para todos e fazer parte de um time não depende somente da sua habilidade. A faculdade também é um espaço para se desenvolver esportivamente. Lutamos pela representatividade, inclusive no esporte”.

 

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