Por Bárbara Fujisawa

[dropcap]A[/dropcap]no passado, 2016, foi o meu primeiro enquanto formada. Depois de alguns anos (mais do que o previsto, como toda uspiana) na EACH, tive que pegar meu diploma e, de certa forma, aposentar minhas chuteiras dos campeonatos. Nesse contexto, o primeiro baque do fim da graduação foi, eu acho, não conseguir mais fazer parte do esporte universitário, mais precisamente do futsal, que eu havia conhecido e me apaixonado durante a faculdade.

Uma das maneiras que encontrei de suprir essa “ausência” foi continuar treinando, apesar de não poder mais participar dos jogos. O espaço para o esporte, principalmente feminino, é bem mais complicado fora da bolha universitária. Então, visto que eu não tinha campeonatos para participar e apenas treinar futsal me parecia insuficiente, eu acabei buscando por novas modalidades.

Foi nesse ano que ouvi falar da Seleção de Futebol Feminino da USP. O projeto em si já havia existido em outros anos, porém sem uma continuidade. Em 2016, a partir da parceria com a LAAUSP, a equipe começou a existir, reconhecida como uma Seleção USP, ainda que tratado de uma forma mais “informal” que as outras. Não de uma maneira negativa, mas com uma estrutura mais aberta, visto que ainda é uma modalidade pouco estabelecida no universitário: poderia treinar todo mundo que tivesse interesse, inclusive eu, que não possuía mais vínculo com a USP. Além de mim, havia mais três atletas “de fora”, duas alunas do Mackenzie e uma outra também formada na USP.

A princípio, a Seleção iria participar do campeonato da FUPE (eu não poderia participar), porém, por alguns motivos burocráticos a competição não aconteceu. Tendo em vista a falta de jogos, o nosso então técnico, Rui Ybarra, a fim de nos proporcionar alguma experiência extra-treino, procurou o Centro Olímpico (COTP) para que pudéssemos realizar um amistoso.

E a lembrança é justamente desse amistoso. Jogamos contra as categorias de base do COTP e tomamos uma lavada de 10×1. Apesar do placar, acredito que o amistoso foi um grande motivador, visto que a nossa postura (por mais que a vontade de jogar fosse grande) nunca é tão intensa quanto em uma situação de jogo. Além disso, eu que não havia feito nenhum gol durante os treinos (mesmo com o tamanho do gol sendo cinco vezes o tamanho do de futsal) fiz meu primeiro gol nesse amistoso. Claro que isso acabou sendo ofuscado pelos 10 que tomamos das meninas, mas acredito que só pelo fato de termos conseguido criar uma situação que resultou em gol foi um grande motivador. Fora isso, jogar contra meninas que treinavam desde pequenas e que tinham muito mais noção do que a gente, nos fez perceber que o caminho que tínhamos que percorrer ainda era muito grande.

A Seleção de Futebol de Campo, além de me permitir não perder a convivência com as amigas que fiz por causa do futsal USPiano, também me fez conhecer outras meninas que eram tão apaixonadas pelo esporte universitário quanto eu, e que queriam fazer o negócio funcionar.

Acho que o que deve ser levado do esporte universitário é isso, o “extra-quadra”, as amizades que são consolidadas por conta dele. É engraçado pensar que, se eu não tivesse entrado para o futsal da EACH, não teria conhecido as meninas que hoje posso chamar de irmãs, e que espero continuar com esse rótulo pro resto da vida (quando estivermos jogando de bengalinha hahaha).

O projeto continua, agora com o técnico Luan Estevan, com os treinos a princípio de quarta-feira, às 19h30. Bora colar?