Por Clara Turazzi

 

[dropcap]H[/dropcap]á três anos, 2014, estreei no esporte universitário e joguei meu primeiro BIFE. Um dos maiores desafios do meu time, a FAU, era ganhar da ECA – que, na época, era a atual campeã do campeonato. A rivalidade entre FAU e ECA, principalmente no handebol feminino, era histórica. Bixetona, eu dava muita moral para essa história e, logo de cara, passei a não gostar de nenhuma das ecanas, apesar de nem saber quem era quem.

Nesse BIFE de 2014, eu realmente fiquei junto com o time da FAU, de modo que meus amigos de sala até estranharam. Nosso primeiro grande desafio foi contra a FFLCH e ganhamos, para encontrar, finalmente, a ECA na final. Lembro de como queríamos ganhar o campeonato, por causa da derrota do ano anterior (mesmo que eu não estivesse presente sentia na pele) e por causa da recém derrota no InterFAU, um mês antes. O dia da final chegou com muita ressaca. Cheguei no ginásio comendo pipoca pra ver se ajudava. Ao mesmo tempo, não tinha nada que fizesse o frio na barriga passar. Finalmente, o time da FAU reconheceu resultados nos esforços de integrar o time e estávamos todas juntas para entrar em quadra. O ginásio não estava cheio, a torcida não ia a loucura, eram poucos gatos pingados que ainda não tinham ido embora do BIFE, sendo que a maioria deles estava deitado na arquibancada. Os dois times entraram na quadra como se fosse a final da Champions League, o que foi ridículo, mas também fez jus ao nervoso que eu sentia. O jogo começou e não foi nada como o planejado, 7 a 1 para ECA no início do primeiro tempo. Não me lembro do que eu sentia naquela hora, mas não foi desespero. O time da FAU tinha ido fazer um jogo bom. A Cássia entrou no jogo de um jeito incrível, nos reerguemos e assim ganhei meu primeiro BIFE, mas com muitas rivais do outro lado da quadra.

Eu não sabia de onde aquela raivinha vinha, mas ela existia. Tanto existia que, quando o Vitinho veio ser auxiliar da FAU, logo após esse BIFE, eu fiquei super reticente. No ano seguinte, não houve o clássico embate FAU x ECA no BIFE. Porém, em 2015, as equipes se aproximaram um pouco, por conta de algumas amizades.

2016 foi ano do reencontro dentro das quadras do BIFE e, dessa vez, foi completamente diferente. Antes do jogo eu usava o casaco da ECA e jogar contra elas seria jogar contra amigas e conhecidas. No aquecimento, como uma homenagem à volta desse “clássico de BIFE”, trocamos todas de jaco: a equipe da FAU estava de ECA e vice-versa.

A rivalidade começou e terminou com apito, como em um amistoso dentro do treino. Do outro lado da quadra estavam algumas meninas com quem eu passei o BIFE inteiro: nos jogos, nos almoços e nas festas. Durante o jogo, dava vontade de falar com quem estava do outro lado. Como, por exemplo, elogiar e ao mesmo tempo xingar a Luana por tantas defesas do mesmo arremesso de sempre; zuar a Broggi só para ela ficar irritadinha ou querer que a Shay não tivesse mais machucada para poder dar risada do meu pezinho na hora de atacar.

Fora das quadras, o casaco da ECA virou meu uniforme, eu frequentei mais o open e a torcida da ECA do que a da FAU e só não fui pro alojamento porque não ia conseguir entrar (já dizem: a ECA é o Mackenzie do BIFE!). Hoje, apesar de não conhecer muitas meninas que fazem parte do time, a raivinha e a rivalidade fora de quadra não fazem mais sentido e o que fica são as amizades que o esporte proporcionou.

 

Crédito foto de capa: Por Felipe Lemos