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Por Leonardo Milano


[dropcap]A[/dropcap] paixão que move o esporte universitário é, em grande parte, alimentada por cada pessoa que se dedica a fazê-lo acontecer, seja na organização, nas quadras ou na arquibancada. Principalmente nos inters, as torcidas organizadas possuem um protagonismo incontestável: levantar o atleta em quadra e motivar todos os alunos a torcer por sua faculdade.

Continuando o especial sobre torcidas organizadas, confere aí a história da Bando Each USP:

Não, o autor desta matéria não se confundiu. O BOPE se tornou BANDO. E não foi apenas o nome da torcida eachiana que mudou.

O Bando que Organiza a Putar* na EACH (BOPE) surgiu em 2011, como um movimento de oposição a então gestão da Atlética da EACH. Após alguns meses, os integrantes do grupo passaram a se reconhecer como torcedores de fato, buscando novos integrantes para a agremiação e colando nos jogos dos times da EACH pra animar a galera.

Com o passar do tempo, mais e mais alunos se somaram ao grupo, que passou então a constituir os seus símbolos. Bandeiras e hinos foram produzidos e o BOPE se consolidou como entidade eachiana.

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Jogo da Final do Futsal Feminino, Caipirusp 2015, Guaíra. Créditos: Scrotos, Breja & Ressaca.

A Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH) localiza-se na Zona Leste, quase na divisa com Guarulhos, na chamada USP Leste, o campus mais recente da Universidade de São Paulo, inaugurado em 2005. E com o campus a própria EACH.

Portanto, até agora, os eachianos tiveram apenas doze anos para estruturar o seu Centro Acadêmico e sua Atlética, para então, montarem os seus times. É muito pouco se comparado com faculdades tradicionais da própria USP, como a Faculdade de Direito, localizada no Largo São Francisco, fundada em 1827 e que portanto, têm suas atividades e tradições construídas por mais de 190 anos.

Por esse motivo, é de se exaltar que tão rapidamente, os alunos da EACH tenham estruturado uma torcida organizada. Mesmo assim, seus membros ressaltam que o grupo ainda está se consolidando como torcida. Muito em razão dos citados poucos anos de existência da EACH.

Além da pouca idade, outros fatores prejudicam o planejamento do BANDO. A maioria dos jogos é realizada muito longe do campus da USP Leste. Assim, a tarefa de levar um grande número de torcedores aos jogos do times eachianos se torna ainda mais difícil. Afinal, incentivo financeiro é apenas um sonho distante.

Mas as dificuldades enfrentadas não desmotivaram o grupo. O BANDO está completando seis anos e seus integrantes decidiram que era hora de uma reestruturação profunda na organização.

Por muito tempo, os torcedores tiveram uma relação difícil com a Atlética e até hoje, muitos eachianos desgostam do grupo. Isso porque, brigas e manifestações de preconceitos eram recorrentes por parte dos integrantes do então BOPE. E, logo de cara, o mal estereótipo da torcida organizada pegou.

Thaís Ferraz tem 22 anos, está cursando Gestão de Políticas Públicas desde 2012 e está na torcida há cinco anos. Com a reestruturação pela qual a organização vem passando, Ferraz tornou-se presidente da entidade. Ao comentar o passado da torcida não mostra nenhum receio em admitir os erros cometidos. Ao mesmo tempo, Ferraz se mostra esperançosa com a transformação do BOPE, que resultou no que hoje é o BANDO. “Estamos num processo de amadurecimento. A gente já atrapalhou muito. Ofendemos muita gente inclusive. Mas, apesar de ainda vacilarmos de vez em quando estamos sempre tentando aprender com os nossos erros”, afirma.

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Jogo da Final da Série A da NDU, Futsal Masculino. Créditos: Marco Barbaresco (@marcobarbaresco)

Além disso, a presidente a avalia que a mudança de nome da entidade é muito importante para consolidar o processo de reconstrução da torcida: “Essa discussão [da mudança de nome] acontece há um tempo já. Mas só agora decidimos de fato mudar o nome da nossa torcida. Sempre recebemos muitas reclamações, até de professores por carregarmos o nome de um grupo policial. Eu mesmo nunca me senti confortável em ter o meu nome vinculado a um grupo chamado BOPE. É um nome muito forte, que carrega muita dor e muita violência.”

Outra mudança que os membros do BANDO estão tentando promover diz respeito aos hinos cantados pela torcida. Muitos deles continham dizeres machistas e homofóbicos, que agora estão sendo alterados.

Diferentemente das outras torcidas organizadas da USP, o BANDO possui uma diretoria. Essa composição se deu no final do ano passado e faz parte da reestruturação da organização.

Ferraz destaca as dificuldades enfrentadas pelos atletas da EACH como uma das motivações para que o BANDO exista. A situação muitas veze precárias as quais estão sujeitos os atletas, faz com que a torcida se torne ainda mais importante, afirma: “É muito deslocamento, falta de equipamento, falta de dinheiro, falta de suporte da reitoria, é boicote de outras faculdades… Mesmo assim a galera da EACH persiste e se dedica de verdade. Então eles realmente merecem uma torcida de verdade. Pessoas dispostas a estarem lá gritando por eles.”

O plano agora é estruturar ainda mais o BANDO como torcida de fato e assim, cada vez mais, desempenhar um papel importante no fomento e apoio ao esporte eachiano.

Crédito foto de capa: Jogo Futsal Masculino, Caipirusp 2015, Guaíra. Por Scrotos Breja & Ressaca