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Por Mateus Bizetti

 

[dropcap]C[/dropcap]omeço de ano da(o) aluna(o) USP todo mundo conhece, né? Semana de recepção, tomar umas brejas com o pessoal que acabou de entrar, se sentir meio velha(o) ao perceber que não conhece mais absolutamente NIN-GUÉM na faculdade… Mas o ano esportivo não começou nem um pouco parecido com isso.

Enquanto você se recuperava das festas de recepção da sexta, o Torneio EEFE de Handebol começava, tomando os finais de semana dos dias 20 e 21, 27 e 28 de Fevereiro.

Envolvendo majoritariamente equipes USPianas, o torneio que segue moldes europeus dos “torneios de verão” (jogos curtos, muitas vezes com equipes jogando mais de um jogo por dia) também contou com algumas equipes de fora da Cidade Universitária. Direito e Engenharia Mackenzie, INSPER, Medicina Paulista, Medicina Jundiaí e GV marcaram presença nos finais de semana.

Organizadora e idealizadora do evento, Cristiane Mouro explica que este nasceu como uma alternativa da Atlética da EEFE USP para arrecadar dinheiro no início do ano. “Hoje é organizado pelas equipes Feminina e Masculina da EEFE, ainda na ideia de levantar fundos, mas também vem ganhando força como um torneio de início de ano para muitas equipes”, conta.


Leia também: Do universitário ao profissional: as dificuldades do handebol feminino no Brasil


Integrante da comissão técnica de Direito Mackenzie, FEA e Pharmácia, Eduardo Abdalla fala sobre a relevância do campeonato na preparação das equipes para a sequência de jogos no ano: “a importância desses tipos de campeonatos é identificar já no início da temporada que carências que o time tem, tanto com relação a atletas como com relação a aspectos táticos, técnicos e físicos”. Vitor “Vitinho” Baricelli, que joga pela equipe da EEFE e também técnico de FEA e Física, aponta que “esses torneios auxiliam na preparação das equipes e na ansiedade de voltar a jogar” pós-férias.

Na edição deste ano, participaram 24 equipes (12 femininas e 12 masculinas) reunindo 17 Atléticas diferentes. Após a disputa de primeira fase, em grupos, classificaram-se para as semifinais todas as equipes, separadas, porém, em séries Ouro, Prata e Bronze, para respectivamente as primeiras, segundas e terceiras classificadas em cada grupo.

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Por Beatriz Escalhão

Pela série ouro sagraram-se campeãs as equipes da Medicina USP no naipe feminino e, pelo lado masculino da tabela, a anfitriã EEFE USP levantou o caneco. A série prata teve como campeãs femininas Engenharia Mackenzie sobre a arqui-rival Poli e na reedição da final da NDU 2015 o INSPER levou a melhor sobre a Pharmácia USP. O hall de campeões ainda contou com a Física Feminino e GV masculino pela série bronze.

Torneios de verão: uma inspiração que vem de fora

Torneios nesses moldes são comuns em outros lugares do mundo, tendo talvez como expoentes do handebol o Partille Cup, disputado em Gotemburgo, Suécia. O modelo de jogos curtos e várias partidas por dia permite, além da competição em si, a integração entre os times, que passam o dia nas quadras, assistindo outros jogos. “Esse formato possibilita que o ginásio fique cheio e cria um ambiente bem gostoso de prática e convivência” aponta Eduardo.

Sobre a função – ou somente efeito – deste tipo de campeonato quanto à divulgação do esporte universitário, ambos os técnicos apontam que os “torneios de verão” são poucos e podem contribuir fortemente para o seu fortalecimento. “Lembrar que esse tipo de campeonato em níveis profissionais, como é o exemplo do futebol ou da NBA, tem (…) disseminação da popularidade da modalidade em lugares diferentes do que geralmente elas são praticadas. Isso ainda não é explorado no nível universitário até pela carência de torneios desse modelo.” lembra Eduardo. “Quanto mais competições bem organizadas e com a divulgação que tem aumenta a visibilidade e credibilidade do esporte” completa Vitinho.

Pelo pequeno espaço físico e tempo disponível para a realização deste tipo de competição, destaca-se a importância de outras iniciativas, espalhadas pelos diferentes campi ou IES como uma alternativa interessante à promoção e desenvolvimento do esporte universitário. Isso porque, como aponta Eduardo, esses torneios levantam também discussões estruturais, uma vez que são “uma forma de buscarmos nos aproximar da seriedade e organização, colocando em discussão aspectos estruturais do esporte universitário que ainda são carentes de evolução, como remuneração dos e das profissionais envolvidos e envolvidas, nível de preparo deles e delas (treinadores, árbitros, representantes e etc…), estruturas dos campeonatos, etc”.

 

 

 

Foto de capa por: Beatriz Escalhão.

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