Por Nelson Niero Neto | Jornalismo Júnior

 

[dropcap]O[/dropcap] rugby não é um esporte violento. Quem garante é Maittê Harumi, capitã da equipe da FFLCH, campeã dos Jogos da Liga deste ano. “É um esporte de contato, é verdade”, afirma ela, “mas não violento”. Sobre o fato de muita gente ter essa ideia do esporte, ela revela que, antes de começar a jogar, também relacionava-o com uma certa “brutalidade” – algo que não condiz com o que encontrou na prática: solidariedade e respeito entre as jogadoras e a preocupação com a segurança dos atletas.

O primeiro contato com o rugby aconteceu em 2014, seu 4º ano no curso de Filosofia. Antes disso, ela já tinha visto cartazes da Atlética no vão da História e da Geografia chamando os universitários para treinar. Naquela ocasião, no entanto, ela não tinha interesse em praticar esportes. Isso mudou quando uma amiga a convenceu a ir a um treino, momento no qual ela conheceu de fato a modalidade e passou a gostar muito, “mesmo não sabendo muito bem o que estava fazendo em campo no início”.

rugbymaitteNa sua lista de vitórias e campeonatos inesquecíveis, não poderia ficar de fora o título dos Jogos da Liga, conquistado esse ano. “Foi incrível”, conta ela, “fiquei muito orgulhosa do time porque conseguimos aplicar o que a nossa treinadora Maíra Bravo nos ensinou e também evoluímos muito no decorrer da competição”. Ela destaca a capacidade que a equipe teve de consertar erros durante o torneio e, com isso, crescer na disputa e chegar até a final. “Todo jogo teve suas dificuldades e desafios particulares, pois os times inscritos eram muito bons”, comenta, “mas a final, contra o Rugby USP, sem dúvida foi a partida mais difícil”. Ela recorda que o time estava tenso e com muita expectativa no começo da partida – o que atrapalhou um pouco o rendimento inicial – mas conseguiu reagir e virar o placar. “As meninas jogaram com muita raça e determinação”, ressalta.

Outra memória marcante de Maittê é o primeiro amistoso que jogou com a equipe da FFLCH. Em um time que contava também com as meninas da FeaOdonto, ela jogou contra o Rugby Feminino da Mauá. “Eu tinha menos de um mês de treino e estava com muito medo de fazer tudo errado”, relembra, “mas deu tudo certo, e no final me diverti bastante”. Esse episódio foi muito importante para ela se dar conta que gostava mesmo de rugby e queria continuar treinando e jogando.

Quando questionada sobre a sensação de ser a capitã da equipe, ela descreve como uma grande honra e, ao mesmo tempo, um grande desafio. “É um aprendizado constante”, revela, “pois sou muito tímida e introspectiva, mas nós construímos juntas uma relação de respeito e nos sentimos como uma família”. Humilde, Maittê diz que sua principal função é falar com a arbitragem durante os jogos, já que apenas o capitão tem permissão para isso. Em outras questões relativas à organização da equipe, ela destaca o sentimento de coletividade e a importância de todas atletas participarem das decisões.

Feliz com a evolução dos times femininos no rugby, principalmente no circuito uspiano, ela destaca a criação de diversos times universitários que vem ocorrendo nos últimos anos. “Nós vemos esse crescimento do esporte a cada jogo e a cada campeonato”, ela conta. Um processo de desenvolvimento que, sem dúvida, conta com a notável participação do Rugby Feminino da FFLCH.

 

 

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