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Por Carina Brito | Jornalismo Júnior

 

[dropcap]A[/dropcap]pós um treino longo e exaustivo, é muito comum ouvir os atletas reclamando de dores intensas pelo corpo, especialmente nas costas, mas engana-se quem pensa que só os treinos são responsáveis por causá-las. Muitos aspectos da rotina influenciam para agravar esses problemas como, por exemplo, a postura no trabalho e estudo, a maneira de sentar, de ver televisão e até mesmo o jeito de dormir.

O problema na coluna também pode ser influenciado pela modalidade esportiva. Isso acontece porque cada esporte tem um movimento próprio, e se for feito de forma errada, causará a lesão. Segundo a fisioterapeuta esportiva Maria Cecília Martins, as lesões mais comuns nos jovens atletas são contraturas (quando ocorre a contração do músculo de maneira incorreta), contusões e distensões musculares. No geral, a tão conhecida hérnia de disco é uma doença mais comum em atletas veteranos que já praticam a modalidade há mais tempo, treinam com mais volume e mais esforço.

Gilberto Bergamo é jogador de handebol da Biologia da USP e com apenas 22 anos já sofre os efeitos dos problemas na coluna. Após dois meses de dores intensas, Gilberto foi ao médico e descobriu que estava com hérnia de disco. “Achei que fosse alguma coisa muscular ou algum estresse pelo treino, mas continuou doendo e fui atrás. Descobri que era hérnia de disco mesmo”, diz.

Mesmo depois de oito meses de tratamento, Gilberto ainda sente os efeitos da doença. “Às vezes, se eu estou sentado de forma errada ou acabo me esforçando muito carregando alguma coisa, volto a sentir a dor. Eu trabalho muito sentado, então se eu não me policio para ficar reto, eu acabo sentindo dor de novo.” Depois desse tempo em tratamento, o atleta pretende retornar aos treinos e continuar com a fisioterapia. “Se me sentir melhor, eu paro com a fisioterapia, mas acho que devo continuar por mais dois ou três meses.“, completa.

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Diversos fatores influenciam para o atleta adquirir um problema na coluna. O principal é começar a treinar acreditando que é possível simplesmente praticar o esporte, mesmo sem a orientação adequada. Essa orientação deve ser feita de uma maneira multidisciplinar, com vários profissionais envolvidos, e não necessariamente apenas com o técnico, principalmente no nível universitário. O fisioterapeuta exerce uma função importante de corrigir o movimento do atleta para que ele se recupere de lesões e se previna de outras, complementando o trabalho do técnico.

O tratamento a ser recebido depende da gravidade da lesão e da intensidade da dor, sendo necessário, em alguns casos, o uso de medicamentos. Existem diversos tipos de tratamento da dor muscular, como eletroterapia, fototerapia, acupuntura, terapia manual, bandagens e até mesmo a já conhecida compressa quente, que ajuda a musculatura contraturada a dar uma relaxada e aliviar a dor. Essa parte do cuidado da dor é uma vertente do tratamento que é realizada pra dar conforto ao atleta e permitir que ele possa continuar treinando.

Contudo, o principal é detectar o movimento que o atleta está fazendo errado e tentar corrigí-lo. “Pra corrigir o movimento, temos que avaliar se ele tem força adequada, mobilidade articular e estabilidade. O problema é que se você só trata a dor, é como dar um medicamento que faz a dor passa, mas conforme vai fazendo de novo o movimento errado, a dor volta e se torna um ciclo vicioso.”, afirma a fisioterapeuta.

Com o passar dos anos, a ciência evoluiu muito e surgiram novos conhecimentos para entender melhor como ocorriam as lesões e como seria a melhor maneira de tratá-as. “Isso incluiu um entendimento a cerca dos diversos fatores que influenciavam no desempenho esportivo e da necessidade de trabalhá-los de maneira multidisciplinar para oferecer o máximo cuidado ao atleta.”, finaliza a fisioterapeuta.

Melhor do que correr o risco de adquirir a doença, é já agir com a prevenção. A orientação de profissionais de diversas áreas desde o começo é fundamental para que o atleta já comece a trabalhar pensando no foco preventivo, e não apenas no tratamento após lesão.

 

 

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