Por Marília Fuller | Jornalismo Júnior

 

[dropcap]T[/dropcap]ranquila e sorridente, Isabella Mezzadri transborda serenidade. Aos 21 anos, a estudante do quinto ano de Publicidade e Propaganda da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP coleciona medalhas no esporte universitário e espalha boas vibrações aos mais de 14 mil seguidores na sua página online Invertisa, na qual ela fala sobre seu cotidiano, os esportes que pratica e – claro – o yoga, grande motivador do novo futuro o qual tem traçado para sua vida nos últimos anos.

“Gosto de esportes desde pequena. Pratiquei ginástica olímpica, fazia bastante natação por causa da escoliose, jogava futebol e até trapézio no circo eu pratiquei”, conta. Sempre incentivada a praticar exercício físico, tinha aulas de escalada durante o ensino fundamental e releva que “tudo aquilo que envolve esporte e natureza, eu acho legal e gosto de fazer”. Talvez um desses exemplos seja uma competição da qual ela participou antes de estudar na ECA, que consistia em atravessar a nado o lago ao lado do parque de diversões Hopi Hari, no interior de São Paulo. “Eu pensei que morreria, mas acabou dando tudo certo”, brinca.

Na USP, começou jogando basquete pela faculdade, Depois de dois anos, no seu segundo BIFE, foi incentivada pelos amigos a participar do Atletismo, pois eles acreditavam que ela corria muito bem. Sua performance foi boa e, dai em diante, nunca largou o esporte – diferente do Basquete, do qual ela se despediu na mesma época. Disputou mais BIFEs, jogos da NDU, da Liga, a Copa USP e mal sabe contabilizar quantas medalhas possui.

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Foto: Arquivo pessoal

Foi diretora de modalidade do Atletismo e, em 2013, ganhou o Leão de Ouro – premiação anual da ECA para os destaques atleticanos – de “Destaque do Atletismo”. “É o prêmio mais fofo do mundo e eu o guardo com muito carinho”, diz Isabella. Hoje, ela e mais três meninas do Atletismo ECAno formam uma equipe de revezamento bastante vitoriosa: ganharam duas medalhas de ouro em duas competições no final de 2014 e iniciaram 2015 com uma prata.

Quando Isabella tinha 10 anos, seu pai era casado com uma professora de yoga. “Ela tinha um espaço de yoga e, quando passava os finais de semana com o pai, eu praticava”. Mesmo ainda pequena, ela já conseguiu perceber os benefícios: sua coluna, com o problema da escoliose, melhorou mais durante o período do yoga comparado com a época em que praticava apenas natação e fazia sessões de RPG. Durante o ano do vestibular, praticou bastante e acredita que não teria entrado na USP sem o yoga.

Isabella conta que yoga é, sim, uma prática física, mais muito mais mental. Com as conhecidas posições e sequências de posturas, chamadas de asanas, seu alongamento melhorou e seu corpo foi fortalecido. “Meu salto em distância no atletismo, por exemplo, não passava de 4 metros. Praticando yoga e estando mais alongada, consigo fazer uma passada melhor, com um movimento mais bem executado e o resultado foi que aumentei minha distância para 4,5 metros”, conclui.

Contudo, ela acredita que o maior beneficio que o yoga a trouxe foi mental. Segundo Isabella, o objetivo do yoga é a expansão da mente, o que exige prática constante. “A meditação e as práticas de respiração – as pranayamas – fazem você ter uma percepção cada vez melhor da sua mente e de como ela realmente funciona. Conseguindo perceber melhor como as coisas realmente são, você fica mais pleno e tranquilo para tudo na vida, inclusive nas competições”.

Em 2013, sua vida estava conturbada e isso a afetava fisicamente. “Tinha gastrite, estava sempre estressada. Tudo o que eu pensava era que eu queria estar dando aula de yoga na praia”. Foi ai que resolveu abrir mão de tudo aquilo que a estava fazendo mal e, na mesma semana, criou o Invertisa. Voltando a praticar yoga, Isabella criou a página, em um primeiro momento apenas no Instagram e no Facebook, para compartilhar o que a fazia feliz, tentando incentivar as pessoas a viverem vidas mais satisfatórias também. “Eu seguia blogs de vários perfis e achei legal fazer o mesmo, falando de yoga, da importância do exercício físico e passando mensagens legais para os leitores”, completa.

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Foto: Arquivo pessoal

O alcance de sua página tem sido muito bom, mas o que a deixa mais feliz é poder ver o impacto que o Invertisa tem na vida de algumas pessoas. “Muita gente vem me agradecer pelo incentivo que dou e eu me emociono muito!”. Para ter mais embasamento, Isabella fez um curso de yoga para se tornar professora, no qual aprendeu não apenas a prática, mas também o pensamento filosófico indiano. Segundo ela, as aulas mudaram seu ponto de vista sobre diversos aspectos. “Durante o final de semana, o curso me ensinava que já somos completos e não precisamos de mais nada para sermos felizes. Chegava a segunda-feira, no trabalho, e eu tinha uma crise de princípios: precisava fazer uma campanha publicitária vendendo um carro, convencendo as pessoas de que elas precisam daquilo”, revela.

Hoje, leva uma vida que a deixa muito mais realizada. Ainda pratica atletismo pela ECA e tem uma alimentação mais natural e saudável, incentivando seus leitores a tentarem viver sem seus pequenos “vícios” alimentares. Há cerca de 10 meses, parou de comer carne vermelha e quer chegar a ser vegetariana algum dia. Deixou seu antigo trabalho no mesmo dia em que o Invertisa completou um ano e, logo depois, criou uma marca de acessórios chamada Azzem. Desde outubro de 2014, está fazendo um curso de formação para terapia em ayuverda, medicina tradicional indiana que, segundo Isabella, conversa bastante com o yoga. “O blog eu não encaro como um trabalho: é meu hobbie e eu adoro poder ajudar as pessoas”, finaliza.

 

 

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