Por Mateus Feitosa e Rafael Oliveira | Jornalismo Júnior

 

[dropcap]A[/dropcap] Liga Atlética Acadêmica da Universidade de São Paulo (LAAUSP) convoca anualmente os melhores atletas das diversas modalidades praticadas na Universidade Paulista para compor as chamadas Seleções USP. O principal campeonato disputado pelas Seleções USP é a “Copa Unisinos”, realizada desde 1987 no campus da universidade homônima em São Leopoldo, no Vale do Rio dos Sinos gaúcho.

Em sua última edição, que ocorreu entre os dias 16 e 19 de outubro de 2014, a Copa Unisinos contou com a participação de pelo menos oito instituições de ensino de estados como Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, além de duas universidades uruguaias. Na edição do ano passado, foram disputadas onze modalidades diferentes, em um total de vinte competições, sendo que o futebol de campo e o rubgy só foram realizados na categoria masculina. O principal objetivo do torneio organizado pela Unisinos é, segundo o próprio site do campeonato, “reforçar a cultura esportiva universitária na perspectiva da prática do esporte como educação, saúde e qualidade de vida”.

Nas quatro edições mais recentes da Copa Unisinos, as Seleções USP apresentaram um bom desempenho, ficando entre as três melhores em vinte e três disputas. O handebol masculino e o futsal feminino foram os principais destaques nesse retrospecto recente, já que atingiram o pódio nas quatro oportunidades. Mais especificamente em 2014, as equipes da LAAUSP conquistaram cinco pódios na Copa Unisinos, com títulos no masculino do futsal e judô, vices no handebol masculino e feminino e um terceiro lugar no futsal feminino.

Apesar dos bons resultados atingidos no sul do Brasil nesta década, tanto os atletas quanto as comissões técnicas das Seleções USP sonham ainda mais. Diversas modalidades ainda não conseguiram chegar entre as primeiras colocadas e até mesmo os esportes USPianos com maior tradição na Copa Unisinos desejam alçar vôos ainda mais altos no campeonato.

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Atletismo USP na Copa Unisinos em 2009. Foto: Ana Nunes

Pautada nesse desejo, a LAAUSP promoveu em 2015 uma grande mudança na estruturação das equipes. Visando tornar ainda mais consistente o desempenho da USP no principal campeonato disputado pela universidade, a Liga resolveu antecipar consideravelmente o início dos treinos das seleções: até 2014, as convocações e o início dos treinamentos ocorriam somente no segundo semestre; neste ano, os melhores atletas da USP foram convocados e começaram a sua preparação já no primeiro semestre.

Além de treinamentos antecipados, boa parte das Seleções USP acrescentaram em seu calendário de competições os Jogos Universitários do Estado de São Paulo (JUESP). A LAAUSP disputou o campeonato – organizado pela Federação Universitária Paulista de Esportes (FUPE) – no futsal, vôlei e handebol masculino e feminino, além do basquete masculino, obtendo resultados medianos. A Seleção USP de basquete feminino disputou a Nova Copa de Basquete (NCB), sendo eliminada nas quartas de final pela equipe do Clube Pinheiros.

Segundo o presidente da LAAUSP João Francisco Vargas Meireles, a antecipação dos treinos das seleções é “uma tentativa de fazer isso [o desempenho na Copa Unisinos] dar certo”, permitindo que a meta de alcançar mais títulos do que nos anos anteriores seja atingida. Meireles também reiterou a influência dos atletas e comissões técnicas na tomada desta decisão.

Em entrevista para a Revista BEAT, o treinador da Seleção USP de basquete feminino Paulo Mardegan ressaltou a importância da “ótima iniciativa” tomada pela LAAUSP para “fomentar as seleções no primeiro semestre”. Para Mardegan, a antecipação dos treinos permite “mais tempo pra trabalhar e mais opções de estratégias a serem adotadas para um trabalho no ano inteiro”. Segundo o treinador, a mudança permitiu que mais atletas fossem convocadas, ampliando o leque de possibilidades da equipe.

A disputa da NCB, que ocorreu no primeiro semestre desse ano, serviu “como um preparatório para o nosso principal objetivo, que é a Copa Unisinos”, segundo o técnico. Mardegan ressaltou o bom desempenho de suas comandadas contra equipes formadas por ex-atletas profissionais e enfatizou que a participação no campeonato não visava o título, mas sim “visualizar todas as atletas e [descobrir] com quais meninas a gente poderia contar”.

Sobre a Copa Unisinos, o treinador destacou a inconstância da competição, que “tem vezes que é turno único, tem vezes que são chaves, teve alguns anos que nem aconteceu”. Apesar dessa falha na organização do torneio, Mardegan ressaltou que a Seleção de Basquete Feminino está se preparando independente da definição dos adversários, e que o objetivo da equipe é fazer a melhor Unisinos possível, saindo campeã.

O técnico, que já trabalhou com as seleções brasileiras femininas sub-16 e principal de basquete, destacou também a importância das Seleções USP para o esporte da universidade em geral. Segundo ele, a melhora do desempenho que os atletas atingem ao treinar em nível competitivo semanalmente com a seleção é levada para as suas respectivas Atléticas, melhorando o nível técnico das equipes e das competições internas organizadas pela LAAUSP. Além disso, o treinador acredita que as seleções servem como “fator motivador”, já que “quem realmente gosta da modalidade (…) vai se empenhar muito para fazer parte disso, então, consequentemente, o compromisso com a atlética também melhora”.

Ao ser questionado sobre a ausência de grandes equipes da modalidade na USP, Mardegan disse que o basquete USPiano é “o reflexo do que é o basquete feminino nacional”, com “um volume inicial de atletas muito pequeno”. Apesar disso, o treinador vê a modalidade com “perspectivas legais, principalmente porque a gente vê bons técnicos formando as equipes”. O técnico apontou o basquete feminino universitário como “democrático”, já que “dá oportunidade de quem nunca praticou a modalidade, ter a experiência de iniciar na universidade e se tornar competitiva”.

Uma das atletas de Mardegan, a jogadora da Física e da Seleção USP Gabriela Camargo Campos, acredita que o início dos treinos logo no primeiro semestre é algo positivo. Para ela, que já disputou torneios pela Seleção, um fator constante que deixava a equipe em desvantagem frente aos outros times era o entrosamento. “No geral os times que vão para a Unisinos jogam juntos o ano todo, enquanto que a seleção acabava ganhando entrosamento na parte final dos treinos e ao longo do próprio campeonato’’. Gabriela reiterou ainda a importância da sua equipe ter disputado a NCB no primeiro semestre, tanto para estimular a participação nos treinos quanto para o entrosamento do time. Apesar da melhora no desempenho da equipe, a atleta destacou a dificuldade em conciliar a rotina de treinos da seleção e das respectivas atléticas.

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Gabriela (terceira em cima, da direita para a esquerda), campeã em 2008 e 2011. Foto: Rafael Benaque

Ao ser questionada sobre suas expectativas quanto ao desempenho da modalidade na Copa Unisinos, Gabriela disse não ter dúvidas de que o basquete feminino conseguirá ir forte para o campeonato. Segundo a atleta, nos últimos anos, por uma somatória de motivos, o time passou por uma série de dificuldades, que resultaram inclusive na impossibilidade de participar do torneio em 2014. Para ela, esse momento foi representativo de um “processo de esvaziamento da seleção” que enfraqueceu e desvalorizou a equipe. “Não é legal ver algo do qual você participou tanto tempo e deu duro se esvaziar”, comentou a atleta, que ainda ressaltou a crença de que a seleção vive um novo momento, apontando sua esperança de que “seguindo o pique deste primeiro semestre, o basquete feminino consiga levar um time legal para a Unisinos e a seleção volte a ser forte e valorizada’’.

Para Gabriela, a seleção exerce um papel extremamente importante no desenvolvimento do atleta. De acordo com a aluna, a equipe funciona como um “espaço privilegiado de treino” para os convocados e, especialmente em relação aos treinos do basquete feminino, permite “treinar com mais meninas, que são tecnicamente melhores, num treino mais puxado, [o que] faz com que melhore tática e tecnicamente”.

Apesar dos elogios, a jogadora de basquete da seleção ressaltou a importância de que as Seleções USP sejam fomentadoras de integração no esporte da USP. Para a atleta, a seleção deve ser inclusiva e trabalhar contra as “panelinhas”, além de tentar fazer uma convocação o mais justa e ampla possível, olhando desde as Atléticas grandes até as pequenas. Mais do que isso, as seleções não devem ter o papel de separar os atletas da USP como “quem é e quem não é da seleção”, formando um grupo seleto.

As Seleções USP disputarão a Copa Unisinos entre os dias 22 e 25 de outubro. Seja na integração, seja no desenvolvimento geral do esporte na USP, seja simplesmente na busca de melhores resultados no seu principal campeonato, as mudanças promovidas pela LAAUSP na organização das seleções em 2015 poderão render bons frutos.

 

[A equipe da Revista BEAT tentou ouvir atletas com opiniões desfavoráveis à lógica da Seleção, mas não obteve sucesso.]

 

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