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Por Patricia Magalhães

[dropcap]F[/dropcap]inal de semestre na Universidade é sempre uma loucura: mil provas, trabalhos para entregar, e aí bate aquela dúvida: ‘’ será que eu falto no treino para estudar?”. Eu já me deparei com essa situação em vários momentos da minha vida universitária, mas com o tempo aprendi a lidar com esse aparente conflito e sempre digo isso às bixetes: “não deixem os estudos atrapalharem o basquete”.

Você deve estar pensando que eu não gosto de estudar ou que coloco o esporte acima dos estudos. Bom, lamento desapontá-los, mas não só gosto de estudar como optei por seguir a carreira acadêmica. Hoje já são 13 anos estudando e sempre jogando basquete.

No Instituto de Física, de onde venho, a intensidade dos cursos faz com que a pressão sobre a necessidade de estudar seja quase cotidiana. Infelizmente, já perdemos muitas meninas no time por causa da dificuldade em conciliar o esporte e os estudos. Isso é mais grave ainda quando as meninas são do noturno e trabalham (nesse caso, eu me abstenho e digo que essas são as verdadeiras heroínas!). Mas foi exatamente nesse cenário que o basquete passou a ser essencial para minha sanidade mental. Diante da tensão, nada melhor do que a adrenalina dos treinos, correr, suar e deixar o cérebro descansar por algumas horas.

Reconheço que o objetivo final da vida universitária é (ou deveria ser) o desenvolvimento intelectual no curso que escolhemos, mas as atividade esportivas, culturais e políticas também fazem parte deste pacote que se chama Universidade. Você sabia que há algum tempo a prática de esporte, por pelo menos um semestre, era disciplina obrigatória para todos os alunos da USP? É um reconhecimento dos inúmeros benefícios que o esporte traz para nossa vida.

Eu reconheço a importância que o basquete tem hoje para a minha qualidade de vida. Além da atividade física, é também um momento em que encontro minha amigas, dou muita risada e consigo descarregar a tensão do dia-a-dia. Por isso, aprendi a respeitar esse espaço e colocar os treinos entre os compromissos sérios que tenho na semana. Aqueles que faltamos apenas em casos de emergência, como curso de línguas, terapia, etc. Notem que prova e trabalho não são emergências! Se programe para estudar com antecedência e não considere o horário do treino um momento livre na sua grade!

Os benefícios de um treino levado a sério são incríveis. Quando todas as meninas do time, independente do tamanho dele, se comprometem e vão regularmente aos treinos, o reflexo é imediato: animação geral e um salto de qualidade impressionante. Ao longo destes anos jogando já passei por muitas situações de baixa no time, às vezes brincamos que somos uma fênix: já renascemos algumas vezes das cinzas. Dessas experiências notei que a falta de comprometimento com os treinos e a própria incerteza sobre a sua existência – dada a quantidade de meninas que estariam presentes –  sempre conduzia o time a uma crise.

Por isso, levem a sério a minha dica: estudem com antecedência, se organizem durante todo o semestre para não deixar os estudos atrapalharem a prática do seu esporte. Os treinos e os jogos são parte importante da nossa formação, assim como os estudos, além de ser muito legal, claro. O fato é que eles não precisam ser excludentes, é possível conciliar os dois!

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