Por Daniela Bernardi

 

[dropcap]A[/dropcap]tleta universitário costuma achar que qualquer partida é a mais importante da vida. “Não posso perder esse Juca”… “É o último ano de time forte na InterMed”… “Final de NDU? Preciso estar!”. E quem paga o pato por essa paixão irracional é ninguém menos que o próprio – coitado – corpo.

Em qualquer equipe sempre tem alguém com um ombro lesionado, um joelho torcido ou um dedo quebrado. “É só uma estiradinha… Vou tomar antiinflamatório.” Joelheiras, esparadrapos e talas já fazem parte do kit básico de um DM. Mas será que vale a pena?

Meu pai sempre disse que existem três modos de aprender: refletindo sobre o assunto, observando a realidade ou vivenciando na própria pele. Eu aprendi os limites do meu corpo com a pior das opções, a última. Rompi o Ligamento Cruzado Anterior do joelho esquerdo e continuei jogando até destruir o LCA do direito também. Como “não podia perder o Juca da minha gestão da atlética” decidi fazer uma dupla operação para a recuperar o mais rápido possível.

Resultado? Afrouxamento do enxerto esquerdo e rerrotura do direito antes mesmo de completar seis meses de fisioterapia. Foi aí que caiu a minha ficha. Eu não sou atleta profissional, não dependo do esporte para me sustentar e tenho muitos outros projetos na vida que podem ocupar o tempo livre deixado pelos treinos. Então, por que não me recuperar com calma?

Eu sei. Você, atleta lesionado, deve estar pensando “quanta bobagem! O esporte é a minha maior felicidade.” Também é minha, acredite. Nado desde os 2 anos e handebol era mais importante que a Fuvest na minha adolescência. Mas entendi que se eu não cuidasse do meu corpo agora, em vez de perder um Juca, deixaria de curtir todos os próximos possíveis dias de patins, corrida e trilhas.

Por isso, decidi não jogar o Juca (apesar de já ter seis meses desde a cirurgia) e esperar até agosto para voltar às quadras. Com calma. Hoje, após quatro anos, não sinto dor, graças à musculação que faço três vezes por semana. Não adianta escapar disso. O trabalho de fortalecimento e de propriocepção (equilíbrio e consciência corporal) é fundamental para proteger as articulações.

E quando me sinto exausta, descanso. Os meus times sempre souberam das minhas limitações. Tanto é que quando participava de mais de uma modalidade em um inter, deixava de jogar algumas partidas para não correr o risco de fadigar.

Então, amigo, relaxe a ansiedade e recupere direito a sua lesão. Se você for calouro, pense que ainda terá muito anos de esporte universitário pela frente. Se você estiver nos últimos anos, lembre-se de que a vida segue depois da faculdade e você vai precisar de joelhos, ombros e costas em ordem para aguentar o ritmo que não para. E não se esqueça da musculação, tá?

 

Texto produzido por:
daniela bernardi Daniela Bernardi: Jornalista, ex-atleta de handebol e basquete da ECA-USP, com quatro operações de LCA nos  joelhos. Hoje, aprendiz de patinadora.