Por Paula Thiemy | Jornalismo Júnior

 

[dropcap]E[/dropcap]les são o símbolo da atlética e é com eles que os alunos se identificam. Os mascotes, animais que representam o curso ou a faculdade, estampam os produtos, animam a torcida e incentivam os atletas. Depois de ficar sabendo a história do rato politécnico, do mascote fofinho do IME, do bicho de caverna da FAU, do canguru feano e do Leão da ECA, você vai descobrir como surgiram outros quatro mascotes de faculdades da USP.

 

O Jegue internacional

RI

Até 2002, o curso de Relações Internacionais da USP não tinha um Centro Acadêmico. Isso mudou em novembro daquele ano, quando um grupo organizou uma reunião, chamou o pessoal do curso e teve a ideia de formar um CA, que não existia até aquele momento. A discussão começou pelo nome, mas Guimarães Rosa ganhou disparado, ficando a frente de outros como Rui Barbosa. No ano seguinte, quando o que eles chamam de T2 (a segunda gestão da atlética) entrou, começaram as discussões sobre cores, símbolos e mascotes para o curso. É aqui que o jegue entra em ação.


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Já existia a ideia de usar um jegue como mascote, já que em A Hora E A Vez De Augusto Matraga, obra de Guimarães Rosa, o animal aparece. Porém, não foi uma decisão unânime. Thiago Ermel, outro integrante da T2, fez campanha para que o mascote fosse uma barata, inclusive criou paródias com a música “A Barata Diz Que Tem” e fez até um samba-enredo com o assunto. Mesmo com toda a criatividade e muitos adeptos da barata, o jegue ganhou. Depois, a combinação preto-azul-branco foi escolhida para representar o curso, concorrendo com laranja-azul e vermelho-branco-azul.

 

O Tamanduá Biólogo

BIO

O tamanduá era símbolo do departamento de Zoologia há alguns anos e acabou ficando como mascote do Instituto de Biologia. A escolha é relacionada à excentricidade do formato do animal e por ele ser um bicho visto como fofo, mas que pode te machucar com as garras enormes. Além disso, o focinho aumenta ainda mais o carisma do animal.

O tamanduá bandeira é o mascote oficial mas, como não tem muitas fotos e poses, geralmente o tamanduá-mirim é utilizado para banners e divulgação de eventos, já que este é uma espécie mais “móvel” (sobe em árvores, fica sobre as duas patas). O mascote aparece com mudanças de humor, mas nunca com características de musculatura humana. A lagartixa (nomeada Prexeca) também aparece bastante como mascote: apesar de não ser tida como oficial, é a mais querida. Alguns times da Biologia também possuem um mascote próprio além do tamanduá, caso do handebol (mamute) e do basquete (girafa).

 

O polvo educador

FE

O processo para escolha do mascote da atlética da Faculdade de Educação (FEUSP) foi bastante democrático. O pessoal da atlética abriu inscrição para desenhos de mascotes, que foram votados. Os mais votados tiveram um texto justificando o desenho, escrito pelo próprio autor das imagens.

O polvo ganhou. Na justificativa, os vários tentáculos apareciam relacionados à vontade de tocar múltiplos ritmos, diferente de muitas baterias universitárias. Além disso, também havia o fato da “mão-de-obra” na FEUSP não ser muito extensa, então era uma maneira de representar que quem estivesse na Bateduca – bateria da Faculdade de Educação – estaria disposto a ser multitarefa. As cores foram escolhidas em outra votação.

 

O gato das humanas

FFLCH

O gato preto foi escolhido pela fama de ser uma animal misterioso, que gosta de liberdade, vagabundo que vive na malandragem das ruas e de “mau agouro”, que provoca medo e é rejeitado pelas pessoas. Isto representava o estereótipo, e até certo preconceito que os alunos da FFLCH sempre sofriam dentro da USP, quando comparados aos outros representantes da “elite intelectual da família brasileira”. Por isso, em reação, a atlética da FFLCH resolveu assumir o estereótipo.

As sete vidas dos gatos também representavam a persistência da atlética e dos atletas da FFLCH, que não se desanimavam com as derrotas na vida esportiva universitária. A música “História de Uma Gata”, dos Saltimbancos, era cantada como hino para distinguir a diferença entre a FFLCH (“gatos/as livres vira-latas”) e as demais faculdades (“gatos/as de madame/de apartamento/condomínio/criados a base de Sucrilhos e leite com pêra).

 

Foto de capa: Alan Meneghelli

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