article inline adarticle inline ad

Por Carolina Oliveira e Paula Thiemy | Jornalismo Júnior

 

[dropcap]S[/dropcap]ão tempos difíceis para os frequentadores de festas uspianas e para as atléticas organizadoras dessas festas. Desde o dia 2 de dezembro o Conselho Gestor da USP proibiu a realização de grandes festas dentro do campus da Cidade Universitária, assim como a venda de bebidas alcoólicas. A decisão foi levada à Procuradoria-Geral da Universidade e, se aprovada, passará a vigorar neste ano de 2015. Depois disso, eventos dentro do campus só poderão acontecer se previamente autorizados pela Prefeitura do Campus e pelo diretor responsável pela unidade onde ocorrerá. O documento oficial diz que  “só serão autorizados eventos festivos que tenham compatibilidade com a vida universitária, em locais que comportem o público esperado, que não interfiram nas atividades essenciais à universidade e reúnam, majoritariamente, pessoas da comunidade da USP”.

O cuidado com as festas no campus já vinha em uma crescente, e o estopim foi a morte do estudante Victor Hugo Santos, em setembro de 2014. O jovem estava em uma festa organizada pelo Grêmio Politécnico da Escola Politécnica, que reuniu 5 mil pessoas, no velódromo da USP, quando desapareceu. Após três dias seu corpo foi encontrado na raia olímpica da Universidade, que fica a alguns metros do local de realização do evento. Desde o acontecimento, todas as festas de proporção semelhante dentro do campus foram suspensas.

A Cidade Universitária não é a única na mira do fim das festas. A diretoria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), que tem um espaço próprio em Pinheiros, também proibiu festas de alunos e venda de bebidas alcoólicas dentro do campus. Segundo ela, a decisão é por tempo indeterminado e aconteceu depois de denúncias de abuso sexual e violência moral durante festas da faculdade.

Contudo, a quase certa proibição dos eventos afeta imensamente as atléticas uspianas, já que a renda obtida com festas é um dos principais pilares de seus orçamentos. Orçamento este que é voltado, sobretudo, para o financiamento do esporte universitário praticado ao longo do ano. “O lucro das festas é nossa principal fonte de renda e responsável por custear o pagamento dos técnicos, material esportivo, uniformes e uma parte das inscrições dos times em campeonatos”, diz Bruna Eduarda Brito, diretora financeira da Atlética da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP).

Bruna conta que uma das festas realizadas pela ECAtlética, a FestECA Pós-Bife, teve de ser cancelada após a proibição. O evento, que tradicionalmente era realizado na Prainha – espaço de integração tanto de estudantes da ECA, bem como de outras faculdades -, recebera cerca de 4.000 pessoas em 2013.

Outro evento uspiano cancelado em 2014 foi o chamado “Engorda”, uma das três festas que antecedem a realização do BIFE (torneio universitário do qual participam Biologia, IME, FAU, ECA, FFLCH, Física, Química, Veterinária, Psicologia e Geologia).

FestECA Pós-BIFE 2013, que reuniu 4 mil pessoas na prainha da ECA (Crédito: ECAtlética)
FestECA Pós-BIFE 2013, que reuniu 4 mil pessoas na prainha da ECA (Crédito: ECAtlética)

Diante da proibição, uma das alternativas encontradas pelas entidades foi transferir as festas para locais fora da USP. Porém, segundo as atléticas contatadas pela BEAT, esta opção diminui os lucros obtidos com o evento, já que uma festa externa exige aluguel de um espaço e contratação de uma empresa para organização. Além disso, a atratividade do evento perante o público também é menor. “Quando a festa é dentro da Universidade, atrai muitas pessoas que teriam preguiça de ir num evento fora e também os estudantes que estão saindo da aula”, argumenta Bruna.

De acordo com Yuri Szymanskyj, presidente da Atlética da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA/USP), as festas fora do campus não foram lucrativas. “Esse ano, os nosso lucros apenas vieram de festas que foram dentro da USP. As de fora foram só prejuízos, e grandes”, afirma.

Nesse período de férias as atléticas já estão planejando o ano de 2015 e, considerando todos os impasses citados, planos A, B, C e D precisam ser pensados. Novos espaços para os eventos e até mesmo novos formatos de festas são alguns dos pontos fundamentais e que merecem atenção especial. Para o presidente da Atlética da FEA, as entidades precisarão se readaptar. “A proibição das festas gerará um rombo nas nossas contas”, diz ele, “ainda não sabemos como vamos reverter isso, mas se não fizermos nada, vamos terminar o ano no vermelho”.

A Pró-Reitoria de Graduação da Universidade vêm, recentemente, tentando uma aproximação com as atléticas uspianas por meio da LAAUSP (Liga das Atléticas Acadêmicas da USP). Esse contato atuaria no sentido de fornecer maior assistência – sobretudo financeira – ao esporte praticado nas unidades. Entretanto, a parceria ainda está em estágio inicial, e assim, enquanto o apoio da reitoria não é efetivamente posto em prática, as atléticas precisam encontrar sozinhas novas fontes de renda. Do contrário, o esporte universitário poderá sofrer em 2015. “Até hoje, o maior apoio recebido da Universidade foi a não intervenção em festas e eventos”, aponta Bruna, “com a proibição da realização de festas na USP, a Universidade ignora a importância que elas têm para a promoção do esporte universitário”.

 

 Foto de capa: Festa Equador FAU-USP. Os organizadores não puderam realizar o evento dentro da cidade universitária. Crédito: divulgação
Texto produzido por:

Logo Jota ad