article top adPUBLICIDADE
article inline adarticle inline ad

Por Marília Fuller | Jornalismo Júnior

 

[dropcap]D[/dropcap]aniela está no último ano de Jornalismo da ECA/USP e pratica handebol, basquete, natação e futsal. Marcela cursa Medicina na USP, além de nadar e jogar basquete pela faculdade. Ambas praticam esportes desde sempre, mas as duas têm muito mais em comum do que aquilo que treinam: são gêmeas univitelinas, idênticas. No dia 25 de outubro, as irmãs Bernardi jogaram uma contra a outra pela primeira vez em seis anos, no que elas apelidaram de “Disputa do Óvulo”. Entrevistamos as gêmeas para saber um pouco mais sobre a relação delas com o esporte e como foi disputarem a quadra de basquete.

 

entrevista - Foto2
Marcela (número 11, de verde) e Daniela (número 16, de roxo) na primeira partida como rivais em seis anos / Fonte: arquivo pessoal

Como e quando começou a história de vocês com o esporte?

Daniela: Com dois anos, entramos na natação. Até os 15, só nadávamos e fazíamos aulas de dança. Estudamos todo o ensino fundamental em uma escola que incentivava o esporte, tínhamos aula de educação física três vezes na semana. Na oitava série, mudamos para um colégio com times competitivos e, como gostávamos muito de esportes, cada uma entrou para um time: a Marcela entrou para o basquete e eu para o handebol. No primeiro ano do ensino médio, eu fui convidada por um clube e joguei três anos como federada. Só no segundo ano do colegial que eu entrei pro basquete, mais para acompanhar minha irmã.
Marcela: A gente sempre procurava fazer um esporte diferente, passávamos o dia todo com roupa de ginástica. No colegial, eu ia de bicicleta para a escola e, como não praticava handebol, entrei para um grupo de capoeira do nosso colégio.
Daniela: Quando entrei na ECA, eu fui direto pro time de handebol e pro basquete, além de continuar treinando natação na mesma academia.
Marcela: Eu fiz três anos de cursinho e, nesse período, só continuei nadando. Quando eu entrei na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), fui para o time de basquete e da natação. Eu tenho nove treinos semanais, ao todo. É bem puxado!

 

E como vocês conciliam a faculdade com os treinos e campeonatos? É muito difícil?

Daniela: A maior dificuldade é conciliar os horários de treino do time com os horários da aula de cada uma das atletas, já que tem gente estudando de manhã, a noite ou até o dia inteiro na ECA. Para mim, esse ano foi o mais complicado por causa TCC. Como sempre treinei em clube, tenho essa mentalidade de me preocupar e me comprometer com o time; então, logo no começo do semestre já conversei com as equipes e com os técnico para dizer que minha prioridade seria o TCC. Passei a treinar só uma vez por semana cada esporte, o que me fez perder um pouco o ritmo de jogo.
Marcela: Na FMUSP, todo mundo tem aula das 8h às 12h e das 14h às 18h. Se você é do time, é sua obrigação treinar na hora do almoço e à noite também. Os treinos são bem cheios e os técnicos são muito bons, o que motiva bastante a gente. Mas como sobra pouco tempo pra estudar, é muito difícil encontrar alguém que esteja em mais de duas modalidades diferentes. Acho que o esporte universitário acaba comprometendo mais sua vida social que a acadêmica. Os jogos de finais de semana fazem com que a gente perca alguns momentos com a família e com os amigos de fora da faculdade, por exemplo.

 

No dia 25 de outubro desse ano, vocês se enfrentaram em quadra pela primeira vez. Como foi jogar contra sua irmã?

Daniela: Eu entrei na USP em 2009 e a Marcela só em 2010. No segundo semestre dela na USP, eu rompi o ligamento cruzado anterior do joelho e isso aconteceu mais outras três vezes. Então, eu fiquei dois anos sem jogar. Sempre que a ECA enfrentava a FMUSP, eu estava operada.
Marcela: Depois desses dois anos, eu rompi o mesmo ligamento e acabou acontecendo a mesma coisa nas competições entre nossas faculdades. Depois que me recuperei, a Dani foi para a Espanha e, logo que ela voltou, eu rompi o ligamento de novo. Então eu também fiquei dois anos sem jogar.
Daniela: Depois de seis anos, foi a primeira vez que jogamos uma contra a outra no basquete e, pra mim, foi muito especial. A gente até apelidou o evento de “Disputa do Óvulo”. Eu amei!

Marcela: Ela cavou quatro faltas em cima de mim! Mas, depois que eu fui pro banco, foi muito difícil não torcer para ela. As meninas dos nossos times falaram que o nosso jeito na quadra é igual, até confundiram nossas vozes.

 

Quais pontos em comum vocês vêem nos esportes que praticam? Acham que treinar tantos esportes melhora ou piora o desempenho de vocês como atletas?

Marcela: A disciplina, principalmente. Outra coisa é que nós somos obrigadas a fazer musculação nos treinos da natação, tomar suplemento e tudo mais. Isso me ajuda bastante no basquete na hora de marcar as adversárias, já que eu tenho bastante força.

Daniela: O que eu pego do handebol, porque eu sou goleira, é o tempo de bola: isso me ajuda a pegar rebotes do basquete, por exemplo. Mas acho que o fato da gente sempre ter praticado esportes ajuda a ter uma resposta mais rápida nas coisas que acontecem em jogo, nosso reflexo é melhor.

Marcela: Acho que a prática de tantos esportes melhora nosso desempenho só em certos pontos. Quando machuquei o joelho e só pude continuar nadando, eu percebi que meu rendimento melhorou muito! Provavelmente porque o número de treinos por semana me cansa bastante, eu não consigo render tudo aquilo que eu renderia se treinasse apenas um esporte.

 

 

 

 

PUBLICIDADE