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As dificuldades das atléticas pequenas, desde a parte financeira até a convocação de novos atletas.

 

Por André Meirelles e Cíntia Oliveira | Jornalismo Júnior

[dropcap]N[/dropcap]ão é segredo algum para qualquer pessoa que pratica esporte que os grandes atletas começaram do básico. Cada esportista que hoje é reconhecido por seu talento, iniciou sua carreira com diversas dificuldades e isso se repete nas atléticas universitárias da USP. As grandes atléticas universitárias que levam anos de tradição e inúmeros títulos na camisa também já foram pequenas entidades e da mesma forma, as que são agora pequenas organizações batalham diariamente para conseguir construir um nome e se sustentar, com todas as dificuldades e barreiras que isso inclui. As pequenas atléticas se viram como podem para crescerem e se consolidarem no cenário do esporte universitário.

A questão orçamentária é a parte mais delicada de toda pequena atlética. Por serem relativamente jovens frente às atléticas mais tradicionais e não terem um grande número de atletas participando,  elas têm uma grande dificuldade em arrecadar dinheiro suficiente para terem todas as modalidades funcionando com perfeição. E mais do que isso, o obstáculo também se encontra na hora de manter o dinheiro dentro do caixa, como conta a presidente da atlética da Faculdade de Veterinária (FMVZ/USP), Cláudia Campos Haritçalde. “Recurso financeiro sempre é um desafio para as Atléticas ‘menores’. Praticamente todo o dinheiro que entra, logo mais sai. A nossa entrada é sempre muito grande semestralmente, porém, com poucos atletas treinando, a saída também é muito grande. (…) Os atletas pagam mensalidade para a Atlética. E isto ajuda a diminuir um pouco os gastos com técnicos. Mas não chega nem perto de zerar os seus custos. Portanto, precisamos sempre de novas maneiras para arrecadar dinheiro para pagar os técnicos, campeonatos e materiais esportivos.”

As novas maneiras citadas por Cláudia parecem simples no plano das ideias, mas exigem dos membros da entidade uma grande porção de criatividade, empenho e disposição, principalmente pelo pouco pessoal disponível em relação às grandes lojas das atléticas maiores. Dentre os métodos de arrecadação de fundos, estão as vendas de produtos desde meiões de futsal e moletons até tatuagem temporárias para serem usadas em eventos sociais. No caso da atlética da Veterinária, a cada gestão são elaborados no mínimo dois novos produtos pra irem para a vitrine e impedir que o público se “enjoe” do estoque. Além do comércio de artigos esportivos, as festas e happy hours são essenciais para levantarem o orçamento dessas pequenas entidades.

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A Faculdade de Biologia, dentro do Instituto de Biociências (IB/USP), por exemplo, é grande adepta desses tipos de eventos, porém, diferentemente das atléticas tradicionais, também por política própria, tem todas as suas festas abertas, o que implica numa arrecadação relativamente menor comparada a festas fechadas e que envolvem vendas de ingresso. Para compensar, elas usam e abusam da propaganda para chamar a atenção pras suas barracas de comida e assim complementar a renda.

Por conta dos recursos menores, os pontos investidos pelas atléticas devem ser bem planejados para que o investimento de fato traga bons resultados às equipes. Cada atlética tem sua própria meta de desenvolvimento da atlética e, portanto, cada uma vai investir em diferentes pontos de acordo com seus objetivos. Nas atléticas pequenas da USP, o investimento acaba se direcionando para a mesma área: técnicos e material esportivo. O presidente da atlética da Faculdade de Biologia, Henrique dos Santos, confirma: “Pensamos que este deve ser o enfoque, pois é através de bons treinos que podemos unir nossas equipes, melhorar nosso desempenho e, principalmente, possibilitar que mais pessoas se interessem pelas modalidades que disponibilizamos.” Cláudia também cita a necessidade do aluguel de quadras ou piscinas para treinos como uma das metas de investimentos para a atlética da Veterinária.

 

Equipe masculina de futebol de campo da Biologia
Equipe masculina de futebol de campo da Biologia

 

Talvez o maior investimento que essas atléticas possam fazer para continuar se expandindo seja em novos atletas. Disso, a atlética da Faculdade de Educação (FE/USP), que se iniciou há 3 anos como uma gestão provisória, entende muito bem. Para atrair novos atletas, eles fazem uma forte divulgação no começo do ano das apenas quatro modalidades que a faculdade tem e procuram fazer enquetes para formar novos times e incentivar os recém-chegados. “Existe uma limitação por conta de às vezes uma pessoa querer basquete e a gente acaba não tendo pessoas suficientes pra conseguir formar um time, então a gente encaminha essa pessoa pra outras atléticas, conversa com outros times pra ver se tem a disponibilidade de treinar em conjunto pra que essa pessoa também não perca a chance de treinar”, declara a presidente Cyndel Augusto.

Além disso, das modalidades já existentes, há sempre chamadas para novos membros nas salas de aula e a atlética com muito gosto sempre tenta acompanhar os jogos e campeonatos dos times pra torcer. “(…)a gente enquanto atlética, tenta ir, participar junto com as pessoas pra dar um apoio, uma força pra eles verem que eles podem realmente contar com a nossa presença e que eles podem contar com a gente como atlética pra poder ajudar eles no que precisa.”

Se é fácil fazer parte do time dos pequenos astros? Não. Muitas vezes é chato quase sempre ficar na penumbra, ter pouco orçamento e raramente levar uma vitória para casa, mas é como disse Ayrton Senna pra toda a posteridade “Seja quem você for, qualquer posição que você tenha na vida – nível altíssimo ou mais baixo, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e, sempre, faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá.”