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O treinamento de força é essencial para o bom desempenho do atleta, universitário ou não. Ele ajuda não só no aumento da massa muscular, mas também da potência e na prevenção de lesões.

Por Paula Thiemy | Jornalismo Júnior

[dropcap]O[/dropcap]s atletas universitários precisam conciliar muitas atividades: aulas, trabalhos, estágio, treino. O treinamento é essencial para que consigam competir bem e trazer vitórias em nome da universidade, mas será que os nadadores precisam apenas se exercitar na piscina? E os jogadores de futebol ficam apenas correndo atrás de uma bola? O pessoal do atletismo passa o treino inteiro só correndo? Engana-se quem pensa que sim. Além de praticar em treino o esporte pelo qual competem, atletas precisam estudar/aplicar fundamentos, fazer exercícios para melhorar o que não está bom e aprimorar o que já está ótimo e, principalmente, fazer um bom treinamento de força.

Atletas no Centro de Práticas Esportivas da USP, durante treinamento de força - crédito: Felipe Freitas
Atletas no Centro de Práticas Esportivas da USP, durante treinamento de força – crédito: Felipe Freitas

A força, do ponto de vista da Educação Física, é uma capacidade do músculo em exercer um trabalho contra uma resistência e pode vencer, perder ou se igualar a ela. O treinamento de força pode ajudar na diminuição da porcentagem de gordura e aumento de massa magra, fatores decisivos em algumas performances. Além disso, é extremamente importante para melhorar o rendimento do atleta e evitar lesões.

O objetivo deste tipo de treino é trabalhar toda a parte muscular em conjunto, e não cada músculo de forma isolada. “O equilíbrio muscular tem uma atenção especial com essa forma de aplicação do treino de força. As lesões musculares estão relacionadas ao desequilíbrio entre os grupos musculares, especialmente nas ações excêntricas”, explica Walmir Cruz, que já trabalhou como preparador físico na Seleção Brasileira, além de clubes como Corinthians e Palmeiras. Atualmente trabalha no Sivasspor (time de futebol da Turquia), que tem como técnico o campeão mundial em 2002, Roberto Carlos.

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Como qualquer outro atleta, o universitário não pode se esquecer do treino de força. “O [atleta] universitário também precisa ter essa base de força, senão ficará aquém de suas possibilidades futuras de atuar em alto rendimento, ou seja, sem base não existe o alicerce necessário para suportar outras valências físicas que serão importantes para se ter resultados futuros”, diz Walmir. O treinamento não torna os praticantes apenas mais fortes, também os deixa mais potentes, rápidos e com melhor mobilidade. Para que todos esses itens sejam alcançados, a regularidade é muito importante.

O cérebro envia mensagens para que o músculo realize movimentos. Assim, nas primeiras semanas de treinamento o que melhora é a velocidade com que essa mensagem é enviada e recebida. A partir daí, o ganho de massa muscular se torna algo mais significativo, e nenhuma etapa deve ser pulada, caso contrário, o efeito desejado não acontecerá. Exercitar-se de maneira desenfreada não acelerará o processo, por isso, é aconselhável começar de maneira leve até chegar a um treinamento intenso.

O atleta Uriel Piffer, estudante de Estatística e nadador pelo Instituto de Matemática e Estatística (IME), faz o treinamento na piscina todos os dias e o treino físico (que inclui treinamento de força, flexibilidade, equilíbrio, resistência e agilidade) entre duas e três vezes na semana. A melhora sentida com o complemento entre os dois tipos de treino é notável, dentro e fora d’água. “Eu acho que o treino físico me ajudou a atingir o máximo do meu potencial”, disse o atleta. “A minha força e a minha disposição melhoraram muito, afetando diretamente o meu desempenho nos treinos na piscina e, consequentemente, nas competições”, ressalta. A estudante de Relações Internacionais, Victória Soto, que nada e joga handebol pelo Instituto de Relações Internacionais (IRI), reforça a importância do treino físico. “Com certeza faz muita diferença o preparo físico. Antes eu sentia muita dor no ombro, devido a falta de fortalecimento. Hoje posso fazer força e me dedicar mais sem o ombro me incomodar”, conta ela que, apesar da agenda cheia, decidiu praticar os dois esportes. A verdade é que o treinamento de um beneficia muito o desempenho no outro, fato que a atleta deixa bem claro quando diz que “O preparo para natação me ajudou no handebol também, pois agora tenho mais resistência pra correr e mais impulsão para saltar na hora do arremesso”. Ambos desenvolvem todas essas atividades no próprio Centro de Práticas Esportivas da USP (CEPEUSP).

Mateus Romero, da natação da ECA/USP, treina de duas a três vezes por semana na Acadêmia do CEPE-USP Créditos: Felipe Freitas
Matheus Romero, da natação da ECAUSP, no CEPEUSP                       Créditos: Felipe Freitas

Um item que também é muito importante no treinamento de força e algumas pessoas nem imaginam é o descanso. Para que a intensidade do exercício aumente, a musculatura deve estar descansada, e é isso que a faz aguentar um esforço maior no próximo treino. O corpo precisa desse tempo para se recompor, mesmo que o atleta já esteja acostumado ao exercício. Quando perguntado sobre a periodicidade dos treinamentos de força, o preparador físico disse que “dependendo da modalidade, o aconselhável seria de duas a quatro vezes na semana, com sessões alternando exercícios diversos. Muitas vezes alguns treinadores erram no seu planejamento exigindo que atletas trabalhem todos os dias esquecendo o trabalho específico da modalidade, que também é muito importante para o ganho de força e para a prevenção de lesões”.

Portanto, realizar o treinamento de força é indispensável para o atleta que deseja evoluir na prática do esporte e melhorar seu rendimento. Porém, mais importante que realizar o treinamento de força, é fazê-lo de maneira correta, respeitando os limites próprios de cada um e com o auxílio de um profissional da área. E isso vale para todos os atletas (universitários ou não).