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O esvaziamento atípico do InterUSP: culpa da Copa do Mundo de 2014?

Por André Meirelles e Guilherme Caetano

[dropcap]O[/dropcap]s torneios universitários levam milhares de atletas e estudantes todos os anos a viagens, concentrações e cidades diferentes a fim de promover a integração entre eles e a disputa de jogos de variadas modalidades. Neste ano de 2014, entretanto, a realização da Copa do Mundo FIFA de Futebol coincidiu com um dos principais torneios do calendário universitário, o InterUSP, que aconteceu em sua tradicional data do feriado de Corpus Christi, entre os dias 19 e 22 de junho, desta vez na cidade de Vargem Grande do Sul. Diante disso, surgiram algumas dúvidas envolvendo a influência que o Mundial gerou para o torneio universitário mais aguardado pelos alunos da USP.

Crédito: Criativa Agência. InterUSP 2014
Crédito: Criativa Agência. InterUSP 2014

Um dos principais questionamentos feitos diante desse fato, é sobre a real possibilidade de um evento de porte mundial ter afastado ou, pelo menos, desmotivado atletas e torcedores a comparecerem ao InterUSP. Pedro Vinícius Rosa da Silva, atleta de atletismo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, concorda que o torneio perdeu um pouco do público, mas que isso não acarretou no desfalque de equipes ou na perda de número considerável da torcida, justamente pelo significado que o InterUSP traz aos atletas. “Foi o InterUSP mais vazio em que já fui. Cheguei na madrugada de quinta-feira no alojamento da FEA e havia menos de 30 pessoas. Embora a POLI tenha levado metade das pessoas que costuma levar, algumas faculdades menores não sofreram influência. Creio que o torneio não sofreu perda em sua qualidade dos jogos por conta da Copa”. Já Helton de Oliveira, atleta de futebol do Largo São Francisco, que não acreditava em alguma influência do Mundial no Inter, depois do campeonato hesita num veredito. Para ele, houve poucos atletas e pouca torcida, número bem menor se comparado aos anos anteriores. “Não sei se de uma forma direta, mas indiretamente influenciou”, opina. A atleta de Handebol da POLI- USP, Carolina Pires de Almeida, acredita que os atletas em geral não deixaram de ir para a competição por causa da Copa do Mundo. Já por parte da torcida, muitas pessoas não foram ao Inter para assistir aos jogos em outros estados.

Para a preparação de um evento como o InterUSP, além dos fatos públicos, que por si só são extremamente relevantes, as Atléticas e os organizadores do torneio precisam também se preocupar com outro essencial fator: a questão financeira. Mesmo tendo uma relação crucial com o período da Copa do Mundo, há certa divergência entre realizadores e atletas a respeito de uma suposta perda de interesse em se patrocinar o InterUSP ou, de outra forma, um estímulo de investimento. Daniel Campello, presidente da Atlética da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, destacou, em uma declaração cedida no período pré IntreUSP, que não havia influência alguma da Copa na busca por patrocínio do torneio universitário. “O InterUSP ocorrerá em uma pequena cidade do interior do Estado, afastado do tumulto provocado pela Copa, e não vejo como ela possa prejudicar [o patrocínio], uma vez que são eventos de proporções bastante diferentes com públicos distintos”. A visão do presidente da Atlética da Escola Politécnica, Guilherme Perucci, caminhava em outra direção, já que para ele, a questão financeira do torneio poderia afetar sim, pois o público esperado era menor do que o dos últimos meses. De acordo com Guilherme, a busca de patrocínio para o torneio também ficou mais difícil. “A busca por patrocínio é incessante, mas não está sendo fácil conseguir patrocinadores grandes, e, como a cidade sede é pequena, o patrocínio também é mais restrito”, afirmou durante o período de busca por patrocinadores. interusp copa do mundo_2

Se dependesse de alguns atletas, aliás, o campeonato realizado pela FIFA não alteraria nem mesmo a motivação dos participantes do torneio. “Este ano o InterUSP será especial por ser sua trigésima edição, fora isso não vejo motivação a mais”, destacou Pedro Vinícius na época de preparação para o evento. Para Helton, não haveria motivação extra por causa do Mundial: “Nosso foco é ganhar o InterUSP. Estamos nos preparando para isso. O clima franciscano pelo que vejo é de concentração total como sempre foi. Não vejo diferença desse ano para o ano passado, por exemplo.”

Mesmo que houvesse substancial interferência na realização simultânea dos dois eventos, acarretando perdas para o InterUSP, buscar datas alternativas tampouco valeria o esforço, visto que o calendário dos torneios universitários mostra-se bastante consolidado. Na opinião de Guilherme, o torneio só mudaria de data caso acontecesse uma “calamidade pública”, visto que sua ocorrência no feriado de Corpus Christi é tradicionalíssima. Daniel, por sua vez, expõe outras razões para o engessamento da data: o fato do torneio contar com faculdades de áreas distintas, que disputam muitos outros torneios entre si durante o decorrer do ano.

Em 2014 ,o InterUSP não contou com a presença da Faculdade de Medicina da USP -SP, tradicional na competição. Isso porque, no dia 21 de maio, Pedro França Marotti, atleta da Atlética Oswaldo Cruz e secretário do InterUSP, foi vítima de um acidente automobilístico em uma rodovia próxima à Vargem Grande do Sul. A Faculdade de Medicina da USP resolveu não participar da competição, o que, para Carolina, também influenciou bastante para a quantidade reduzida de pessoas no Inter.