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Aluna da EACH-USP e atleta de taekwondo, Diana Mathias sonha com a Rio 2016 e tenta programa de bolsa USP nas Olimpíadas.

Por Marília Fuller

[dropcap]”[/dropcap]Então, sempre gostei de luta, sabe? Desde criança. Gostava de assistir Power Rangers, era meio ‘molequinho’. Brincava de boneca também, mas sempre adorei essas coisas de luta”. Foi assim que começou a entrevista com a simpática e enérgica Diana de Freitas Mathias, aluna da USP, atleta de taekwondo e, hoje, integrante da Seleção Brasileira do esporte. Numa das salas onde hoje faz fisioterapia, contou que brincava de luta com os dois irmãos quando eram pequenos, mas que os pais não tinham condições financeiras de pagar aulas para os três.

Aos 11 anos, surgiu a primeira oportunidade: o Baby Barione, conjunto desportivo, estava oferecendo aulas gratuitas de taekwondo com Carlos Negrão, então técnico da seleção. Mas Diana morava longe, além de ser nova e nunca ter andado sozinha de transporte público. Somente em 1999, aos 13 anos, ela começou a frequentar as aulas, tendo influência de todos os atletas da Seleção que lá treinavam. Teve contato com os primeiros lutadores brasileiros de taekwondo a participarem de uma Olimpíada – em 2000, realizada na cidade de Sydney – e pareceu encantada ao contar sobre a experiência. “Eu queria muito ser atleta, fazer o que eles faziam!”.

diana/arquivo pessoal
crédito: Diana/arquivo pessoal

Mesmo sendo sua paixão, Diana pouco conseguia competir. Saiu cedo de casa, aos 17 anos, e precisava trabalhar. Logo depois, começou a cursar Administração em uma faculdade particular e não via como conciliar tudo o que queria fazer. Quando participava de competições, tinha bom desempenho, perdendo apenas na fase final para atletas muito mais profissionais que ela. “Eu sempre ficava com a dúvida de ‘E se eu treinasse pra valer?’, mas não tinha como!”.

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Até então, nunca conseguira treinar muito. “Só em situações pontuais, como quando quebrei o braço em 2007 e fiquei 4 meses sem trabalhar”, contou Diana. Nesse período, lutou na Copa do Brasil de 2007, mesmo com o braço engessado. “No dia da luta, eu fui ao banheiro, tirei o gesso e coloquei uma tala no lugar. Lutei assim e fui vice-campeã!”.

Entrou na USP em 2011, na EACH, no curso de Ciências da Atividade Física (hoje chamado de Educação Física e Saúde). Segundo Diana, a USP exige um nível de dedicação muito alto e ela, como atleta, sempre quer dar seu melhor em tudo que faz. Teve que deixar o local onde trabalhava e, a partir dai, muita coisa mudou. Conversando com seus professores, descobriu o “USP nas Olimpíadas“, programa que oferece bolsas a alguns atletas da universidade visando as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Participou de dois campeonatos paulistas em 2011 e foi campeã de ambos, conseguindo a bolsa estadual.

Saiba mais sobre o programa: USP nas Olimpíadas

O ano de 2012 foi bem difícil para Diana. Passou a estudar de manhã e à tarde, sacrificando suas noites para treinar. Acordava cedo para correr, ouvindo o áudio que gravava das aulas e também estudava no trem a caminho da EACH. Foi mais uma vez campeã paulista e competiu no campeonato nacional. “Tinha certeza que seria campeã, repetia isso várias vezes pra mim mesma!”, confessou. Apesar do alto nível profissional das competidoras e das lutas acirradas, Diana foi campeã, subiu para o segundo lugar do ranking nacional e se classificou para o “Grand Slam”, seletiva da Seleção Brasileira.

Em dezembro, seus treinos duravam o dia todo e os efeitos foram logo sentido. “Evolui muito nesse mês. Na seletiva, fiquei em terceiro lugar, mas fui muito bem e comecei a pensar na possibilidade de entrar na Seleção”. Em 2013, deixou de se matricular em algumas matérias para se dedicar à sua paixão. Competiu mais vezes devido à sua bolsa, que tinha se tornado nacional, e ganhou a maioria dessas competições. Estudava suas lutas e observava seus pontos fracos, ao mesmo tempo em que iniciou um trabalho de faculdade sobre análise tática de sua categoria do taekwondo.

Diana2

Classificou-se novamente para o “Grand Slam”, que aconteceu em fevereiro de 2014. Seu desempenho foi excelente e conseguiu chegar à final. “A luta pelo primeiro lugar foi ‘amarrada’ e acabei perdendo por muito pouco. Foi ruim, mas não consegui ficar triste: mesmo sendo reserva, estou na Seleção!”. Porém, um mês e meio depois da conquista, durante um combate em treino, Diana lesionou o ligamento cruzado anterior do seu joelho direito e precisou fazer cirurgia. “Foi muito difícil emocionalmente no começo, mal conseguia ver coisas do taekwondo”.

Hoje, Diana faz fisioterapia todos os dias e sua principal meta é se recuperar o quanto antes. “Preciso estar bem até agosto para as competições internacionais! Mas, para isso, preciso da minha bolsa da USP, que agora será internacional – e que eu espero que aconteça, mesmo com os problemas financeiros da universidade”. Enquanto espera que o tempo – e sua determinação – cure as feridas, ela sonha com o papel de titular na Seleção e, quem sabe, com a classificação para as próximas Olimpíadas. “Imagina ser a primeira medalhista brasileira de taekwondo? E no meu país! Deve ser incrível, e eu quero muito sentir como é isso!”.

 

Crédito foto de capa: Diana Freitas (esquerda) contra Nathalia Dinis (direita)
no desafio Open Bad Boy