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 A Lei de Incentivo ao Esporte vem mudando a infraestrutura esportiva nas universidades do Brasil.

Por Ana Luísa Abdalla e Thaís Matos | Jornalismo Júnior

[dropcap]U[/dropcap]m dos mais importantes incentivos ao esporte no Brasil foi sancionado em 2006. A Lei de Incentivo ao Esporte (LIE) estimula pessoas e empresas a fazerem doações e patrocínios para projetos esportivos e paradesportivos, em troca de benefícios fiscais.  Uma das áreas de maior interesse para receber os benefícios da LIE é justamente o esporte universitário, e já vemos exemplo disso ocorrendo em algumas universidades do país.

A Universidade Federal do Pará (UFPA) teve, em 2011, dois projetos lançados pela instituição que foram beneficiados pela Lei de Incentivo. Os recursos financiados pelas empresas envolvidas no projeto, foram usados ao longo de 2012, contemplando cinco modalidades esportivas – futsal, handebol, futebol, vôlei e xadrez.  A ideia é envolver e estimular os estudantes a participarem cada vez mais avidamente de jogos e práticas esportivas em geral dentro da Universidade.

A Faculdade de Medicina de Riberão Preto da USP (FMRP-USP) também está percebendo as vantagens da LIE.  A Associação Pró-Ginásio, entidade sem fins lucrativos formada por alunos da FMRP-USP, vinculada com a Atlética da faculdade, visa a construir um ginásio para ser o Centro de Medicina Esportiva. A Associação conseguiu obter o credenciamento da primeira etapa do projeto do centro esportivo através da LIE.  O sonho dos alunos de ter um ginásio próprio, com academia, piscina semi-olímpica, quadras de tênis, vôlei de areia, futebol society, está agora mais próximo de se concretizar.

A Lei não promove mudanças somente para aqueles que estudam nas universidades. A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) utiliza os incentivos que são beneficiados para promover a prática esportiva para jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social nos bairros carentes de São Luís. O projeto desenvolvido no Núcleo de Esportes da UFMA, chamado Projeto Jovens com a Bola Toda, oferece práticas de diferentes modalidades, como capoeira, basquete, futebol de campo e futsal, handebol, natação e vôlei.

Além de importante para a comunidade universitária, o LIE é fundamental para o esporte fora dos muros universitários, crescendo cada vez mais. Segundo o portal do Ministério do Esporte do governo Federal, em nota publicada em outubro de 2012, desde que foi sancionada, a LIE já destinou R$ 650 milhões a 1.852 projetos. Em 2011, foram R$ 219,5 milhões, 20% a mais que em 2010 (R$ 191,9 milhões), o dobro de 2009 (R$ 110,8 milhões) e 331% a mais que o primeiro ano, 2007 (R$ 50,9 milhões).

E o número de empresas interessadas em fazer parte disso, também só cresce.  Em 2011 foram 1.503 empresas, mais que o dobro de 2009 (645). Já 2010, 1.226 empresas patrocinaram projetos da Lei de Incentivo; enquanto 2007, foram apenas 54.

O esporte é um importante agente de desenvolvimento humano e social, sendo os efeitos de criar uma cultura de incentivo a praticas esportivas e a atividades físicas, podem ser grandiosos.

https://www.youtube.com/watch?v=Qyv261j4oeI

CEPEUSP e a Lei de Incentivo ao Esporte

O Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo é o maior complexo esportivo universitário da América Latina. Apesar disso, conseguir verbas para que se realizem reformas continua a ser um entrave.

Um dos maiores problemas é a dependência de renda vinda da reitoria, que tem que dividir o seu recursos para todos os órgãos da universidade. De acordo com Pascoal Luiz Tambucci, assistente de comunicação do CEPEUSP, “o centro consegue bancar alguma coisa, mas a maior parte vem da reitoria”.

Pista de atletismo CEPEUSP crédito: ECAtlética
Pista de atletismo CEPEUSP crédito: ECAtlética

A maior obra feita nos últimos anos foi a reforma total da pista de atletismo, que não teve uma grande restauração desde sua inauguração em 1972. “O piso havia praticamente desaparecido em uma série de pontos no percurso”, conta Tambucci. A nova pista possui piso de tatame e foi cercada, para garantir proteção e controle. Ela não atende apenas o atletismo, mas também serve para outras modalidades.

O projeto, que buscou o benefício da Lei de Incetivo ao Esporte, foi encaminhado em 2009, mas só conseguiu ser concretizado em 2013. De acordo com Tambucci, “ele sofreu diversas alterações em função da complexidade das estruturas públicas, da complexidade lei de incentivo e da inexperiência dos envolvidos. Fomos os pioneiros na questão de uma instituição do governo ganhar o aparato do incentivo. Tudo foi muito experimental e demorado”. A reforma custou R$ 2,8 milhões.

A obra realizada atualmente é a reforma dos vestiários da piscina, que deixarão de atender somente aos usuários do complexo aquático e passarão a atender toda a comunidade do CEPEUSP. Para isso, a nova entrada para os vestiários estará desvinculada da entrada no complexo aquático.  O projeto visa a desafogar os atuais vestiários do centro em épocas de muito movimento, mas sem comprometer os usuários das piscinas. Foi ampliado o número de chuveiros e banheiros e o valor da obra está em torno de R$ 900 mil.

Existem ainda vários outros projetos que esperam a captação de recursos para que possam ser elaborados. Entre eles estão: cobertura do estádio, aquecimento da piscina, reforma dos módulos cobertos, do velódromo, da pista de ciclismo, da raia olímpica e dos campos de futebol e suas arquibancadas.

A Diretoria do CEPE mudou no final de 2013. A nova gestão está revendo todos os projetos documentados e  fazendo um diagnóstico da situação. A fase atual é de reuniões para reorganização das propostas e estabelecimento de prioridades de ação. É importante ressaltar que cada gestão implanta novas ideias e projetos específicos.

 

 

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