O uso terapêutico do gelo, chamado crioterapia, é uma técnica muito usada após uma pancada ou mesmo na presença de um grande cansaço muscular. Entenda mais

Por Maria Cecília Martins, Wagner dos Santos e Franco Latini

Quem nunca precisou daquele gelinho milagroso após um treino ou uma partida? Uma das formas de uso terapêutico do gelo é a imersão. Tecnicamente chamada de crioimersão, ela é um instrumento cada vez mais utilizado no meio esportivo para auxiliar a recuperação muscular.

Apesar do medo que os atletas sentem de enfrentar a banheira a baixíssimas temperaturas, a sensação de alívio e disposição após finalizar o processo é reconfortante. Se você nunca pensou em enfrentar esse medo do frio, vamos te ajudar a entender por que vale a pena.

Como funciona a crioterapia

As baixas temperaturas reduzem a velocidade do nosso metabolismo. Isso torna as reações celulares mais lentas e permite que o corpo “poupe” energia temporariamente. Assim, há uma diminuição dos processos inflamatórios que acontecem nos músculos após um esforço intenso.

Quando o corpo retorna à temperatura normal, seu metabolismo volta a funcionar mais acelerado. Além disso, potencializa a chegada de nutrientes para que as células se revitalizem dos danos sofridos.

Esse resultado é obtido somente na parte do corpo exposta às baixas temperaturas. Ou seja, se eu colocar um saco de gelo sobre a panturrilha, somente os músculos da panturrilha terão seu metabolismo alterado.

A ideia da crioimersão é causar esse efeito sobre todos os principais músculos usados numa modalidade esportiva. Porque assim, ajuda o corpo a se recompor mais rapidamente para um próximo treino/jogo.

O “fazer gelo” de cada modalidade

Por isso, quando falamos de futebol, corrida e ciclismo, por exemplo, costumamos fazer a imersão das pernas na banheira com gelo. Já no caso da natação, remo e tênis de campo, por exemplo, podemos fazer a imersão dos braços na banheira.

Na verdade, não há uma definição rígida estabelecida que relacione a parte do corpo que deve ser submersa e o esporte praticado. Isso depende da musculatura que o atleta usou mais naquele dia e onde sente mais fadiga.

Há situações, por exemplo, em que o atleta pode ficar com o corpo até a base do pescoço dentro da água, caso ele sinta que braços, pernas e tronco estão muito cansados.

Os cuidados necessários

Mesmo oferecendo benefícios, a imersão deve ser feita com cuidado. É importante que se evite imergir o pescoço e a cabeça. Isso porque essas regiões abrigam sensores importantes do nosso corpo que podem provocar desmaio e consequente afogamento.

O tempo de duração, a área do corpo que será imersa e a temperatura são informações básicas a serem consideradas para que se possa obter o melhor resultado. No geral, quanto maior a temperatura da água, maior o tempo de permanência.

Podemos nos basear em uma “regrinha” em que a temperatura da água deverá estar entre 8º e 12ºC. Se a temperatura da água estiver por volta de 8ºC, o atleta deverá permanecer em imersão por 8 minutos. Caso a temperatura esteja maior, na casa dos 12ºC, ele deverá permanecer por 12 minutos.

“Devo fazer crioimersão sempre que eu treinar?”

NÃO! Apesar dos benefícios da crioimersão, seu uso frequente dificulta as adaptações musculares que acontecem em resposta aos treinos. Isso pode resultar em menor ganho de força e potência a longo prazo. Então, fique atento para não exagerar!

Reserve a crioimersão para momentos importantes, como competições curtas com jogos em sequência ou muitos jogos em poucos dias. Ou quando tiver aquele treino realmente foi muito forte, no qual a dor muscular no dia seguinte poderá atrapalhar seus próximos treinos ou competições.