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Saúde

A importância da psicologia esportiva na luta contra a depressão

O psicólogo esportivo Ricardo Cozac, da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, explica por que cuidar da saúde mental é tão importante para a vida do atleta; entenda melhor

É triste, mas fatores relacionados ao esporte podem ser causadores também da depressão. E essa condição atinge milhões de pessoas no mundo. Dentre elas, estão atletas amadores e também os profissionais.

De acordo com o psicólogo do esporte Ricardo Cozac, da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, o número de atletas com manifestação de sintomas depressivos é expressivo’’. Por isso, o trabalho da psicologia do esporte é tão importante.

Causas da depressão

Cozac trabalha há 26 anos como psicólogo esportivo, tendo passado por equipes famosas, como Corinthians, Cruzeiro, Goiás, Ituano e Palmeiras. Para ele, o que pode ocasionar essa patologia, pode ser a mudança de status dos indivíduos para a condição de jogadores.

“’Os sintomas, muitas vezes, são expressados por conta de questões relacionadas à identidade e à família. Há, ainda, casos em que prevalecem as dificuldades em se gerenciar uma carreira de sucesso’’, explica.

Outro fator pode ser a transição entre a adolescência e a vida adulta. Principalmente quando coincide, muitas vezes, com a promoção dos jovens das categorias de base à equipe profissional.

Trata-se, então, de um período muito importante na carreira do jogador. ‘’Entre 16 e 18 anos, fatores como o aumento salarial provocam uma série de questionamentos no jogador’’, pontua o psicólogo.

No esporte, é comum que parte considerável dos atletas tenham tido uma infância humilde. Por isso, conquistar a independência financeira é uma forma de prover o sustento aos demais familiares.

Entretanto, essa “mudança de status gera um distanciamento das referências familiares desses atletas. O jovem passa a se perguntar se é membro de uma família humilde ou se é dono de um carro importado’’, analisou. Esses fatores, segundo o especialista, causam fragilidade interior nos atletas.

Mas ‘’o atleta não se manifesta por medo de ser afastado, de não ser escalado e perder espaço no grupo’’, comentou. Segundo Cozac, os jogadores lançam mão de recursos pessoais, para se equilibrarem naquilo que classificou como corda bamba delicada e perigosa.

Importância da psicologia do esporte

Segundo Cozac, somente seis dos vinte clubes da elite do futebol brasileiro possuem profissionais responsáveis pela psicologia esportiva. Para o doutor, no âmbito esportivo, o psicólogo é utilizado apenas em cenários de crise.

Mas ele lembra que é preciso prevenir em vez de só pensar em tratar depois. “’No que se refere às patologias, nosso país é fundamentalmente corretivo’’, critica. ‘’Nós naufragamos diante do preconceito e da dificuldade da valorização dos aspectos preventivos na área da saúde’’.

De acordo com Cozac, os mecanismos de auxílio aos casos de depressão no Brasil estão aquém da necessidade. A parte emocional é fundamental para um atleta. “Então não adianta ter atletas com corpos de aço se a base é de barro’’, ele exemplificou citando a frase dita por Nelson Rodrigues, após a derrota brasileira para o Uruguai na Copa do Mundo de 1950.

E, considerando o incipiente amparo na elite do futebol, os dados da OMS e os casos de depressão existentes, é inevitável a constatação: há muito ainda a se fazer para combater uma das patologias que mais faz vítimas no mundo.

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