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Especial

O esporte universitário além do Brasil: atletas no exterior

Jogadores brasileiros no exterior revelam como a realidade fora do país oferece um cenário mais animador sobre o esporte universitário.

Eles amam tanto o esporte, que saíram da vida universitária no Brasil e foram para fora estudar e, é claro, continuar jogando.

Alguns seguiram como universitários, outros como amadores, e uns ainda até como profissionais. Fato é que optaram por atuar no exterior e descobriram que o cenário esportivo é bem diferente do Brasil.

Taynã Chiaparro e Christian Anderaos são uns deles. Foram estudar e jogar futebol pela University of Missouri – Kansas City (UMKC), nos Estados Unidos. Já Igor de Almeida foi fazer mestrado fora e encontrou um clube amador de handebol. 

As histórias dos três revelam a diferença do esporte universitário do Brasil para o exterior. Seja pela valorização por parte das universidades, seja pela população em geral e os investimentos realizados. Conheça um pouco da história de cada um deles a seguir.

Bolsa de estudos para atletas

Antes de trocar São Paulo por Missouri, nos Estados Unidos, Taynã Chiaparro, hoje com 27 anos, jogava pela EACH, onde se formou em Lazer e Turismo, em 2011. Sua relação com o futebol, contudo, vem desde os tempos de criança.

‘’Cresci vendo minha irmã jogar, jogo desde os meus 4 ou 5 anos’’, diz. Quando menor, jogou por clubes como o Palmeiras e o Luso Brasileiro. Além de ter participado de eventos que selecionaram alguns jovens para atuar fora do país. Mas não chegou a ser selecionado.

‘’Em um evento da Nike, que premiaria quem tivesse melhor técnica e conseguisse cumprir o percurso em menor tempo, terminei na segunda colocação. Mas uma mudança repentina, sem explicação, me jogou para a quarta posição, o que era insuficiente’’, explica.

Mesmo com o revés, conta Taynã, um de seus amigos o aconselhou a procurar mais detalhes sobre a ida ao exterior. ‘’Não conhecia o sistema nem tinha detalhes, mas tive a oportunidade de conhecer uma pessoa ligada à Fundação Lemann’’, conta.

Através da Fundação, Taynã conquistou uma bolsa de 100% para que pudesse cursar um junior college, uma espécie de tecnólogo em ciência, em Saint Louis, no estado de Missouri.

Assim, ele passou a integrar a University of Missouri – Kansas City (UMKC) e a jogar como meia de criação, como um típico camisa 10. O período em que utilizou esta camisa, inclusive, lhe rendeu uma história marcante.

‘’Era um dia de entrega de trabalho final, o professor responsável pela disciplina me reconheceu e me pediu para que autografasse uma foto minha que tinha guardada, para que pudesse entregar ao filho dele, que dizia ser meu fã’’, conta. ‘’Isto me marcou muito’’, completa.

Diferenças do esporte universitário

Tendo um contato diário com o futebol, Tato, como é conhecido, não pôde deixar de notar as diversas diferenças entre a forma como se estrutura o esporte nos países. ‘’Os EUA valorizaram muito o esporte universitário. A NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional), divisão de elite, tem um nível muito elevado, às vezes superior ao de clubes profissionais no Brasil’’, aponta.

Para o jogador da UMKC, a preocupação em longa escala com os atletas e com as modalidades é fundamental para que o resultado seja esse. ‘’As universidades nos dão base educacionais, mas esportivas também. Aqui, os atletas, que são estudantes, se sentem profissionais’’, finaliza.

E não foi muito diferente com Christian Pujol Fogaça Anderaos, de 22 anos, ex estudante da EEFE-USP, que também sentiu muita diferença no esporte fora do Brasil. E começou antes ainda de se mudar.

A vontade de atuar fora do país se acentuou justamente quando acompanhou a transmissão de um evento universitário pela TV. ‘’Estava vendo um jogo com meu avô, na ESPN, e me impressionei com o estádio lotado, com o clima, e com a qualidade’’, diz.

Ele se transferiu, então, para a UMKC em agosto do ano passado, depois de três anos e meio e de curso. E o primeiro passo para a realização de seu sonho teve a ajuda do próprio Taynã, com quem hoje divide a casa.

‘’Quando jogava na EEFE, sempre deixei claro às pessoas próximas a mim que tinha o sonho de atuar no exterior. Conheci o Taynã, que me deu mais detalhes sobre o processo e acertei minha vinda à universidade. Ele foi essencial para que isso se tornasse realidade’’, conta.

Para além do sonho, o envolvimento de Christian com o futebol ultrapassa o gosto pela prática. ‘’Adoro estudar o jogo e toda a teoria me deixa curioso, me faz querer correr atrás’’, diz. A maior ambição, porém, é se tornar um jogador profissional.

‘’É comum ver os atletas universitários serem draftados [escolhidos] para as ligas profissionais e esse é meu sonho’’, revela. ‘’Como meus pais nunca aprovaram a ideia de optar pelo esporte, em detrimento do estudo, a possibilidade de conciliar os estudos com o futebol aqui nos Estados Unidos me atraiu’’, continua.

Esporte universitário no exterior

Outro ponto que mexeu com o estudante foi a forma como a população local se envolvia com o esporte. ‘’O carinho é enorme. De sábado, a programação na televisão só passa esporte universitário. E o povo acompanha e torce de verdade’’, relata.

Para ilustrar e contrapor as realidades que viveu, Christian cita as iniciativas do Novo Desporto Universitário, a NDU. ‘’Eles estão tentando dar a devida valorização através da transmissão de jogos, por exemplo, para aproximar o público, porque no Brasil a audiência é restrita: na torcida, às vezes você não encontra nem os seus pais’’, pondera.

A questão do investimento também é algo que chama a atenção do atleta da UMKC. ‘’A quantidade de recursos por trás de tudo é brutal. Aqui, nós temos à disposição do colete ao departamento médico. Há um investimento pensando na formação. No Brasil, porém, os atletas pagam até a taxa de arbitragem, ou seja, mantemos nosso envolvimento mais pela paixão’’, desabafa.

De Pernambuco para a Bielorrússia

‘’Jogo desde os meus 13 anos e o handball é algo que não me cansa nunca, muito pelo contrário’’. Esta é a relação de Igor Fernando de Almeida, de 27 anos, com o handball. Na Alemanha definitivamente há três anos, Igor é atleta do SSG Humboldt, clube amador do país.

O pernambucano foi à Alemanha pela primeira vez em 2011, para um intercâmbio que duraria dois anos. Após o período, voltou ao Brasil para concluir seu bacharelado em geografia. Com o diploma em mãos, retornou definitivamente ao país do Velho Continente para se dedicar ao mestrado em planejamento ambiental.

A ida para a Alemanha, inclusive, esteve relacionado à força do esporte dentro do país. ‘’Não foi o motivo principal, mas eu sabia que a melhor liga é disputada aqui. Não conhecia muito sobre Berlim, mas me surpreendi, porque aqui há muitos times bons’’, diz.

Como não foi o principal motivo da sua ida ao exterior, Igor não tinha uma definição sobre onde iria jogar. A escolha e a aceitação ao SSG Humboldt, por sua vez, se deu de uma forma inusitada.

‘’Passei a procurar por clubes aqui de Berlim na internet e mandei mensagem para eles perguntando se poderia treinar. Me aceitaram, fui ao treino e, desde então, treino aqui’’, conta.

Esporte amador fora do Brasil

Por se tratar de um clube amador, Igor e seus companheiros não recebem. Aliás, precisam pagar uma contribuição semestral de 70 euros – aproximadamente R$ 290,00 na cotação atual.

‘’No início, pensei em não jogar, porque não concordava com a taxa, mas hoje a defendo e vejo que é necessária’’, explica Igor.

Segundo ele, o valor é destinado ao pagamento de árbitros e, de uma forma geral, revertido à infraestrutura. ‘’Isso é muito bom, porque eleva o nível das competições, os jogos ficam melhores, atuamos em bons lugares’’, continua.

O SSG Humboldt joga pela Bezirksliga e, durante o ano, tem a oportunidade de viajar para a Rússia e para a Bielorrússia para a disputa de torneios, o que rendeu boas memórias ao meia-esquerda. ‘’Sou o único brasileiro do time e não preciso de visto para viajar para esses países.

Então, quando estamos lá, muitas pessoas querem tirar foto comigo, como se eu fosse diferente. Me sinto um superstar’’, conta com bom humor. Dentro de quadra, seu rendimento lhe rendeu seu primeiro prêmio individual. ‘’Na primeira viagem à Rússia, terminei como artilheiro da competição’’, conta.

Por fim, Igor compara o apoio dado ao esporte no Brasil e na Alemanha. ‘’No Brasil, não vemos os jogos de campeonatos nacionais na televisão, mas aqui, às terças, quintas e domingos há transmissão’’, relata.

‘’A modalidade é muito forte aqui, mas no Brasil o interesse pelo handball também é grande, então deveria ter maior incentivo’’, acrescenta.

 

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