Entidades esportivas ajudam nas condições financeiras dos atletas para que eles possam competir dentro e fora da faculdade.

Por Bruna Arimathea

Estar no esporte universitário não é só rosas. Requer dedicação, comprometimento e também algo que nem sempre é fácil: dinheiro.

Tem inscrição de campeonato, carteirinha, uniforme, transporte até o jogos, os inters, dentre outras situações que exigem mexer no bolso.

Nem todos os atletas conseguem bancar os gastos financeiros quem surgem ao fazer parte de um time universitário.

Por isso, algumas atléticas estão começando a se mobilizar a fim de conseguir proporcionar o acesso ao esporte para todos. 

Problemas financeiros: o que pode atrapalhar

A maior parte das atléticas trabalha com o sistema de ‘caixinhas’. Nele, cada modalidade recolhe uma contribuição do atleta para custear os gastos que a entidade não consegue bancar.

Essa contribuição pode ir de R$ 10 a 100 mensais, dependendo da equipe e da faculdade. Costuma ser acordada internamente entre os times.

Mas, mesmo quando não configuram um valor tão alto, as caixinhas podem ser um impeditivo de treino para algumas pessoas.

Outro problema surge fora dos treinos em si: os campeonatos. E quando os times participam de competições ou inters que são fora da cidade de treinamento, complica mais.

Isso porque esses eventos custam e custam alto. Inscrição, transporte, alojamento, uniforme, alimentação e comissão técnica são só alguns dos gastos.

Nesses casos, alunos com baixas condições financeiras sentem no bolso o peso de ser um atleta universitário. Mas a boa notícia é que muitas entidades estão se mobilizando para que esse não seja um fator de exclusão.

Soluções aos problemas financeiros

Nem todas universidades do Brasil oferecem bolsas para atletas universitários, como fazem muitas americanas. Além disso, a maioria das atléticas não possui um programa estruturado de ajuda financeira.

Entretanto, as atléticas estão começando a se mexer para ajudar os atletas de alguma forma. E, apesar do movimento ainda ser pequeno, está rendendo alguns frutos.

Grande parte revela que analisa caso a caso. Se o estudante precisar de alguma isenção ou auxílio, existe um esforço interno para ajudá-lo

Foi o que relatou as atléticas da FAUUSP, EEFEUSP, INSPER, UNIFESP e ESPM, entrevistadas pela Revista BEAT

Elas não instituíram meios oficiais para conceder um benefício. Mas ainda assim disseram que estão à disposição caso o atleta deseje conversar sobre suas condições financeiras e a permanência nos times.

“A gente conversa e a pessoa paga o que pode e ajuda de outras maneiras. Vendendo uma quantidade maior de rifas, por exemplo. Não permitimos que ninguém deixe de treinar por questões financeiras”, conta Joana Alonso, vice-presidente esportiva da AAA Rui Barbosa – EEFE.

Muitas atléticas ainda possuem planos de tornar o auxílio a esses estudantes mais formal e frequente em suas faculdades.

A Poli-USP promoveu uma ação intitulada “Pacote Solidário”, implementado pela primeira vez em agosto do ano passado. Ele pagava por completo os custos de um inter para o atleta que se inscreveu na ação.

A iniciativa ainda não é permanente. Mas segundo Nicholas Beeby, secretário da Atlética, a intenção é que esse projeto seja instaurado em breve

Iniciativas que já deram certo

Dentre as particulares, o INSPER é uma das que oferecem condições especiais aos bolsistas que não possam arcar com os custos da sua modalidade.

“Os bolsistas representam 10% dos alunos da graduação do Insper. Aqueles que têm dificuldades financeiras podem pagar o valor que acharem justo e que se sentirem confortáveis para participar dos jogos”, afirmou Sofia Baer, presidente da Atlética do Insper.

Já dentre as públicas, um exemplo de sucesso é o da Atlética da FEA-USP. Lá existe um programa consolidado de ajuda para os alunos em competições esportivas.

Surgido em 2016, o “Inter Solidário” contempla atletas nas principais competições do ano feano, como Economíadas e InterUSP.

Esequias Odorico Bueno Júnior, presidente da Atlética, explica que o estudante interessado preenche um formulário primeiro.

Posteriormente, ele passa por uma entrevista e por uma avaliação socioeconômica. Cerca de 10 a 25 alunos ganham a isenção a cada inter e a intenção é que esse número cresça ainda mais. 

“A gente arrecada por meio de doações físicas na FEA, online pelo site “vakinha” e promovemos um Happy Hour em que parte do lucro é destinado a essa ação”, completou Juliana Nasi, tesoureira da FEA.

E são ações como essas que fazem toda a diferença. Não só para os atletas beneficiados, mas também para a entidade e a responsabilidade social de cada instituição. A inclusão, independente do meio, é alma do esporte e uma das funções de cada modalidade disputada.

“Sentimos que era algo necessário. Atrai mais pessoas ao inter e, principalmente, é uma causa social muito importante na permanência. Temos um pouco de dificuldades para bancar o projeto, mas também sentimos que o público está mudando, tornando-o cada vez mais essencial”, encerrou Esequias.

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