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Saúde

Preguiça de treinar: como se motivar depois das férias

O que gera a preguiça de treinar e falta de motivação depois do período de férias? Aprenda a driblar esse sentimento e vencer o desânimo

Por Marina Morais

Com o regresso às aulas, é comum que muitos atletas universitários vejam sua rotina de treinos sair do eixo e o rendimento cair. A preguiça de voltar não apenas para as aulas, mas também para os treinos, não é rara, nem impossível de ser combatida.

Segundo Natasha Hayamizu, psicóloga especialista em psicologia do esporte, existem variáveis que fazem as pessoas quererem praticar ou não alguma atividade física.

Elas estão relacionadas com as consequências que o esporte promove na vida das pessoas. Podem ser inatas, ou seja, tendem a ser iguais em todos os praticantes.

Geralmente, é a sensação de bem estar que ocorre após a produção de substâncias químicas no corpo. Além disso, as consequências podem ser pessoais, o motivo individual para a prática daquela modalidade.

E, por fim, sociais, que são de extrema importância para a adesão e aderência à prática esportiva universitária. Nada mais são do que os laços sociais gerados pelo esporte.

Motivos da preguiça de treinar

“Basicamente, quanto mais tempo ficamos sem treinar, mais tempo ficamos sem entrar em contato com estas consequências positivas, importantes na manutenção do nosso comportamento de ir aos treinos”, explica Natasha.

E é justamente esse interrompimento na rotina que causa a preguiça de treinar.“Quanto mais distantes temporalmente destas consequências prazerosas, maior é a sensação de esforço em ir aos treinos. E menor a probabilidade de ir”, explica Natasha.

Manoella Fiochi Marques, mestranda de psicologia esportiva na USP de Ribeirão Preto, aponta ainda que existem mais fatores influenciadores dessa preguiça. Ela destaca, inclusive, o fato de que muitos estudantes priorizam outras atividades ao esporte.

“A falta de motivação pode advir de uma série de deficiências. Podem ser pessoais, no âmbito fisiológico, como ausência de energia, problemas de saúde, ou financeiro, falta de tempo e organização com a nova grade horária do semestre”, aponta ela sobre os fatores internos.

Mas as causas também podem ser externas. “Em geral, dadas por parte de uma gestão esportiva ruim, como logística e infraestrutura inapropriada, falta de técnicos, horários de treinos instáveis, má organização de competições, falta de transparência da atlética.”, aponta.

Preguiça e alimentação: tem a ver?

Não é só a distância das quadras, pistas e piscinas que influencia negativamente no empenho do atleta universitário. Manoella destaca como a alimentação também pode ter grande impacto no assunto.

“A alimentação pode estar relacionada a essa ‘preguiça’ quando não há o consumo necessário de alimentos que forneçam a energia suficiente para os gastos esportivos, que são bem altos”, revela.

O que torna a falta de motivação ir além do fator psicológico. “Nesse caso, por trás da falta de vontade de ‘levantar do sofá e ir treinar’, há uma falta de disposição muito mais ligada ao despreparo do corpo devido a falta de nutrientes”, completa.

Assim como Manoella, o preparador físico Cesar Lima, reforça a importância da boa alimentação no período de férias para ajudar no retorno.

“Atletas universitários, por não terem o esporte como profissão, não se preocupam em ter um acompanhamento nutricional no período de férias. E o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e alimentos não saudáveis prejudicam seu desempenho e forma física. Causam também uma desmotivação para retomar os treinamentos”, explica.

Atletas profissionais têm o mesmo problema

Segundo Cesar, esse sentimento de preguiça não é exclusividade dos atletas universitários. Entre os atletas profissionais, esse sentimento também é comum.

“No caso de atletas profissionais, também existe esse sentimento de ‘preguiça’ de treinar. Mas como o acompanhamento deles em períodos de recesso ou férias é assistido por educadores físicos e nutricionistas, o despreparo é minimizado”, conta ele.

Para Natasha, existem meios dentro da psicologia do esporte para driblar e minimizar o sentimento de preguiça de treinar.

“Uma intervenção bastante interessante para trabalhar com este objetivo é o estabelecimento de metas individuais e coletivas, periodizada ao longo do ano”, exemplifica. Inclusive no período de férias em que os treinos físicos e técnicos deixam de acontecer.

Manoella também reforça que ter um propósito claro e conectado com os demais membros da equipe aumenta a motivação e as chances de não largar a prática esportiva.

A importância de não largar os treinos

Mesmo com toda a preguiça de treinar e a vontade de não fazer nada, é importante vencer o desânimo. Isso não só porque o esporte não gera apenas as consequências positivas. Mas porque é essencial para a saúde física e mental, principalmente no ambiente universitário.

“Exercitar-se, romper com o ciclo de ‘preguiça’ de treinar e voltar às práticas regulares de esporte, traz muitos benefícios à saúde mental. Como por exemplo, a redução das chances de desenvolver transtornos psicológicos como depressão, transtornos de ansiedade, humor, entre outros”, explica Manoella.

De acordo com ela, além disso, o esporte é um meio propício para aliviar as tensões acadêmicas e criar laços. O que pode diminuir o estresse e auxiliar na melhora do humor.

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