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Machismo no E-Sports: um espaço de discriminação

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Um espaço “tradicionalmente masculino” e um cenário a se alterar: pensamentos (de um homem) sobre o machismo no E-Sports

Na rua ou no trabalho, é sabido que mulheres sofrem com todo o tipo de discriminação. O machismo está presente em todos os espaços sociais e a questão é ainda mais grave quando olhamos para meios tradicionalmente masculinos.

Seja por relatos de amigas (e minha irmã) ou por situações vistas em primeira mão, a comunidade dos games e E-Sports entende que este é um problema.

Machismo no E-Sports

Eu, como garoto que sempre gostei de videogame, entendo que o meio não é fácil, ainda mais no ambiente competitivo. Como comumente feito no resto da internet, pessoas abusam do anonimato.

Seja para xingar, assediar e, em jogos de time, justificar derrotas apontando o dedo uns para os outros. Mas, também como no resto da internet, é impossível imaginar como é para uma garota estar neste meio.

A discriminação como senso comum

Todas já ouviram essas frases antes: “videogame não é coisa de menina”, “ela é ruim porque é mulher” e “volta para a cozinha”. Garotas são constantemente descredibilizadas e cobradas.

Vi muito desta situação em casa, enquanto eu ganhava os “presentes legais” e minha irmã com uma extensa coleção de Barbies (que trocaria prontamente por um GameBoy).

Ultimamente, outro exemplo: tenho jogado com uma amiga que não usa comunicação por voz. Isso porque, assim, os outros jogadores não têm como saber que ela é uma garota.

Também não é nem um pouco incomum mulheres com apelidos de homens no mundo online, pelo mesmo motivo.

A narrativa comum do machismo

Helena Nogueira tem 24 anos e conta uma história que, salvo alguns detalhes, pode ser replicada para muitas outras garotas: apaixonada por games desde pequena, com cinco anos pediu um Nintendo 64 para os pais. O que, nas palavras dela, foi um grande susto.

Crescendo como “menina que jogava videogame”, tinha o controle tirado da mão pelos primos e sofria cobranças por aquilo não ser algo delicado, digno de uma menina.

Ansiedade social quando adolescente, mensagens de ódio ou assédio online, falta de representatividade nos jogos e todo tipo de empecilho.

Tudo isso é comum a uma garota que tem interesse neste universo.

Uma exceção à regra

Porém, mais tarde, Helena se especializou em jornalismo de games, conheceu o E-Sports e é redatora na Versus – segmento brasileiro especializado em E-Sports de um dos maiores portais de games do mundo, a IGNInfelizmente, esta é a parte da história que a difere de tantas outras garotas.

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Helena em seu trabalho na Versus (IGN)

Pelos empecilhos e obstáculos impostos, garotas que tinham paixão por videogames quando mais novas simplesmente se desmotivam de perseguir algo na área, como também é comum em áreas de exatas e tecnologia: “Por isso o incentivo é tão importante”, reitera Helena.

Representatividade, sim

Em conjunto com uma colega e amiga, Helena produziu um documentário, Donzela Em Defesa (disponível aqui), sobre o tema. 

Nele, elas conversam com designers, programadoras, jornalistas, mães, filhas e também homens que formam o cenário de games sobre representatividade e a situação da mulher neste mundo.

“Só é possível cortar o ciclo vicioso que oprime e exclui as mulheres quando houverem mais mulheres no mercado, abrindo espaço para que meninas possam se sentir confortáveis em sonhar com a área.”, concluem.

∃-Minas: encontro sobre ser mulher no E-Sports

Pedro “P3” Paolillo é colaborador de E-Sports da Revista BEAT e autor deste texto.

P3 também é idealizador do evento ∃-Minas que ocorrerá nessa sexta-feira, a partir das 10h, no IME-USP. O evento reunirá pro players e profissionais do cenário para palestras e mesas redondas sobre o machismo no E-Sports. Entrada Gratuita e aberta a todxs.

Mais infos aqui.

 

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