Connect with us

Especial

Irmãos esportistas: família dentro e fora da quadra e das pistas

Já imaginou jogar contra (ou do lado) de alguém da sua família? Isso ocorre entre vários irmãos esportistas do universitário e, além das rivalidades, nos traz ótimas histórias.

Por André Siqueira Cardoso

Qualquer detalhe faz muita diferença no esporte. Agora, imagina entrar em quadra com seu irmão? E se ele for gêmeo? Pior: e se você jogar contra ele? Esse não parece um cenário muito provável, mas ele existe e existe aos montes.

Pode parecer mentira, mas daria para fazer uma lista bem generosa com os diversos irmãos que praticam esportes, às vezes, a mesma modalidade, e jogam um contra o outro ou até no mesmo time.

Nesta reportagem, a BEAT conta as histórias de duas duplas de irmãs gêmeas e de três irmãos que praticam o mesmo esporte na universidade.

São eles: Marjorie e Thayná Miori, do futsal pela FECAP; Marcella e Isabella Cassemiro, do atletismo da FEA-USP e da Unicamp, respectivamente; e Angelo, Ian e Thomas Kasil, do basquete da FEA-USP, FFLCH e EEFE, nessa ordem.

Eles contaram em detalhes como é ter alguém da família tão próximo como companheiro de time ou rival, revelaram os lados bons e ruins e os momentos mais marcantes compartilhados. Confira a seguir.

Irmãs gêmeas atletas: mesma modalidade, mesmo time

Marjorie e Thayná Miori, da FECAP, de 20 anos, não só jogam a mesma modalidade como jogam no mesmo time. São alunas de ciências contábeis da FECAP e ambas atletas de futsal da faculdade.

E o envolvimento com o esporte? Não começou na universidade não. Já é de longa data, comentam as atuais campeãs do futsal feminino do Economíadas.

‘’Eu e minha irmã sempre jogamos juntas, desde criancinha, no clube, quando fomos federadas. E não podia ser diferente na faculdade’’, diz Marjorie. Quando crianças, elas acompanhavam o pai em seus jogos e foi assim que desenvolveram o amor pelo futebol.

‘’A gente jogava com os meninos da nossa idade, mas eles reclamavam dizendo que éramos cavalas, e que só batíamos na canela deles. Foi aí que nossa mãe nos colocou na escolinha do Palmeiras, que era o clube que frequentávamos’’, comenta em tom de brincadeira.

E foi essa união entre elas, construída desde crianças que foi fundamental na relação que elas têm com o esporte. ‘’Sempre fomos muito unidas, moramos juntas e, às vezes, descíamos na quadra do apartamento em que moramos, para treinar. Acho que sempre treinamos mais que as outras meninas, porque nós tínhamos uma à outra’’, conta.

Prazeres e dificuldades de irmãos esportistas

Eles se amam e se odeiam e a máxima vale dentro de quadra mesmo. ‘’Por sermos família, rola intimidade, e isso faz com que a gente brigue quando uma de nós erra um gol, não passa a bola, por exemplo”, explica, Marjorie.

Ela conta que em alguns casos são tão sérios que já chegaram a tomar bronca do treinador da equipe da FECAP. Segundo ele, se continuassem brigando, não seria possível continuar jogando juntas. Mas a advertência foi bem útil, apontou Marjorie.

‘’Depois disso, mudamos nosso comportamento, nos unimos. Isso fortaleceu nosso time, o que eu acho que foi fundamental para o nosso título do Economíadas desse ano’’, continua.

Falando em títulos, para Marjorie, jogar e ser campeã ao lado de Thayná é o maior prazer da vida. ‘’Eu jogo atrás e minha irmã na frente, então somos uma dupla perfeita, que se completa’’, defende.

‘’Participamos dos campeonatos juntas, então cada medalha me faz lembrar que eu estava ao lado dela e que ela me ajudou a conquistar. Isso é uma coisa que eu vou levar pra vida’’, completa.

Inspiração de irmã: elas voam mesmo

Marcella e Isabella Cassemiro também têm 20 anos e são apaixonadas pelo Atletismo, mas estudam em faculdades diferentes. A primeira é aluna da FEA, enquanto sua irmã é atleta da Unicamp, em Limeira.

Segundo Isabella, o esporte também é presente na sua vida e da irmã desde criança. ‘’Já praticamos alguns tipos de dança, mas na época do colégio, por volta dos 12 anos, o que mais chamou nossa atenção foi o futsal”, conta.

Mas apesar do esporte já fazer parte da vida de ambas desde a infância, Isabella só entrou para o atletismo depois que sua irmã engatou na modalidade na faculdade.

‘’Sempre tive vontade de praticar, mas nunca tive contato. Quando vi a Marcella treinando na USP, procurei algumas pessoas na Unicamp para organizarmos. Na verdade, o atletismo começou lá porque fui atrás das pessoas certas e conseguimos montar um time’’, explica.

Segundo a atleta da Unicamp, a modalidade ainda está se desenvolvendo. ‘’Não temos muitas pessoas preparadas, então eu também pego dicas com o pessoal da USP”, revela. Por enquanto, as irmãs contam que não chegaram a competir contra a outra.

Ela começou a treinar no começo do ano passado, logo após ao ingresso. E, quando está em São Paulo, Isabella treina com a irmã em um projeto no qual Marcella é uma das líderes, o Elas Que Voam, da Adidas.

Sua vida esportiva só se associou à corrida pela forma como praticava as demais modalidades, como o  futsal. ‘’Eu jogava como pivô, porque corria bastante e acharam que desempenharia bem a função”, revelou a atleta da FEA.

Obstáculos e vitórias das irmãs atletas

‘’Você conhece os limites e a capacidade da pessoa e isso é bom, porque vai ter alguém te puxando. Mas o lado ruim é que sempre há comparações. Por sermos gêmeas, sempre lidamos com elas e isso não é algo que a gente goste muito’’, comenta Marcella.

Entretanto, foi a irmã e o pai que deram apoio a ela em um dos momentos mais marcantes no atletismo. Marcella sofreu uma queda, se machucou e, por conta do esforço da bateria, acabou passando mal, no final de uma prova de 200m, em que eles tinha ido assistir.

E foi esse apoio de família que Isabella leva no coração. Para ela, ter se engajado para desenvolver o atletismo em Limeira é um dos fatos mais importantes do esporte na sua vida.

‘’Nosso campus é muito precário, não tem nem pista pra treinar. Tivemos que arrumar uma pista externa e isso nos fez ter que criar esquema de carona e tudo mais”, aponta. Saber que não é fácil e ver que as pessoas se esforçam, se dedicam é que mais estimula a atleta.

“É legal ver que tem bastante gente indo treinar. Fizemos uma competição entre os cursos de Limeira. Isso é algo marcante e eu pretendo continuar levando as pessoas para competir aqui em São Paulo e em outros lugares também’’, finaliza Isabella.

Splash Brothers do Brasil: 3 é demais!

Um é pouco, dois é bom e três? Angelo, Ian e Thomas Kasil são jogadores de basquete. O primeiro, o mais novo dos irmãos, é aluno da FEA-USP e joga como armador. Ian, já formado, representou a FFLCH como ala. Thomas, por sua vez, é atleta da EEFE e atua como alaarmador.

Como contam Angelo e Thomas, a relação dos irmãos com o esporte é muito forte. Desde o futebol, passando pelo surf e até montanhismo são alguns dos exemplos de modalidades praticadas por eles.

Agora o amor pelo basquete, nasceu com Angelo. Ele foi o primeiro a ter contato com a atividade.

‘’Quando tinha oito anos, passei a acompanhar os treinos do masculino no Círculo Militar de São Paulo, clube que minha família frequentava, me interessei e passei a treinar com eles. Joguei lá por quatro anos, disputei Federação, e isso despertou o interesse dos meus irmãos’’, conta o aluno da FEA.

Já Thomas, da EEFE, tentou seguir carreira no futebol, mas não deslanchou. Resolveu, então, tentar a sorte no esporte em que o irmão tinha se dado bem. ‘’Após um ano de frustrações envolvendo o futebol, decidi treinar basquete, que se tornou mais do que um jogo pra mim. Isso me influenciou na escolha da minha graduação’’, relata.

Ian, da FFLCH, também engatou no basquete e seguiu como atleta universitário durante sua graduação.

Irmãos esportistas: brigam em quadra, resolvem em casa?

‘’Entrei na faculdade esse ano e joguei duas vezes contra cada um deles. Contra o Ian, da FFLCH, ganhei os dois jogos e tive a oportunidade de marcá-lo. É uma sensação bacana, porque você está marcando seu irmão, mas a gente tenta tratar um ao outro como uma pessoa normal, alguém do outro time’’, conta Angelo.

Thomas também se recorda de enfrentar Ian. ‘’O jogo foi pegado e ganhamos por apenas 1 ponto. Ele fez duas bolas de três na minha cara e me deu um toco’’, relata. Para Ian, jogar contra os irmãos é uma sensação engraçada. ‘’O pessoal comenta e faz piada, dizendo que pode chegar mais forte, porque dá pra resolver em casa’’, diz.

Mas além da questão competitiva, eles lembram que sempre tiveram o basquete como diversão desde criança. “Hoje em dia, procuramos nos aperfeiçoar, com um ajudando o outro. Uma coisa que nos ajuda é que o Thomas, faz Educação Física, então ele nos passa treinos’’, explica Angelo.

‘’Conversamos sobre o que podemos melhorar e temos uma cesta de basquete em casa. Por isso, de vez em quando, treinamos arremessos e jogamos um contra um’’, complementa Thomas.

Lendas do esporte universitário:

Anos de dedicação, mais de 130 medalhas e um amor
Do futsal para o vôlei: conheça a fera das quadras
A jornada do mestre do basquete universitário

Advertisement

Facebook

More in Especial