Um time (quase invencível), repleto de novatos talentosos e veteranos experis, e duas finais no mesmo dia. Com o saldo de duas medalhas de ouro para o Futebol da EEFE USP.

Por Gabriel “Planta” Mastrodomenico

O ano de 2011 foi marcante para o Futebol da EEFE USP, por muitos motivos. Tivemos um 2010 vitorioso no ambiente da USP, mas havíamos deixado escapar duas taças em campeonatos externos. Terminamos em 3º colocado na FUPE e 4º colocado na Liga Paulista.

Esses eram os dois torneios mais tradicionais da época, porém, deixaram muito a desejar na organização do campeonato. Visto os problemas que passamos,  após uma reunião com o time, decidimos disputar a então nova NDU em 2011.

Reestruturação do futebol da EEFE

Apesar das vitórias no ano anterior, trocamos a comissão técnica e Luis Fernando Arjones e Kleber Siqueira Junior assumiram a equipe – que iniciou o ano com mais de 30 atletas no plantel. Ao longo do ano, recebemos ainda os reforços do exterior: Wolfgang Mauer da Alemanha e Andrés e Osvaldo Zeger do Chile.

Com um grande elenco e muita qualidade técnica, não era raro dobrarmos as rodadas nos finais de semana. Na verdade, para a EEFE, isso já era bem comum. Na época, a convocação dos jogos era feita pelo finado “grupo de e-mails”. O que em certo momento criou uma rivalidade interna nos treinos e coletivos.

Competitivade interna

O “expressinho” crescia e pedia passagem, enquanto que o time “principal” contava com caras cascudos do universitário e que assumiam a responsabilidade em jogos grandes.

Nessa época, o Futebol da EEFE não disputava os Jogos da Liga no 2º semestre por conta do calendário. As datas sempre ficavam muito apertadas nas fases finais. 

Além disso, por ter tido uma sequência de vitórias na Copa USP, a equipe já costumava ter sua vaga garantida na disputa da Copa dos Campeões do ano seguinte.

Dobrando as finais

Porém, neste ano, resolvemos disputar o torneio para dar mais oportunidades aos novatos e também para tentar uma inédita unificação de título. Chegamos ao final do ano e, como era de costume, tínhamos mais jogos do que datas. Isso para mim, como diretor de modalidade da equipe, sempre ocasionou muitas dores de cabeça.

Os adiamentos por chuva neste ano foram os grandes vilões do acavalamento de datas. E a própria final da NDU correu o risco de não ser realizada no CEPEUSP por conta das águas de verão.

As finais do Jogos da Liga seguiam o mesmo padrão e, por conta da imprevisibilidade, tivemos que tomar uma decisão que gerou uma certa surpresa para todos.

Dobramos as finais no mesmo dia! Pela NDU, às 11h no Campo 2, o jogo seria contra a fortíssima equipe da UNIP – que contava com o ex-jogador Andrezinho (campeão Paulista em 2001 com Corinthians) e uma das favoritas ao título.

Final Jogos da Liga: Poli x EEFE

Pelo Jogos da Liga o adversário era a Poli, uma tradicional rival interna, mas que amargurava uma sequência de derrotas para nós em jogos finais. Esta partida foi às 14h no Campo 1.

Fazendo as contas, entre o final de um jogo e o início de outro, tivemos pouco menos de 1 hora de descanso! Claro que só aceitamos essa situação por saber que tínhamos dois times muito competitivos na totalidade de atletas da equipe. Caso contrário, estaríamos colocando os dois títulos em risco.

As grandes finais

Pela manhã, tivemos um jogo duríssimo com a UNIP, que tinha uma equipe muito boa tecnicamente, mas que jogou praticamente todos os seus jogos no pequeno campo sintético do SC Corinthians. Desse modo, a UNIP sofreu um pouco para jogar na grama natural e dimensões do CEPE.

Nós jogávamos pelo empate, devido à melhor campanha já conquistada, além de estarmos acostumados com o campo. Com grandes atuações de Ivan Medici, Aymann Nassif, José Rodolpho “Crouch”, Luiz Gustavo Serrambana Melo e Diego Narcísio Silva, este último autor de um golaço que sacramentou nossa vitória. O título inédito veio com o placar de 2×1 para o Futebol da EEFE!

Infelizmente tenho que citar que, após o apito final, a UNIP partiu para cima da equipe de arbitragem e ocasionou uma cena lamentável de agressões e ameaças. O tempo para comemorar era curto, tínhamos que hidratar e tentar comer algo para a próxima batalha que seria em instantes.

Trocamos várias peças do jogo, mantendo apenas os principais jogadores da equipe. E, assim, estávamos novamente prontos para um jogo, a próxima final.

Quando recebemos a notícia da LAAUSP que a Poli jogaria com o seu tradicional uniforme amarelo e, como eles eram mandantes, deveríamos trocar o fardamento.

Tínhamos um segundo jogo de uniforme, mas que não contemplava a todos os jogadores e tivemos que usar o regulamento a nosso favor, se valendo da súmula aberta até o final do confronto para ir inscrevendo os jogadores à medida que iriam entrar em campo.

Assim, nossa comissão tinha todos a sua disposição, porém ocasionou uma situação inusitada a todos com a EEFE usando shorts dourados/azul marinho do uniforme principal e camisetas brancas/azuis do uniforme reserva.

Os títulos

Não foi isso que tirou nosso foco do objetivo principal e novamente tivemos uma atuação muito boa. Os intercambistas foram importantíssimos no Jogos da Liga e repetiram a boa atuação na final. Com gol do chileno Osvaldo em uma arrancada do meio de campo, fechando o placar novamente por 2×1.

Fomos campeões mais uma vez e fechamos este ciclo da maneira que os formandos Ivan Medici e Luiz Serrambana Melo mereciam pelos muitos anos de dedicação ao Futebol da EEFE: com títulos!

Posso afirmar que, com apenas duas derrotas no ano, com os títulos da Copa dos Campeões, Copa USP, NDU e Jogos da Liga, a EEFE era a melhor equipe universitária da época.

Fico feliz ao saber que muitos companheiros ainda atuam nos gramados universitários e continuam sendo vitoriosos, até representando outras atléticas. E me alegro imensamente de ter dividido este momento tão especial ao lado de cada um!

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