Será que todas as atléticas apresentam um processo interno parecido? Como são as trocas de gestões? Como são definidos os cargos? Saiba mais.

Por Bianca Caballero

Um dos momentos mais importantes no desenvolvimento de uma atlética é a troca de gestão. Definir quem vai dar continuidade ao trabalho feito até então é algo sério e por vezes delicado, de forma que cada entidade busca o seu melhor formato possível, e as soluções encontradas variam muito. Quem define as novas gestões? Quem pode se candidatar? Existe votação? Existe chapa? Conversamos com membros e ex-membros de quatro atléticas de São Paulo para mostrar alguns dos formatos em que essa transição pode acontecer.

AAA Pereira Barreto – Medicina Unifesp

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Assim como nas outras atléticas, a troca de gestão na AAAPB, atlética da Med Paulista, acontece uma vez por ano. Nesse caso sempre em setembro, após a InterMED. É nesse momento que os alunos do primeiro ano podem se tornar DMs e que a nova diretoria é definida. Em geral, os cargos são ocupados por alunos que passaram um ano como diretores de modalidade. “Mas isso nem sempre é regra”, explica Beatriz Mitie, atual DGE da AAAPB. “Existem diretores que não foram DMs e DMs que não viram diretores. Não existem pré- requisitos, só precisa ter interesse no cargo”. Na hora da definição mesmo, não existe votação, são aqueles que vão compor  a gestão que definem quem ocupará cada cargo.

A permanência nos cargos é sempre de um ano e até existe a possibilidade de se candidatar novamente. Porém, em geral, isso não acontece, porque aqueles que querem continuar ajudando podem fazer parte do Conselho de ex-diretores. Seus membros participam de reuniões mensais com os diretores da atlética – que se tornam semanais no período que antecede a InterMED – além de encontros mais específicos entre diretores e ex-diretores de cada cargo. “Em outras faculdades, às vezes você fica a graduação inteira na gestão. Na Medicina é bem difícil isso acontecer devido à carga horária da graduação”, diz Beatriz.

Em relação ao período de cogestão, “Há um auxilio da diretoria antiga, mas não chegam a trabalhar juntos, a nova diretoria exerce suas funções e a antiga só auxilia. Isso dura o tempo que precisar para passar as funções de forma tranquila”, explica Beatriz.

AAA Jesse Owens- Cásper Líbero

Na atlética da Cásper Líbero, uma das principais diferenças está logo na entrada dos estudantes na entidade: eles precisam ser indicados por membros da atlética e, depois disso, existe uma votação que define quem poderá participar.

O processo de mudança de gestão acontece anualmente, sempre na última reunião geral do ano. Os atleticanos que já participam da gestão há pelo menos 6 meses podem se candidatar para os cargos e, assim, são votados pelos membros da gestão atual. Podem se candidatar tanto atleticanos que não tinham cargos, quanto aqueles que já ocupavam uma posição – nesse caso, podem ir para uma função diferente, ou se manter na mesma, desde que ainda não tenham se formado.

Em relação ao processo de cogestão, “ele existe, mas não como uma ciência exata. Vai do feeling de cada um saber quando largar o osso e deixar o sucessor jogar sozinho”, explica Augusto Lopes, que foi da atlética por três anos, sendo um deles como Diretor de Esportes Individuais. “Em particular, ajudei muito o meu sucessor, por um semestre”.

No que diz respeito aos ex-alunos, a lógica é parecida: não existe um formato específico para a participação deles, mas em geral seguem ajudando como podem.

 

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AAAVC- FEA USP

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Para entender as trocas de gestão na atlética da FEA USP, é importante primeiro saber como ela se organiza: a AAAVC é composta por alunos “segundos anos”, que podem ser DGEs, ocupando um cargo específico, ou ajudar em funções diversas, passando por diferentes áreas ao longo do ano; e pelos diretores da gestão, que possuem cargos.

A troca de gestão acontece sempre no final do ano, e “cada gestão escolhe os cargos que vão existir de acordo com as necessidades, atual situação da atlética e objetivos”, diz Giovana Langanke, que foi DGE da atlética em 2016 e atualmente é presidente. Em geral, os segundos anos começam a se reunir a partir da metade do ano para definir objetivos e, ao final do processo, são eles que definem quem ocupará cada cargo, sem interferência da gestão atual. “Não existe nenhuma regra dizendo quem pode ocupar determinado cargo, além do ano em que a pessoa se encontra. Porém, pelo fato de o presidente e vice-presidente, na FEA, terem um caráter muito mais esportivo, os DGEs costumam assumir estes dois cargos”, explica Giovana.

Após assumirem a gestão, os novos diretores também fazem uma reunião com os bixos – futuros “segundos anos”- interessados. Apresentam os diretores, as áreas da atlética e já pegam seus contatos para formar grupos e começar as atividades. Mas vale mencionar que esse não é o primeiro contato dos bixos com a atlética. No primeiro semestre acontece também o “Open hAAAuse”, em que a atlética busca atrair os interessados e já lhes delegar pequenas tarefas.

Em relação à cogestão, não existe um período oficial e a ideia é que os segundos anos, especialmente os DGEs, tenham espaço para participar de todos os processos e decisões durante o ano, aprendendo e adquirindo cada vez mais responsabilidades.

Sobre a relação com os ex-atleticanos, Giovana diz que “regularmente marcamos um conselho com eles, que é formado pelos estatutários e mais uma ou outra pessoa da gestão. Nestas reuniões, além dos conselhos, passamos um panorama geral do que está acontecendo. Eles sempre se mostraram muito solícitos, pois, de uma forma ou outra, se envolveram muito com a AAAVC e ainda têm muito carinho por ela”.

Atlética ICBIÓ- Ciências Biomédicas, Biologia e Oceanografia da USP

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A gestão da atlética do ICBIÓ também muda uma vez por ano, mas é a única, entre as atléticas entrevistadas, que acontece através da eleição de chapas.

Os alunos entram na atlética pelos “cargos de base”, ou seja, se tornando diretores de modalidade ou fazendo parte das comissões organizadoras do BIFE, InterBIO, ou G(-4). Em geral, os DMs são atletas do segundo ano, enquanto as comissões podem ser compostas por alunos de qualquer ano da graduação ou da pós. Para definir aqueles que ocuparão os cargos de diretoria, são formadas chapas com alunos que tenham pelo menos um ano de experiência na atlética. Essas chapas “são votadas por alunos dos três institutos (ICB, Bio e IO) e a chapa vencedora assume a gestão daquele ano”, explicam Raissa Basti, que faz pós-graduação no IOUSP, e Maiara Antonio, aluna do ICB. Elas dizem também que é incomum alguém ficar no mesmo cargo de diretoria por mais de um ano, mas que acontece bastante de alunos permanecerem por dois anos trocando de cargo.

Não existe um período definido de cogestão, de modo que os diretores antigos devem organizar da forma como preferirem a passagem de certos ensinamentos para os novos. A relação com ex-alunos é algo que também varia bastante, de modo que muitos se mostram disponíveis, seja para tirar dúvidas ou ajudar quando necessário, mas é algo que acontece bem informalmente, sem uma estrutura definida.

 

Foto de capa: Atlética Jesse Owens / Cásper Líbero